Portugaltunas - Tunas de Portugal

R T

Tuna/Estudantina: Questão de 1 X 2 ? Dogma, Processo dialéctico de Marx (Tese x Antítese = Síntese) ou simples Constatação de Facto?

Caros Leitores;
Amigo Paulão em especial:

Deixando sempre em aberto todas as possibilidades - partiremos, por ora, desde princípio genérico - fica aqui aberta a "sessão plenária" sobre o tema, então. Tratar-se-á de uma Dogma, de um mero processo dialéctico ou então de uma simples constatação de facto?

To be continued....

Abraços

 

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O Conquistador
responde a R T:

Aviso: este post surge em resposta ao último do utilizador "Gato Preto" no tópico sobre o Concerto de Apresentação da Estudantina Feminina de Coimbra.

Caro Gato:

Pelo que me pareceu do teu discurso, houve um tempo em que a EUC não foi (ou não se considerava) uma tuna. Também não sei o que foi - e provavelmente não interessa.

Não discuti, não discuto nem discutirei nunca os motivos que estão por trás da opção da EUC pela palavra "estudantina". Esses motivos são SAGRADOS. Ainda que possam ter partido de premissas erradas, continuam a ser SAGRADOS.

Acontece que são igualmente irrelevantes para o debate sobre se uma tuna e uma estudantina são, em abstracto, coisas diferentes.

Eu afirmo que a Tuna Universitária do Porto é (e sempre foi) uma estudantina e que a Estudantina Universitária de Coimbra é uma tuna (muito embora possa não o ter sido, ou não se ter considerado como tal, nos seus inícios).

A minha palavra não basta - nem pode bastar. Convido, por conseguinte, os meus amigos a terem um de dois trabalhos (ou ambos):

- consultar o Diário de Notícias de 1888 até 1910 (basta esta janela temporal, para não maçar muito);
- a consultar a hemeroteca virtual do «Museo Internacional del Estudiante», nomeadamente os inúmeros artigos de imprensa (El Lábaro, El Imparcial, por exemplo) que referem as visitas dos grupos espanhóis a Portugal e dos portugueses a Espanha.

Este segundo é mais rápido - e mais barato.

Se depois disto continuarem a achar que uma estudantina e uma tuna são ou alguma vez foram coisas diferentes, agradecia que me dissessem em quê e me colocassem o link para a(s) página(s) que permite(m) chegar a essa conclusão.

Não acreditem na minha palavra nem se deixem intimidar pelo tom de desafio e muito menos pelo meu tom de quem tem a certeza de que vai ganhar uma aposta. Não é nada disso: é um pedido feito sem falsa humildade. Deixem-se de "Magister dixit": não sou "magister" nem "dixi". Adoraria que todos lá fossem e se dessem ao prazer (não ao trabalho) de ler tanta e tanta coisa importante que lá está à disposição de toda a comunidade, graças à generosidade do director daquele Museu virtual: Roberto Martínez del Rio, que já vai merecendo uma homenagem e a gratidão de toda a comunidade tuneril.

Se "duas cabeças pensam melhor do que uma", 400 olhos lêem mais coisas e detectam mais pormenores do que 8.

Mostrem-me em que estou errado. Só agradeço. E a comunidade estudantina nacional também.

Abraço e

BOA MÚSICA!

 

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R T
responde a O Conquistador:

Ilustres:

Alguns considerandos que me parecem pertinentes.

Parece-me - salvo melhor opinião - que haverá aqui um equívoco que urge desmontar: Uma coisa será dizer-se que Tuna é a mesmíssima coisa que Estudantina, outra será dizer-se qualquer coisa como "quando se formou não era de facto uma tuna" (citei).

Ou seja, há uma real e clara diferença entre o que as coisas são de facto e aquilo que nós poderemos achar, por esta ou aquela razão, seja ela a mais pertinente que, porventura, possa ser. Está este fenómeno cultural pejado de exemplos disso mesmo, nada de novo até. Fica ao critério de cada um fazer essa análise, bem como recolher da mesma as suas consequências futuras.

