Arte e Adulação 2.0
25-06-2026
Na verdade, nem com a versão ligth do Pedro Neto "Capacete" a coisa evoluiu, já lá vão 15 anos.
Recordo-a:
"Um festival de tunas é um festival de "arte"? Se sim, de que "arte"? Respondo: música.
Espectáculo é adulação e não pode substituir a música. Pode - e deve - completá-lo, como a medicina se completa com a alimentação saudável e o exercício físico com a moda e a cosmética."
Foco-me agora apenas na Música.
Efectivamente, deveria ser - e cada vez mais - a protegida, o bem mais relevante. Afinal, é por causa dela, da Música, que a Tuna existe, nasceu, faz sentido.
Na verdade, todo o foco deveria residir, mesmo que aparentemente complicado, na Música que se produz em Tuna.
Desde logo, na sua qualidade interpretativa, quer instrumental, quer vocal. Este deveria ser o zénite, a causa maior: Pode-se retirar o que se quiser à Tuna e ela continua a sê-lo excepto a Música. Sem esta - e instrumentalmente pelo menos - não há Tuna, há outra coisa qualquer.
E é aqui que entra a adulação como forma de ludibriar, enganar, dar a volta, tentar diminuir o importante - a Música.
Chegado aqui, tenho para mim duas notas óbvias:
1. A Adulação como forma de engodo serve sempre quem não tem argumentos musicais; traduzo, quem toca e canta pouco e/ou mal recorre a artificios que nada têm a ver com a Música. Ora reparem lá e verão tal evidência. Quem sabe que toca e canta bem, por regra, não só não recorre à adulação como nem sequer se vangloria artisticamente (outro dado curioso).
2. Os que mais recorrrem à Adulação, em Tunas, são aqueles que mais usam da prosápia repetitivamente néscia, por terem plena consciência quer, musicalmente, não estão a tais niveis, ou porque não conseguem, ou porque simplesmente não querem, tentando assim compensar o deficit artistico recorrendo à Adulação, em vários formatos, em cima ou fora de palco até.
Evidente que o supra não é uma regra e contém excepções, naturalmente.
Mas não é menos verdade que se usa tudo - e mais alguma coisa - para justificar a falta de qualidade musical e vocal, que é, afinal, a essência da Tuna.
Só esta disfunção, per si, provoca danos altamente lesivos para a credibilidade externa da Tuna, mesmo que haja um "nicho de mercado" de nivel artistico muito alto. A tal desgraça que a generalização induz.
Mera percepção.
RT