Portugaltunas - Tunas de Portugal

R T

Tunas e Queimas Ldª : Será que somos participantes ou...figurantes?

Um pouco na sequência do comunicado da Versus Tuna - apenas mais um caso de estudo entre tantos outros aqui já dados á estampa e ao longo dos anos - gostaria de saber da Vº opinião sobre a Vº experiência quando chegamos a Queimas/Semanas Académicas e afins:

Como são tratados? Como participantes numa suposta tradição, de pleno direito e com o mínimo que uma tuna deve ter nesse contexto ou, pelo oposto, como meros figurantes, onde não há qualquer respeito ou consideração? Ou então nem isso, nem figurantes sequer.

Digam coisas. Seria importante perceber-se nesta altura em concreto como somos tratados quando chegados aqui.

Abraços!

 

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Macieira .
responde a R T:

Boas,

Vou só falar como é de Lisboa...

Costuma haver mas raro, 2 dias, um de serenatas e outro de "arrebimba-o-malho"(Para algumas tunas é a mesma coisa...)

No dia de serenatas... estou proibido de falar... por razões óbvias... já que tudo, não passa mais do mesmo em todos os anos em que estive como espetador e participante. Será que vai mudar este ano???

A nivel de acolhimento, até somos bem servidos, provavelmente quem organiza estes 2 dias, é uma tuna de Lisboa com a AAL, com a exceção da cerveja, é pouca... :P

A nivel respeito já comentei em outro topico anteriormente, o ponto bastante negativo, o respeito do publico(aqui sinto mesmo que sou figurante)...

Resumindo, Somos Participantes nesses 2 dias, o restantes somos meramente clientes normais, pagamos para entrar, etc, etc

Beijinhos e abraços!
Macieira

 

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J.Pierre Silva
responde a Macieira .:

Caro Macieira,

2 partes:

Sobre a Serenata de Lisboa, sentes-te algo condicionado a falar, pois eu não, porque assisti uma vez (e jurei para nunca mais).
A Serenata Monumental é uma tradição estudantil nascida em Coimbra e rapidamente assumida nas mais diversas academias como património estudantil transversal, portuguesa, nossa.
Chamem-lhe fado ou canção de Coimbra, importa a mensagem e o seusignificado para o estudante, principalmente para o finalista. Não vejo por que Lisboa tenha de inventar e substituir grupos de fado por tunas.
Mas, acedendo ao direito à diferença, seria pelo menos de bom tom (e não a estupidez que se regista), que ao m,enos as tunas protagonistas da Serenata se ficassem precisamente pela Serenata, e não por um mero espectáculo de tunas que desprestigia a própria tuna, quando esta não sabe diferenciar no seu repertório o momento em causa (metendo-lhe marchas e todo o tipo de temas que nada têm a ver com o sentido e essência da Serenata Monumental).
Obviamente que se quem está em cima do palco não tem esse cuidado de adequar-se ao contexto, dificilmente o público fará o mesmo.
Espero, pro isso, sinceramente, que, este ano, as tunas saibam restringir-se a Serenatas, de facto (onde podem meter baladas e afins), porque quando querem as tunas sabem, e podem, fazer muito bem (que qualidade não falta).

Posto isto, dizer que já lá vai o tempo em que as tunas mereciam outro respeito nas Queimas. Mas como a lógica comercial dá primazia a outras coisas, as actividades mais ligadas à cultura estudantil acabaram, paulatinamente por servir de mero pretexto. Cartazes há que nenhuma referência têm às actividades da Praxe ou cultural universitária, que não nomes de bandas, DJs e afins.

Também me parece que, e fazendo de advogado do diabo, que nem sempre no passado as tunas tiveram o dicernimento de saber ocupar o seu lugar, exigindo contrapartidas algo exageradas às organizações (passes semanais, etc.), fazendo-se, algumas vezes, rogadas ou pondo-se num pedestal.
A lógica deveria ser as tunas verem na Queima uma oportunidade que lhes é dada, e não um favor que estão a fazer. Do mesmo modo que as organizações deveriam olhar a Tuna como uma das expressões estudantis mais importantes e merecedoras de respeito e carinho, tratando as mesmas como nucleares.
Quiçá algumas situações esticaram tanto a a corda que hoje não se regista a mesma parcimónia e estreita proximidade colaborativa que seria desejável.