Contudo, remeto-me para a questão inicial e só para esta: Tuna e Estudantina são rigorosamente a mesma coisa. Desde logo, a demonstração cabal da mesma constatação de facto está por semanas, isto porque -e pelo menos eu - não considero que a minha palavra bastará per si tratando-se de matérias ditas "sensíveis" mesmo que eu próprio não as considere assim: É necessário algo mais. E esse algo mais está a semanas de ver a luz do dia, o que significa que durante todo este tempo de investigação, muita coisa naturalmente foi colocada em causa, tratada e analisada devidamente, fruto de árduo e moroso trabalho de pesquisa. Material esse que resultou numa construção que será dada à estampa; entretanto, o tempo foi passando e em muitos casos, muita coisa continuou a ser tida - como sempre foi - como mito, dogma, verdades redondas e por aí adiante.

Fomos vendo, calados em muitos casos - noutros já não - muito do que acabo de dizer. O problema é que, mesmo dizendo aqui e ali que "olhe que não, Sr. Dr.,olhe que não" (citando um famoso debate no pós 25 de Abril...) não pudemos dizer tudo o que descobrimos, que sabemos hoje, sobre várias matérias que se reportam a este fascinante mundo. Porquê? Porque assim o livro deixaria de fazer sentido, perdendo com isso a sua praticabilidade efectiva; ao invés de dizer as coisas "às prestações", optamos por condensar em cerca de 550 páginas tudo o que, realmente, nos parece relevante sobre a tuna em geral. Se Vºs Exªs soubessem as vezes que resistimos à tentação de responder a muitos disparates que continuam a ser propagados ao longo destes 25 anos mais coisa menos coisa...

Optamos por algo mais profundo e com carácter mais hereditário para o adevir; esperamos antes e sim que as pessoas olhem para o livro enquanto tal, enquanto investigação séria, documentada e isenta de tudo aquilo que não merece ser tratado sequer em nota de rodapé: inveja comezinha, procura de primazias e por aí fora; preferimos deixar a montra ser arranjada pelos vitrinistas de ocasião e resolvemos fazer algo que antes ninguém fez, tratar do Armazém com o máximo de profissionalismo possível. Sabemos os riscos que corremos com tal audácia; mais uma razão para termos sido sérios no trabalho de investigação que fizemos.

O que aguardamos, sim, é que alguém, depois, lá para 2020, venha dizer que "aquela que dissemos no livro está mal porque A + B = C ao cubo, conforme comprova a investigação que entretanto foi feita e que os autores do livro XPTO datado de 2011 "ignoraram/enganaram-se/enganaram-nos/esqueceram-se/fizeram de conta que se esqueceram" e por aí fora, será escolher. Ou seja, que alguém nos prove que o que fizemos está mal feito/errado/deturpado/etc e cá estaremos para dar a mão à palmatória. Repito, desde que prove.

Dito isto, e porque não podemos dizer mais por ora, sob pena de estarmos a fornecer os tais fascículos:


O termo Estudantina e Tuna são a mesma coisa. Afirmar que são coisas diferentes é indefensável. Foram usados em tempos distintos, com funções distintas e por pessoas que nada tiveram a ver com o meio universitário ou estudantil. O próprio termo Tuna é, em algumas regiões portuguesas, algo depreciativo como saberão. O termo Estudantina foi usado para designar agrupamentos que nem sequer eram compostos por estudantes. Aliás, mais adianto, era e foi usado em países como Alemanha ou Grécia para designar a "estudantada" em geral, ou seja, nem sequer se reportava a qualquer agrupamento musical fosse de que género fosse. Na transição do Século XIX para o de XX encontram-se mais estudantinas civis p.ex. na América Central e Sul do que tunas hoje em Portugal; há constância de forma provada de estudantinas de bairro, de Carnaval (as mais importantes, o livro explicará porquê), de agremiações populares, de Señoritas (e lá cai mais um mito....), de bancários, caixeiros e pasme-se até, de...presidiários. Foi precisamente por causa desta generalização que a estudantina dos estudantes, querendo-se diferenciar das outras estudantinas civis, resgatou de tempos anteriores a palavra tuna para designar e referenciar claramente o que eram as estudantinas de estudantes das outras. Ou seja, Estudantina é = a tuna estudantil; assim, no seio meramente estudantil Tuna é = a Estudantina.

