Portugaltunas - Tunas de Portugal

E Agora?
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E Agora?

Antes De Mais, À Semelhança Desta Crónica, Este Regresso Está Consciente Do Fosso Temporal. É Inevitável Fazer Esta Ponte.

"... mas é certo que há um certo espírito sui generis, uma toada, se quisermos uma metáfora musical, na Tuna, que está ligada a essa fome do convívio. E é minha suspeita que será esse espírito a trazer-nos para o outro lado da pandemia, e será essa cola que fará com que uma Tuna sobreviva, melhor ou pior, ao deserto a que o covid nos votou."

Estas palavras foram escritas por mim em finais de Abril de 2020, quando íamos na quinta semana de um confinamento inesperado e severo, forçado por uma nova doença sobre a qual se conhecia assustadoramente pouco. Hoje, passado mais de ano e meio sobre a declaração de estado de emergência em Portugal, que pôs fim a quaisquer sonhos e aspirações seja de que tipo de atividade tunante para essa primavera, já vamos tendo um vislumbre do Regresso, e estará na hora de analisarmos que regresso é esse.

Antes de mais, à semelhança desta crónica, este regresso está consciente do fosso temporal. É inevitável fazer esta ponte. Os últimos dois vídeos promocionais que vi de Tunas (Gatuna e TAISCTE), entre tantos outros, começavam também por essa ponte, por mencionar a travagem a que o covid nos condenou - não podemos saltar por cima de um obstáculo sem denunciarmos a sua existência; não faria sentido anunciar-se um recomeço sem se explicar a presença do prefixo.

Acho que isso não é inocente. Talvez não seja propositadamente uma contextualização mais denunciada disso, mas a verdade é que aponta para uma mudança. Libertada de um constante atualizar da sua calendarização, a Tuna foi obrigada a redefinir-se durante 17 meses, e isso tem um impacto na maneira como ela se vê a si própria. Eu disse nessa tal crónica que a cola da Tuna era o convívio, e mantenho que terá sido com base na esperança do regresso ao convívio e numa amizade sincera que muitas tunas sobreviveram, mas a verdade é que esse pão não chega, precisa de recheio.

Esse recheio é a forma como a Tuna se apresenta, e isso sempre foi, e sempre será, o palco. Mas não havendo palco, o que sobra? Sobra a música, na forma de vídeos das janelinhas, de festivais online, de streams de atuações reduzidas, de retrospectivas do passado, de ensaios desfasados, etc., numa tentativa de sustentar a tuna, e de a fazer sobreviver às circunstâncias. Mas Darwin avisou que quando o ambiente muda, ou nós mudamos com ele ou morremos, e por muito que ansiemos pelo regresso à dita normalidade, algo de que não duvido, temos que levar connosco aquilo que em nós mudou. Não é à toa que se fala numa nova normalidade, na Tuna isso não será diferente. A reflexão a que fomos obrigados não pode ser ignorada, sob pena de nos vermos diminuídos, atrasados em relação aos outros que crescem com essas mudanças.

Esta mudança vai começar a surgir aos poucos, e penso que a mais imediatamente visível será o refrescar do repertório. As tunas não vão voltar a tocar os mesmos temas, vai haver temas novos, e diferentes, e quiçá um ou outro serão relativos mesmo à travessia do deserto que foi 2020/21. Sinto que de forma geral as tunas vão começar a responder de forma diferente às perguntas de cujas respostas nunca tiveram de duvidar. E vão ter a coragem, no geral, de questionar a manutenção do status quo na nova normalidade, para poderem deixar para trás a gordura e levar para o futuro o sumo de que é feita a Tuna.

Se calhar sou eu a ser optimista, mas vejo sinais dispersos que poderão ser indícios disso mesmo - mudanças no elenco dos festivais, nos formatos, nas apresentações das Tunas, e nos vídeos que surgem agora a anunciar o regresso. Por todo o país, bandos de gente esfaimada estão a ter a coragem de se reerguer.

A minha Tuna atuou ao vivo para público presencial pela primeira vez desde Março 2020 na semana passada, no Anfiteatro Natural da Universidade do Minho, e mesmo estando a cerca de 2000 km de distância eu consegui sentir o entusiasmo, o nervosismo e, acima de tudo, a imensa alegria deles em voltar aos palcos. Não sei se a mudança que vaticino vai ter efetivamente lugar, mas sei que, a ter, o seu motor vai ser a energia que surge entre artista e o público, e de que tanto um como outro já sentiam falta.

Acho que podemos dizer que estamos de volta! Uns mais iguais, outros mais diferentes, com gente nova ou com regressos de gerações anteriores, uns menos atléticos para as pandeiretas, outros com mais tempo de instrumento na mão... mas estamos de volta. Já podemos ir matando a fome num convívio e a sede numa bica de finos.

Da minha parte, vemo-nos por aí. Deixo-vos com um abraço, um bem-haja, e as palavras que, modéstia à parte, pintam uma imagem que nos pode servir de mote para o futuro próximo:

Ergue-se um copo e ouve-se uma Tuna
Entrega-se o semestre à fortuna
E enche-se o coração de vivências


JPR

Outlook sobre eventos Tuneris
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Apesar de não parecer - e olhando para a nossa Agenda de eventos a ilusão de óptica é óbvia - os tempos tuneris de hoje são distintos dos de outrora...

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Do Poder da Palavra.
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"...Não sendo a primeira vez que o fazemos mas em outros moldes, não deixa de ser curioso constatar a adesão que os entrevistados emprestaram, bem como rapidez nas respostas..."...

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"A esmagadora maioria dos festivais - e aqui falo apenas no que se reporta ao palco apenas - não possuí qualquer cuidado ou preparação prévia, qualquer cuidado cénico e rítmico e pré-produçã...

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