Mas as tunas deixaram de estar na moda, deixaram, inclusive, de ter a importância que tinham no passado como principais e previlegiados meios de promoção, publicidade e divulgação institucional (veja-se como reitorias e associações estudantis, mas também câmaras e outros, apoiam bem menos as mesmas).
Na actual lógica comercial, onde importa é fazer cifrões, muitas organizações tentam a um custo menor obter um retorno maior. Continua a reinar a ideia que as tunas se contentam com uma malga de sopa e umas bejecas - o que dá um jeitão já que com elas se gasta pouco e se ganha muito pelo nº de entradas que nesse dia se faz às custas das mesmas.
Talvez também, por isso, muitas tunas se sintam no direito (ontem como hoje mais mais no passado, creio eu)de exigir outro tratamento, dado o dinheiro que dão a ganhar. Sem dúvida que merecem um tratamnto de excelência - mas que não deveser confundido ou pervertido (não porque algumas federações não tenham posses para satisfazer certos caprichos, mas por uma questão, até, de sobriedade, de imagem e honorabilidade que devem presidir à Tuna.

Quando a Tuna começa a dar demasiada importância a contrapartidas, a exigir mais do que a má vontade alheia quer dar, quando é a lógica pessoal, comercial a criar cisões........ quando as organizações não sabem, por seu lado, manter equidade e justiça de tratamento, não olham a meios para atingir fins, quando desrespeitam e não sabem dar ao respeito.......

...... nessa altura nem como protagonista, nem como figurante, nem como participante.
Felizmente, estou aqui a tecer considerandos que nada valem, porque todas estas situações já não existem e, actualmente, as tunas são bem tratadas, bem promovidas, estimadas e respeitadas pelas organizações das Queimas....... digo eu......não sei.

 

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O Conquistador
responde a R T:

Caro RT:

e será que as tunas deviam ter algum tratamento especial?

E os grupos de teatro? E as equipas desportivas? E os corais? E os núcleos etnográficos? - e tantas outras formas de associativismo artístico, cultural e desportivo?

Abro excepção aos grupos de fados, os únicos que têm efectivamente uma origem caracteristicamente universitária.

Se forem convidadas a participar nas iniciativas, as tunas devem ser tratadas - e exigir ser tratadas - como qualquer outra entidade.

Se há quem venda a dignidade por duas cervejas e uma coxa de frango... está tudo dito.

Mas se se tenta apelar ao espírito académico das tunas como forma de as levar a participar de forma voluntária (=sem cachet) nas actividades da queima, então tem de se lhes conferir esse estatuto para tudo, e isto passa por lhes dar regalias diferenciadas.

O problema está em que as organizações só se lembram do "espírito académico" para o que lhes interessa. Ou tudo, ou nada.

Abraço e

BOA MÚSICA!

 

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Carlos "Astromar" Rodrigues
responde a J.Pierre Silva:

Lamento discordar com o facto de A dita serenata monumental ser uma tradição essencialmente Coimbrã,ainda que seja a minha terra natal.Já vi em Coimbra muito quem desrespeitasse a tradição.Se a Serenata Monumental de Lisboa não é tradição é porque também pouco se faz para respeitar tudo o que de actos solenes possam surgir.A começar por deixarmos de ouvir músicas de arrebimba o malho em plena Serenata,exigindo igualmente que o público se mantenha o mais silencioso possível.Em relação a Coimbra também a tradição já não é o que era,INFELIZMENTE.Respeitosamente e incondicionalmente pela tradição Astromar(Tusófona-Real Tuna Lusófona).

 

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Gato Preto
responde a Carlos "Astromar" Rodrigues:

Caro Carlos

"Lamento discordar com o facto de A dita serenata monumental ser uma tradição essencialmente Coimbrã,ainda que seja a minha terra natal.Já vi em Coimbra muito quem desrespeitasse a tradição."