O erro da esmagadora maioria das pessoas nos últimos 25 anos em Portugal é acharem que estudantinas/tunas são um exclusivo do meio estudantil. Errado. E é precisamente por esse erro que todo o resto acontece. De errado, como é evidente. Um erro com 25 anos não pode sobrepôr-se a uma verdade com mais de 100; 1º) porque é um erro, 2º) porque a verdade até é bem anterior. Seja porque motivação seja, não pode. Até prova em oposto, não pode.

Poderia dizer muito mais mas lá está, os fascículos em véspera de lançamento de livro tornam tudo mais complicado; afinal, é o que tem vindo a ocorrer desde que se começou a tratar desta empreitada. O que vale é que depois do livro aberto, a corrente vai-se finalmente libertar e as águas sairão da barragem com muito mais força, impacto e espera-se, para pôr e repôr muita coisa no seu sitio. Contraditório? Venha ele. Mas de facto. Opinativo? Sim, mas não passa disso mesmo. Gostos? Cada um terá o seu, despiciente. Mas no nosso seio estudantil universitário, posso-vos - e não só eu - garantir que Tuna é a mesmíssima coisa que Estudantina. Mesmo até na Abadia de Umberto Eco...

Abraços & Beijos!

 

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Gato Preto
responde a R T:

Ui, ui...onde é que a coisa já vai...

"Parece-me - salvo melhor opinião - que haverá aqui um equívoco que urge desmontar: Uma coisa será dizer-se que Tuna é a mesmíssima coisa que Estudantina, outra será dizer-se qualquer coisa como "quando se formou não era de facto uma tuna" (citei)." diz o R.T..

Não meu caro e querido amigo, não é equívoco nem urge desmontar.
Parece que o que se pretende discutir é apenas a forma e não o conteúdo.
A passagem por mim proferida e que citas, não é nenhum sufisma. Apenas constitui um testemunho presencial das motivações de então.

Um grupo chamado Estudantina Universitária de Coimbra, não é uma Estudantina só porque assim se denomina.
Nem me dou ao trabalho de explicar porquê, já que me parece pacífico que uma mesquita é diferente de uma sinagoga embora sirvam as duas para orar.

Como afirmo e demonstro no tópico anterior, as questões terminológicas não determinam géneros e podem ser adoptadas ao arrepio do significado intímo dos temos utilizados.

Se me explicarem qual a diferença entre a EUC e a Orxestra Pitagórica no ano de 1985 ficaria grato.
Elementos comuns, instrumentos comuns, sonoridade idêntica...um "zumba na caneca" estará tão longe de um "ora vejam lá"?

Seria o facto de usarem vestimentas e adereços diferentes? Só pode. Bem, se sim, também teríamos de isolar da EUC, a Tuna Universitária do Minho, e todas as outras que inventaram o respectivo traje.

Mas porque será que para nós é axiomático quando não consideramos a O.Pitagórica Tuna/Estudantina?
Se repararmos com atenção, a própria TUP interpretava "Cielito Lindo" com adaptação de letra. Também a O.Pitagórica o fazia no mesmíssimo tema. Somemos uma quantidade apreciável de participações em Certames, Serenatas nocturnas e...

