A Verdade Inconveniente

08-04-2026

A Verdade Inconveniente
Em 2012 perguntei, então, ao saudoso Paulão, o seguinte -  e no meio de uma entrevista maior.
Note-se com especial relevância e na resposta dele, as passagens sublinhadas - exclusivamente da minha lavra:
"Como vês as actuais Tunas nacionais estudantis e que te apraz dizer sobre elas, ao fim de duas décadas destas coisas?

 

Vejo-as a travar um árduo combate. Se por um lado a Tuna Nacional ostenta uma invejável forma ao nível do desempenho, o seu reconhecimento é cada vez mais vulgarizado e refém de uma imagem preconceituosa e, atrevo-me, alvo de exclusão.
O que gerou este download de apelidação face ao Tuno e à Tuna levar-nos-ia a intermináveis conversas. Se não foram tidas no passado, quando aos debutantes se poderia pedir sindicância, não creio que agora a oportunidade seja a melhor. 
 
Espanha fez-nos, refez-nos, e foi exemplo vivo do mau acabar. Ao contrário de aprender com os erros e equívocos que a Tuna espanhola conheceu, sinto uma espécie de atracção fatal para igual desígnio. 

Uma coisa é certa, tal como em Espanha, algo de bom ficará. Mais tarde ou mais cedo quem descobrir o espelho que insiste em recusar mirar-se, ou faz a auto-crítica e muda, ou então fica vetado ao folclore tunante. Daquele que para o qual já não há paciência."
 
Palavras sábias.
“Ou faz a auto-crítica e muda, ou então fica vetado ao folclore tunante. Daquele que para o qual já não há paciência
 
Deveras elucidativo, já em 2012. O que nos diz muito da não evolução, ao dia de hoje, do fenómeno e quanto a estas matérias. Continua-se a apostar em demasia no folclore tunante e sem qualquer auto-critica, um facto.
Replica-se a asneira, simplesmente, sem critério porque sem conhecimento, julgando-se saber quando de todo assim o é. Há mais de 30 anos, mesmo com livros online. Daí o folclore. Porque é mais do mesmo, não há evolução cognitiva, tem-se nojo ao conhecimento ou por preguiça, ou por fulanização. Porque dá trabalho ler e, pior, têm-se alergia a reconhecer o mérito a quem sabe. A tal atracção fatal para igual desígnio que os vizinhos do lado sofrem. Tudo igual, na verdade. 
 
Por isso “o seu reconhecimento é cada vez mais vulgarizado e refém de uma imagem preconceituosa e, atrevo-me, alvo de exclusãoO dano causado à Tuna em geral é enorme, a começar pela exclusão social. Olham-nos os de fora, de lado - e quando olham. Ignoram-nos genericamente, salvo pontuais e costumeiras excepções. Não se avança num reconhecimento social mais generalizado. Está-se na trincheira do banal, do mais-do-mesmo, do vulgar. Ninguém quer saber, fora do meio, deste meio. Porque neste meio, são muito poucos os que se preocupam com o resto da sociedade que nos acolhe. Já pelo oposto, são muitos os que continuam a alimentar(-se) (d)esta triste realidade. Culturalmente e num prisma maior, somos insignificantes. É a verdade nua e dura. E a verdade, por muito que ela custe, é o 1ª passo para se poder mudar de vida. Aparentemente, a maioria dos tunas não quer tal, sequer. Colhe o que semeia, simples.
 
Abençoados sejam aqueles poucos resistentes que, fugindo do folclore, promovem de forma positiva, limpa e séria, a Tuna estudantil portuguesa. Na verdade, já em 2012 havia quem visse o óbvio. Até antes….


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