Pois já, meu caro. Também eu e muitíssimas vezes. O que faz pena. Mas também vou adiantando que em 1990 os de 1980 diziam o mesmo. Em 2000 os de 1990 idem aspas...enfim é a regra natural das coisas, feliz ou infelizmente, consoante o ponto de vista.

Já lá dizia o colega Luís de Camões "e se todo o mundo é composto de mudanças, troquemos-lhe as voltas qu'inda o dia é uma criança"...

O que nos trás aqui é o facto de as estruturas organizadoras das festas dos (e para os) estudantes as não fazerem baseadas na sua mais pura essência. A partilha e o usufruto do bem comum, a Academia.

Pelo contrário, a transformação em vagas de mercantilismo desenfreado, em capachos de potestades comerciais, em gigantes do caça níquel, arrumou os seus principais figurantes e donos, para um estábulo onde a sua única função é comer e pagar.

Acredito que um dia a coisa implodirá... Começa a ser um barco demasiado pesado, para ser comandado a remos. Se me dissessem que a revolta de praticamente todos os povos dos países árabes contra os respectivos regimes aconteceria nesta década, custar-me-ia a acreditar. Pois bem, deu-se...

Iremos obrigatoriamente chegar ao ponto em que a discussão terá de ser feita, a tradição reescrita e recuperada, o folclore carnavalesco estudantil abandonado. Tudo passa e farta, quero acreditar.

Este, deveria ser o desidrato da vossa geração. Saber o que andam a fazer e o respectivo porquê. Quem não sabe de onde veio, tem muito mais dificuldade de chegar a um destino. À postura e à consciência de classe.

Desculpar-me-às a presunção, mas penso que, mais uma vez, Coimbra será charneira de tal movimento que tarda. Porque se é verdade que existem faltas de respeito aos valores de sempre em Coimbra, eles tornam-se apenas "exageros" na maior parte das outras Academias. A Coimbra tudo é apontado, a outros apenas é reparado. De facto ainda hoje existe no nosso subconsciente a "Coimbra dos estudantes". A sua responsabilidade histórica e presente é imensa.

Se reparar-mos, as "imaculadas", os "mão direita é penalti", o "que o cavalo faz com a égua", não têm o seu berço à beira Mondego. Mas a globalização faz com que se exporte o que é bom e se adquira o ridículo. Que se desfaça da história e se adopte notícias.

Também aqui, por culpa própria, Coimbra sofre. Vivem-se tempos em que a lógica nacional é que na nossa Academia bebe-se muito mais que na do vizinho. A embriaguez é colectiva, disso não restam dúvidas. Vamos ver é a ressaca...e aí safa-se quem tiver mais gurosam na prateleira, e um pai e uma mãe que lhe expliquem que a vida tem outras coisas boas, outros carreiros...

Quanto ao mais, meu caro, o importante facto de a tradição já não ser o que era, não retira o seu a seu dono. A Serenata Monumental é de facto uma tradição Coimbrã.
A cadeia de lojas "a Toga", não o será, seguramente. Também aqui abriu a sua primeira "megastore". Espero que aqui seja também a primeira a fechar.

Um abraço e boas festas.

 

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Menina Kati
responde a R T:

Boas!

Ora, em relação a este tema eu só me posso referir ao que acontece em Viseu, e nos últimos 10 anos já houve várias mudanças, umas para melhor, outras nem tanto. Há 10 anos atrás, a tunas que tocavam, tinham direito a jantar no dia, bilhetes gerais para os elementos todos e cerveja de borla a semana inteira. Entretanto aboliu-se o jantar e a cerveja de borla, e houve um ano em que nem sequer ofereceram os bilhetes aos tunos todos. Nos últimos 3 anos oferecem-nos os bilhetes gerais e a cerveja do dia da actuação. Já não é mau, visto termos passado por situações piores. A única coisa que as tunas têm reinvindicado é uma melhoria das condições de som, pois têm sido muito más. O que é uma vergonha visto que a empresa que faz o som da queima é a mesma dos vários festivais, e nos festivais é excelente e na queima é do pior. Felizmente nesta última semana académica algum santo deve ter ouvido as nossas preces, pois, apesar de a actuação ter sido ao ar livre (como e sempre na Semana Académica), o som estava bastante bom.
Por cá já nos habituamos um pouco a isto, e acabamos por ir com todo o gosto.
Infelizmente parece que as organizações das queimas e afins pensam que as tunas são obrigadas a ir lá tocar, como se fosse o evento mais importante do ano. Nos não precisamos das queimas para nada, eles é que precisam de nós.