Estou em crer que na vossa fantástica viagem histórica se depararam com tantos espaços diferentes onde todos os grupos atrás referidos se enquadram ombreando géneros distintos dentro do mesmo paradigma.

Será incorrecto dizer que a Orxestra Pitagórica é uma Tuna? Só o é para Tunos. E talvez não para todos.

Voltando a 1985. Se a EUC era uma Tuna, então também o Conjunto António Mafra tem o direito de reclamar idêntico estatuto. O repertório era decalcado, a instrumentalidade também. A EUC usava e exibia-se de Capa e Batina, e aqui residia a única diferença, a qual como disseste antes não é de longe nem de perto motivo de exclusão paradigmática.

Isto são factos, como tal passíveis de ser glosados em qualquer sentido à boa maneira do camarada Jerónimo.
Se o leite é meio gordo porque será incorrecto dizer que é meio magro? Porque desde sempre assim foi denominado. Aliás está plasmado na folha da União das Associações Cooperativas Leiteiras, de 1 de Setembro de 1879...pois até pode estar, mas para mim não chega.
E porque não?
Porque numa das associações que compõem a cooperativa o leite era meio magro. Estive lá e sei.

Voltemos ao "quando se formou não era de facto uma tuna".

Nunca se discutiu aqui a prova histórica. O que se discute são conteúdos, não as formas.
Depois do que reportei acima poderíamos conceder que Pitagórica, à luz dos preceitos que desenham historicamente a Tuna, poderia ser perfeitamente considerada como tal. Mas não é. Pelo menos para mim. Se o foi, já não o é. E provavelmente não terá sido a única a afastar-se do paradigma que define Tuna.

De igual modo a EUC não o era e agora é.
Por mais que uns quantos se cocem a EUC é um dos mais acabados exemplos do que é uma Tuna.

E se me disserem que a actual corrente socioidiológica, a mentalidade, a postura, a opção artística é o resultado de uma evolução de tudo o que presidiu à sua formação, não posso aceitar.

Se o entenderem como uma revolução então falamos.
O resultado revolutivo foi o de se constituir como Tuna, depois de muitos anos de grandes indecisões e titubeantes posturas. E é caso raro. Todas os outros grupos do género deram o passo e assumiram para o que tinha sido o seu próprio desígnio.

E porque isto apenas se terá passado na EUC?
Simplesmente, porque não nasceu como Tuna nem como Estudantina.

O critério é alargado, enquanto cada um de nós for Juiz assim será. Neste nosso mundo as verdades nunca serão axiomáticas mas sim epistemológicas.

O Capacete refere no tópico anterior a preocupação que teve em se documentar presencial e pessoalmente junto de fundadores da SF e da própria EUC.
Sabemos que estes testemunhos transportam riscos de inexactidão e carecem muitas vezes de contraditório. No entanto não deixam de ser essenciais para o repositório.
A importância de testemunhos vivos é atestada documentalmente por historiadores de craveira, os quais reconhecem que a dificuldade acrescida na triagem dos depoimentos, confere factores humanos que tornam o estudo muito mais completo.

Quando se refere o dogma no paradigma é dizer que nos aproximamos perigosamente da indiscutibilidade. A matemática a comandar a história. Fazê-lo deu mau resultado, sabemos.

A dialéctica estéctica/ética praticada foi uma das grandes inovações do ensino da Filosofia nos Liceus do pós 25 de Abril. Pena é que rapidamente se tenha abandonado a demanda, e de repente passou a ser mais importante o "Calculus" de M.Spivak ou o inenarrável B.S.C.S.. Já nem falo do laxativo uso da máq. de calcular.

A resposta a este tópico está e estará sempre no conteúdo, porque se não estiver certo espero igualmente por um recorte do jornal de Castanheira de Pêra ou de Mira.
Se não teremos que voltar à Abadia do Umberto Eco...onde a opinião não mora.