Saudações do Coração das Beiras

 

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Carlos "Astromar" Rodrigues
responde a Gato Preto:

A tradição só se manterá enquanto houver quem a alimente e a respeite.Seja numa serenata em Lisboa ou em Coimbra ou em Arcos de Valdevez.Não é por não ser em Coimbra que temos que prestar maior reverência.O que eu ali vi não lembra nem ao careca.Bem sabemos que tudo o que são semanas académicas não são mais que polos comerciais que servem tudo menos as academias envolvidas.Mas do modo em que as coisas estão ainda vamos "exportar"a nossa tradição.Mas eu continuarei a dizer(e estou a citar-me:"Os ventos que me empurram jamais me derrubaão!!"

 

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Denise Panamá
responde a R T:

Eu estou como diz o Conquistador!!! Se nos queixamos da "intromissão" da Praxe nas Tunas, e se (supostamente) é a praxe que organiza(pelo menos os eventos que envolvam Tunas...)...
Como em tudo, aceita quem quer. Facto, que eu já expressei noutra situação, nomeadadmente ENEE(Encontro Nacional de Estudantes de Enfermagem)sobre Tunas ou não. Apesar de o ENEE não ser praxístico, estamos a falar de tunas de Enfermagem, logo, valorizar o que é nosso!!!
A questão que se prende é que as organizações querem as "tunas" pk são baratas e tal... tipo: actua e cala-te.
2ª questão: quem tem, por ex., 30 mil euros para pagar Xutos e outras bandas, não arranja 5 mil euros para dar comes e bebes as Tunas, som apropriado e credenciais? É que quem trabalha não tem direito a nada e os amigos dos amigos... "Jasus"!!!
Ou será que se chegam aos Xutos e dizem, tens o cachet, cala-te e actua??? E sem desmérito/descrédito aos Xutos(exemplo mais a mão), mas trata-se de respeito, a quem pedimos/convidamos para actuar.
Ou seja, respeitar, ser respeitado e dar-se ao respeito. Quando estes não se conjugam, algum lado quebra... e com razão!!

 

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R T
responde a R T:

Li mais ou menos atentamente as vossas reflexões sobre o tema. Rapidamente:

O tema é pertinente, caso oposto não seria objecto de qualquer tipo de reflexão. Pacífico. A verdade é que, contudo, há tanta fome quanto vontade comer, vamos convir.

Sendo nós todos parte integrante das manifestações de carácter mais tradicional das Queimas/Semanas Académicas/similares, até por força da mera condição de estudantes, é por demais evidente que voltamos um pouco à situação que nos diz onde começa o nosso estatuto de tunos e termina o de mero estudante e vice-versa. A reclamação de direitos é, pois, inerente ao estatuto assumido. Mas...qual estatuto? O que NÓS assumimos ou aquele que outros nos querem "impingir"? Somos, numa actuação de Queima, o quê, afinal? Estudantes? Tunos? Músicos contratados? Gajos animados que são pagos com finos e sandochas mistas e tá feito? Não seremos, direi eu, nós, quem nos pomos a jeito para?

Também não será menos verdade que o status quo comercial - onde já não se percebe quem é quem, se se é da Federação XPTO ou vendedor comercial da Unicer... - existente nesta época do ano faz com que tudo e no limite, meramente tradicional, seja relegado para 2º plano. Olhem bem para os cartazes das várias Queimas e afins: Em destaque a banda de cada noite, depois o DJ de serviço e com sorte, no rodapé, o resto, seja lá o que seja esse resto. Money talk´s.

Onde se posicionam, então, as tunas nestes contextos e diferentes interesses cruzados? Sendo certo que cada caso é um caso, parece-me mais do que evidente que há, por um lado, quem se coloque a jeito; mas haverá também por outro quem seja "tolerado" porque é um tuna e não sei que mais e vai daí, atura-se e mete-se lá um P.A. com dois micros e pouco mais porque "não há verba para tais extravagâncias". Há, pois, de tudo.

Quer-me parecer -e salvo melhor opinião - que cada um, cada Academia, se deita na cama que faz. Se todos tivessem a coragem de fazer o que a Versus fez no Algarve, às tantas o assunto deixava de existir ou então, tornar-se-ia pertinente em alturas como esta, das duas uma. O que se vê é medidas avulso, uma espécie de safe-se quem puder, cada um por si e siga a marinha. O mesmo que aconteceu no Titanic após bater no icebergue. Nós somos a banda que toca para gaudio da 1ª classe abastada mas sabendo que também vamos ao fundo, que ninguém nos deita a mão ou indica bote salva-vidas sequer. Estamos lá para isso, para "animar" a "morte" dos ilustres Senhores da 1ª Classe deste imenso Titanic em que as Queimas se tornaram. Para nós, é bom de ver, que para os outros, desde que haja quem pague o bilhetezinho logo à noite - o estudante, curiosamente - "tass bem".

Não sei, meus caros. Farão como bem entenderem. Mas quem quer ser respeitado tem de se dar ao respeito, isso é certo. Daí em diante cada um que faça o que bem entender. Mas depois não se queixe.

 

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R T
responde a Gato Preto:

Brilhante, meu caro Gato, brilhante.

Aliás, ao ler o que sapientemente escreveste acima, lembrei-me daqueles tempos onde houve, aqui no Porto, duas comissões da Queima das Fitas. Nesses tempos, as motivações eram outras, como bem sabemos. Já a forma de ver a coisa no geral é capaz de ter muito a ver com a ressaca que pré-anuncias (e eu corroboro, não é nada que não diga faz tempo...). E aí, nessa ressaca, mais Guronsan menos KGB, veremos quem tem mais figado para seguir um dos dois caminhos óbvios neste cenário: a Queima tal qual ela deve ser ou então a actual "Queima Inc."

Isto de ser-se pioneiro tem sempre um lado preverso, o de se o ser também para o disparate, non sense e afins. Ora cá está aquel frutuoso diálogo que nos traz aqui, a este verdadeiro ponto de ruptura a prazo médio (é capaz de ser cedo ainda...) que, às tantas, nos "obriga" hoje já a pensar como é que ele será daqui a uns anitos. Eu até diria "toca a todos" bem bem sabemos que não, tocará 1º aos que 1º meteram a argolada monumental de "franchisar" a Queima. Certo certo é que a culpa, queira-se ou não, está na forma perfeitamente pacifica e estática como se calhar a tua e a minha geração permitiram este escalar elevado ao cubo do absurdo destes "Woodstok´s" onde até, pasme-se, os Super Dragões têm "diligentemente" a sua barraquinha. Pode ser que os tempos em que vivemos, nada dados a excessos a vários titulos, Bolonha e a pressa em ir atrás de emprego e afins, permita com que os vendilhões do templo começem a procurar outras formas de lucrar.

Veremos, sem futorologia mas veremos. Se atentarmos p.ex. à História da Academia do Porto e reportando-me aos anos 30 do Século XX, alguém escreveu em papiro qualquer do género então "já não se usa a Capa e a Batina, agora vê-se estudantes de Gabão: Não carece de Dandismo". Pois lá voltou a Capa e a Batina décadas mais tarde. Tudo corresponde a ciclos distintos. Às tantas testamos na ante-camera de mais um, apenas mais um.

Forte abraço!

 

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R T
responde a R T:

Nem de propósito (ou talvez não):

Castra Leuca e Estudantina de Castelo Branco emitiram um comunicado - ver no FB - informando que não irão estar presentes na Semana Académica de Castelo Branco. Adivinhem porquê.....

Abraços!

 

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Tiago Short - Copituna
responde a R T:

Ora vamos lá; como muitos, apenas posso falar do que se passa na Guarda e talvez da zona circundante, que é o que ainda vou conhecendo.