Abraços TUNOESTUDANTINOS do vosso amigo GATO^PRETO!
Isto está a precisar de copo e bucha...

p.s.- quando se opta por navegar neste Forum com um nick pode não se estar a preservar nada. Mas à cautela...agradecido.

 

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Gato Preto
responde a Gato Preto:

Faltou isto:

Quando digo que a EUC quando se formou não era uma Tuna, não pretendo dizer que não era uma Tuna porque era uma Estudantina.

Só agora reparei que terá sido entendido assim.

Nem me passou pela cabeça esclarecer tal coisa, já que vos tenho como penhores da minha coerência e reconhecedores deste pequeno intelecto.

Abraços

 

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O Conquistador
responde a Gato Preto:

«Quando digo que a EUC quando se formou não era uma Tuna, não pretendo dizer que não era uma Tuna porque era uma Estudantina.»

Era o que eu queria ouvir. Da minha parte, nunca foi outro o ponto de discussão.

Abraço e

BOA MÚSICA!

 

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R T
responde a O Conquistador:

«Quando digo que a EUC quando se formou não era uma Tuna, não pretendo dizer que não era uma Tuna porque era uma Estudantina.» (cito).


E foi apenas sobre esta questão que me pronunciei, caro Gato, aliás, como disse na minha última exposição não entro nem quero entrar em outras questões, como bem claro deixei acima e por várias vezes.

O que está aqui em causa, para mim, é apenas UMA e só uma questão: Se é Estudantina é Tuna e vice-versa. Como disse antes, não digo isto porque me apetece, digo-o porque está mais do que provado que assim é (e remeto para o "calhamaço" que aí vem). O resto não foi caminho que tivesse trilhado nesta amena conversa em família; cada um sabe de si e das suas opções retirará, mais tarde ou mais cedo, as devidas consequências, sejam elas boas ou más.

Concluí-se: Dizer-se que "é-se tuno, não estudantino" ou dizer-se "que se é estudantino, não tuno" é uma "bacorada" monumental, para falar de forma mais corriqueira. Em Stricto Sensu, Estudantina é a mesma coisa que Tuna e vice-versa. Irrefutável.

Abraços & beijos

 

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O Conquistador
responde a Gato Preto:

Gato amigo:

sobre um grupo de rock que se auto-intitulou "tuna" - ou sobre uma tuna que de excepção em excepção e de novidade em novidade ou de inovação em inovação se transformou em grupo de rock:

anos80.no.sapo.pt/ctt.htm

Conjunto típico / orquestra típica = tuna + cordofones regionais + percussões regionais... fica a tradução.

A Orxestra Pitagórica não pode ser considerada uma tuna pela exacta mesma razão que os "Globetrotters" não podem ser considerados uma equipa de basquete. Possivelmente, qualquer dos seus elementos é tecnicamente melhor que o Michael Jordan, mas não são nem podem ser considerados uma equipa de basquete...

Em segundo lugar, porque fazem parte de uma tradição académica diferente - exclusivamente portuguesa, sim, mas diferente: a das orquestras parodísticas, como a Orkestra Mephistophélika Katastrophika do Porto (sécs. xix-xx), que sobreviveu no OUP como "Orquestra da Tanga", cujos elementos se travestiam, mantendo as barbas e os bigodes, e usavam toda a casta de instrumentos burlescos, desde autoclismos a portas de carros roubadas em ferros-velhos, passando por toda uma casta de instrumentos dignos da imaginação apocalíptica de Hyeronimus Bosch. As récitas de fim de curso de Coimbra incluíam muitas vezes uma "orquestra infernal" (ou designação luciferina equivalente, remetendo para a chinfrineira), que acompanhava o hino do curso. Parodiam o traje, parodiam os instrumentos, parodiam a letra das músicas, parodiam a própria designação - "Orchestra" (grafia antiga de "orquestra") substituindo o "ch" por "x"...

Uma "paródia de X" não é "X". A verdade é que Hugh Laurie é frequentemente abordado na rua com pessoas que acham que ele lhes pode salvar a vida. O Dr. House é apenas uma paródia. Deus me livre de o actor abrir um dia um consultório...

Assim soubessem as «bandas do c...lho" que por aí andam ter a coerência da Orxestra.

No meio académico cabe de tudo e tudo é bem-vindo - desde «bandas do c...lho», a orquestras latinas, a quintetos de jazz - e, já agora, tunas também. Importa é que cada um saiba de onde vem e ao que vai.

Mas isto de ir aos canhenhos é para os burros... os espertos ficam a olhar a neve a cair na noite das Beiras ou lançam os olhos sonhadoramente para as margens do Loch Ness, desafogada a alma porque libertos da tirania dos sapatos.

Abraço, Gato amigo e

BOA MÚSICA!

 

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R T
responde a Gato Preto:

Já agora, amigo Gato^Preto, só por curiosidade, saberás dizer-me, certamente, qual foi a 1ª tuna coimbrã, nos anos 80, a estar presente num certame de tunas em Espanha?

Abraços!

 

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Gato Preto
responde a R T:

Caro Ricardo,

Não sei os motivos que fizeram desaparecer uma pergunta a mim endereçada à cerca da 1ª Tuna Coimbrã a participar num Festival de Tunas em Espanha.

Não encontrando a pergunta, não vou deixar de responder.

A 1ª Tuna foi a TUNA ACADÉMICA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA.
Segundo creio, em Março de 1984 em Santiago de Compostela.







 

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J.Pierre Silva
responde a R T:

Com efeito.

Nesta questão das concepções e dos conceitos (não assumir num 1º momento por falta, ainda de uma maturação do projecto, o ideário interno que dita um modo de ser e estar que se acha díspar dos demais grupos, et.), parece-me haver contudo algo a merecer atenção.

o Historial publicado pela EUC contradiz um pouco algumas coisas avançadas, quer sejam os actuais documentos que passarei a citar, quer os historiais que constavam de inúmeros livros de certames (de que tenho exemplares) datados dos anos 90 (e cuja informação era enviada pelas tunas participantes), dizendo basicamente o mesmo:

Corria o ano de 1984 quando a 15 iluminados, entre copos e pevides, ocorreu a lembradura de recuperar o espírito da “velha” Estudantina Académica de Coimbra no seio da Secção de Fado.
Foi assim, que uns tempos antes do que viria a ser um grande sucesso no Sarau da Queima das Fitas de 1985, subiu ao palco pela primeira vez, em terras de Póvoa do Lanhoso a Estudantina Universitária de Coimbra da Secção de Fado da A.A.C., o primeiro grupo do género a ressurgir em Portugal. (In Site da Secção de Fado da AAC, seccaodefado.net/home.php?module=gruposhistoria&id=1, bem como no Facebook, www.facebook.com/pages/Estudantina-Universit%C3%A1ria-de-Coimbra/373345285015?ref=ts#!/profile.php?id=100000527972559).

Ora, saltam á vista algumas "curiosidades":

1º - "recuperar o espírito da "velha" estudantina".
Assim sendo, se era recuperar esse espírito, era recuperar o conceito de tuna existente, através de concertos de índole vária, nomeadamente beneficiente.

2º - "o primeiro movimento do género a ressurgir em Portugal".
A falar-se em ressurgir, fala-se em Tunas, porque é disso que se trata.

Oviamente que escuso aqui relembrar alguma celeuma que existiu entre TAUC e EUC, quando os primeiros não acharam graça àquilo qu elhes pareceu um usurpação, pois eles é que eram os depositários e descendentes directos da antiga Estudantina.

Por outro lado, se na EUC há quem defenda a dita distinção, não se percebe a inclusão da foto da Estudantina de 1888 numa das capas dos seus discos (que motivou desagrado por bandas da TAUC).