Começo com um pequeno esclarecimento: se a "Noite de Tunas", onde ainda existe, é um evento em que se paga entrada (e por vezes com bilhetes de preço bem avultado), é justo que quem faz o espectáculo ganhe alguma coisa com isso já que, como disse muitas vezes, as Tunas não são a Santa Casa da Misericórdia. E isso aplica-se a todo o Universo Tunante.

Agora, falando da Guarda.
A noite de Tunas é um dos eventos altos da Semana Académica e da Semana do Caloiro; ainda ontem estivemos lá a actuar e posso afinçar que estariam umas 2000 pessoas aos saltos a vibrar autenticamente com o espectáculo, pois pagaram para ver Tunas e não outra coisa qualquer (quem já cá esteve sabe que isto é verdade e este ano, como noutros anos, havia malta de outras Tunas presente que pode confirmar). Isto numa Academia com 4000 alunos é bastante significativo. Os estudantes da Guarda vão ao evento trajados, já que sendo também a noite da serenata (que é em frente à Sé Catedral e não no pavilhão dos concertos), é também por excelência a noite mais Académica de todos os festejos.
Por cá, as Tunas cobram, e muito bem penso eu, o bilhete geral da Semana para todos os elementos que participam no concerto, bem como bebidas e jantar no dia da actuação. A Associação Académica sabe, e nós também sabemos, que é a noite mais lucrativa de toda a semana pois, com custos minimizados e bilhetes a um valor ainda alto, é só dinheiro a entrar nos cofres, hehehehe.

Nunca a A.A. pôs em causa esse direito de quem toca; temos um som que mete inveja a muitos festivais, um palco ao nível que merecemos (pois é o mesmo para nós e qualquer outro grupo que cá venha), tratamento como deve ser, sem exageros nem mordomias.

A Guarda adere ao espectáculo em peso e nós agradecemos, pois sendo uma noite em que as Tunas são as "vedetas" da noite fazemos também um espectáculo que agrade ao púlico que paga para nos ver.

Já agora aproveito para dizer que a Serenata para a Escola de Enfermagem (evento que tem lugar duas vezes por ano e que, por obrigatoriedade de calendário escolar, tem de ser separada da nossa) é feita por nós, Copituna d'Oppidana, a pedido deles e com músicas também escolhidas por eles.

Honestamente gostava que fosse assim em todo o país...

PS - Aproveito para dizer que, por razões alheias à nossa vontade, a Copituna não pertence nem é um departamento da Associação Académica, bem como todas as outras tunas da cidade. Foi um passo necessário devido a terem usado as tunas como arma em lutas políticas.

 

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J.Pierre Silva
responde a Menina Kati:

Apenas contrapor uma coisa:

As Tunas precisam, e muito, da Queima. Pelo menos deveriam sentir essa necessidade, tendo em conta que não são assim tantas as ocasiões em que pode actuar para toda a sua academia.
Aliás, o momento mais alto de uma Tuna, para além do seu aniversário (muitas coincidente com o festival que organiza) é, precisamente, a Queima, porque do seu público se trata, da sua casa (aquela que merece prioridade, muitas vezes preterida ou secundarizada em relação a festivais e "papa-troféus").
Percebo o sentido de "não precisarem da Queima para nada, antes a Queima a precisar das tunas", mas não é tanto assim, ou não deveria ser tanto assim.
As Queimas aconteceram sem tunas durante décadas, e continuarão, haja ou não Tunas.
O que as organizações não podem é aproveitar-se disso para menorizar as Tunas, quando, actualmente (e de há uns quantos anos a esta parte), tanto lucram à sua custa.
Não fosse a Queima e muitas tunas nunca teriam tido a oportunidade de se lançaram, já que é por norma na Queima que se "oficializa" a apresentação de uma nova tuna, é facto, mas as Tunas não podem, também, por-se a jeito e "venderem-se" por 30 minutos de palco, uns bilhetes, umas bejecas e um jantarito.


Veja-se o caso de Viseu, que apresentas, cujo o cartaz da Queima omite a noite de Tunas, bem como a Serenata Monumental. Nem nome das tunas participantes ou do grupo de fados, que tocou na Serenata Monumental nem cortejo, benção das pastas, nada...... apenas os garrafais nomes dos grupos para concerto, DJs e afins. Mas isto não é apenas em Viseu, obviamente.

Está na hora das Tunas terem outra postura, como a Castra Leuca e EACB. Bater o pé quando são pura e simplesmente esquecidas no próprio cartaz - desde logo uns desrespeito e rebaixamento intolerável.
Também estava na hora dos organismos de Praxe bnaterem o pé, quando as organizações e federaçõeszecas lucram à custa da tradição, dizem promover a tradição estudantil, mas depois riscam do mapa qualquer referência aos actos, aos ritos, ao eventos que são precisamente o centro e a essência da Queima (algum cartaz referencia a imposição de insígnias, de onde provém, precisamente o nome "Queima das Fitas"?).
É uma vergonha, é lastimável. Mas pior ainda o facto dos próprios estudantes acharem tudo isso normal.
Enquanto tive responsabilidades nesse domínio, e alguma influência, tudo fiz para que a Queima não esquecesse d eonde provém, para que os cartazes ilustrassem em que consiste e referenciassem o cerne e razão dos festejos (objectivo umas vezes mais outra vezes menos conseguido ).

As nossas tunas têm sido tratadas como não merecem, embora também tenham permitido esse tratamento ao não saberem dizer "não".
Se as tunas se unissem numa tomada de posição comum, devidamente publicitada na sua academia, estou certo que a massa estudantil pediria contas e que tal obrigaria as respectivas associações estudantis e fazer pressão (já que as federações assentam o seu poder na associações de estudantes).
Em Viseu, há uns anos, pressionou-se a Federação Académica a criar um grupo dedicado especialmente a questões de praxe (reunindo os líderes máximos da praxe das diversas instituições), cabendo-lhe planear tudo quando dissesse respeito a eventos como o cortejo, a benção das pastas, serenata, noite de tunas...em articulação com esses vários sectores. Depois, tentava-se uma situação de compromisso com a Federação, já que uma coisa é planear e elaborar um caderno de sugestões e recomendações e outra é o ser exequível.

Falta organização e algum corporativismo na Praxe e nas Tunas.
Enquanto continuarmos como ilhas, cada qual por si, muitos aproveitarão essa divisão para reinar.
Nenhum organismo existe que reuna as tunas de uma mesma cidade, como plataforma de debate, aproximação e defesa comum. E enquanto isso continuar, pouca força terão as tunas, que não o poder individual de dizer "não".


 

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A P
responde a R T:

Sendo a Semana Académica um evento que requer uma organização de vários meses, é estranho, e pouco ético fazer-se um convite para se participar no evento, e ter-se apenas 48h para dar uma resposta, será que a todas as bandas/djs que convidaram também deram esse prazo? Não se compreende.

Também é pouco ético marcarem-se reuniões de importância apenas algumas horas antes, e APENAS por email, nem um simples telefonema. Uma tuna nem nenhuma associação, não têm de ter alguém 24 sobre 24h em frente ao computador. Parece que era mesmo para alguma tuna não poder comparecer.

Imporem um limite de 20 elementos, em que o resto teria de pagar bilhete, é surreal, um artista ter de pagar entrada para ir tocar? E não se pense que seria pela impossibilidade de dar mais benefícios a mais de 20 elementos, porque a única coisa que estes iriam receber eram 2 imperiais cada um, ridículo não? E mais, as 2 tunas propuseram abdicar da "enorme quantidade" de cerveja que iriam receber, em troca de poderem entrar todos os elementos, ao que não foi aceite, mas o que é que eles tinham a perder? A única coisa que se pode pensar disto é que é gozarem com as tunas da própria cidade.

 

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Joni
responde a R T:

Por aqui decidiu-se ser altura de dizer "basta!".

Somos respeitados pelos nossos colegas de academia e por esse país fora.

Organizamos eventos onde fazemos com que quem nos visita se sinta em casa, onde tentamos que não falte nada.

Não compreendemos porque somos desrespeitados por que se diz defensor e representante dos estudantes albicastrenses!

Abraço a todos

 

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R T
responde a Joni :

É sempre desagradável constatar à posteriori ter-se razão; é daquelas razões que, efectivamente, de pouco ou nada valem, essa é a verdade. Ao longo dos anos, aqui e em outros foros, sempre disse ser terrivelmente perigosa a promiscuidade existente entre interesses que são, por natura, antagónicos. Constata-se, hoje – à posteriori, claro – que a cada ano que passa, chegados a estas semanas tão, digamos, comerciais, fica clara a evidente promiscuidade que será misturar tunas com o resto, seja lá esse resto o que for e tenha a configuração que tiver.

Sei por experiência própria que essa promiscuidade será sempre uma mera questão de tempo até ocorrer; note-se que até, no relacionamento das tunas com outras entidades/interesses, pode suceder que a estação de partida seja do mais puro, legal e correcto entendimento entre as partes envolvidas, potenciando assim resultados satisfatórios para todos os envolvidos. Mas sei também que, mais cedo ou mais tarde, irá inevitavelmente cair-se nessa tal promiscuidade. Resta saber se por culpa das próprias tunas, se porque a outra parte envolvida se vale da boa fé, voluntarismo e disponibilidade da "malta" que anda nestas coisas. Certo é que apenas se trata de uma questão de tempo. Tudo corre bem até ao dia em que começa a correr mal. E é aqui que se a questão de fundo se coloca: que fazer para evitar que tudo corra mal? Que podem as tunas fazer para evitar esse cenário quase inevitável a prazo? Haverá, porventura, algumas pistas a deixar aqui:

- Cortar no excesso de voluntarismo: Esta coisa de tocar-se a troco de umas minies e umas coxas de frango define logo à partida que, mais tarde ou mais cedo, a coisa vai correr mal. A solidariedade que as tunas devem praticar é para com quem dela realmente necessita. Ora, não me consta que “Executiva” alguma – seja de que Queima seja – necessite de solidariedade, muito menos da nossa parte. Eles estão a negociar, tudo e mais alguma coisa. Assim sendo, porque carga de água é que temos de ser “solidários” neste contexto?

- Lidar de igual para igual: Qualquer tentativa de rebaixamento, intromissão no foro interno da tuna ou quejando deve ser evitada logo à partida sem qualquer piedade ou cedência da nossa parte. Querem uma tuna na Queima/Semana Académica/similar a tocar? Pois que a contratem como fazem com os Xutos, Dj Vibe ou Quim Barreiros, negociando cachet, condições técnicas e afins. Se assim for logo a abrir, muito tempo se poupa, até, já não falando da mais que natural posição contratual, i.é., há um contratante e um contratado e não o que se vê, ou seja, há um contratante que não contrata coisa alguma (paga em géneros e de parlapié, hoje é assim mas amanhã já é assado) e há uma tuna que é tudo menos contratada, é antes e sim, explorada fortemente. Pior, porque se deixa explorar.

- Ter a real noção do que somos: Pior do que uma organização de Queima/Semana Académica querer usar e abusar da boa vontade de uma qualquer Tuna será esta assumir à partida uma posição menor em todo o processo. Parece-me fortemente pernicioso para a tuna estar a “discutir” se são 20 senhas ou 30 senhas de cerveja quando as Organizações destes eventos altamente lucrativos se estão nas tintas para questões de tão pequenez ordem no total do bolo, pois lidam com milhares e milhares de euros todos os dias. Não defendo, porem, que uma tuna assuma com esta realidade uma posição que não detém, apenas que assuma a sua real noção daquilo que realmente é. Se for paga com finos e assim quiser, seja (eu nunca iria por aí mas pronto…). Mas que meta no papel então isso mesmo. Quem contrata e paga exige, quem é contratado e recebe cumpre. Com quê? Com o acordado entre as partes, de forma clara e indiscutível.

Parece-me que não andará muito longe disto a nossa respeitabilidade nestes contextos. Bem sei que em tempos as coisas não eram assim; hoje, devem ser assim, não porque queiramos que sejam mas porque não nos deixam - estes mega-negócios - outra alternativa. Trata-se, tão só, de tocar a música consoante a partitura.

Abraços!



 

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