A "velha" estudantina era uma Tuna, tanto apelidada de estudantina, como tuna escolar, como Tuna-estudantina. Aliás, muitos anos depois de ter mudaod o seu nome para TAUC (ou melhor: se ter fundado a TAUC a partir da cisão ocorrida na antiga Estudantina) a TAUC continuou a ser apelidada de Estudantina.

Não sabendo se tal facto é verdade, não deixa de ser facto que se diz/dizia (eu assim o ouvi) que a EUC só não escolhera o termo Tuna por já existir a TAUC. Se isso é verdade ou não, não sei;porventura é mito, mas ica este informe.

A questão, aqui, não é se uma Estudantina é Tuna e vice-versa. Cabalmente se sabe serem sinónimos.
A questão parece-me mais numa concepção intra muros, a de que o modus vivendi interno instiga aos seus membros a ideia (legítima) de se acharem diferentes, de terem uma praxis e vivência inigualável e pouco/nada parecida com a de outros grupos similares.
É uma "impressão" totalmente legítima, como o é essa afirmação feita por outra qualquer tuna.

O facto da EUC, seja com base em pressupostos polvilhados de alguns equívocos, seja por outro qualquer factor, apresentou-se numa formato, numa tipologia que, pardoxalmente, nada tinha a ver, sequer, com o tal reavivar do espírito da velha estudantina, pois a matriz então adoptada era baseada na música popular (enquanto que a Estudantina de 1888 não, antes pelo contrário) - e daí decorrendo a enorme falácia de se associar Tuna como expressão privilegiada da música popular no seio estudantil.

Aliás, dada a enorme fama que a EUC gozou, e a ter inspirado N formações tunantes (que a tiveram por modelo) é que esse mito da música popular se difundiu e generalizou.

Que alguns dos fundadores da EUC, num 1º momento, andassem numa espécie de "terra de ninguém", a desbravar caminho sem ainda grandes certezas identificativas, até concedo, mas cedo os seus historiais omitiram tal (fosse por romantismo ou o que fosse).

Quanto ao resto, é seguir as sugestões já dadas: mergulhar nos arquivos, hemerotecas e verificar por si.
Quem o não quiser/puder fazer, em breve poderá ler comodamente o fruto de alguns que o fazem há já 5 anos.

Forte abraço!!!!

 

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R T
responde a Gato Preto:

Caro Gato^Preto, está a pergunta acima, apenas mudou de sequência.

Acertaste efectivamente na protagonista. Mas não foi em 1984 a 1ª participação nem em Santiago: Foi em 1982 e em Sevilha.

Abraços!

 

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Gato Preto
responde a R T:

Amigo R.T.,

Devo confessar o "crash" da minha net durante o fim de semana. Este site ia e vinha ao ritmo do copo...Irra!

Em relação ao Quiz no qual, pelos vistos, acarias a formação tunante de cada qual cumpre informar que a TAUC até pode ter ido tocar à "bodega del tio Paco" em 1143 com um tal Afonso Vimaranense lá para as bandas de Ortega del Mar, que para o tópico que criaste é igual ao litro.

Quanto ao mais, sabes que cá estarei para ajudar a esclarecer qualquer dúvida que te acometa. Nunca deixei de o fazer.

Para responder a coisas que já sabes, terás que escolher caloiros da tua Tuna.

Grande Abraço.





 

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Gato Preto
responde a J.Pierre Silva:

Caro Jean-Pierre,

Antes de mais um grande abraço.

Depois dizer-te que deverás ter um qualquer dom de omnipresença. Mas como não papo esse grupo, devo ter que reconhecer que a tua capacidade analítica é rara.

E nada como um certo distanciamento face ao facto, para com alguma deferência escarrapachar a história. E, como aprecio, com conhecimento de causa. Ouvindo os intervenientes, pesquisando as ocorrências, e, basicamente, traduzir de uma forma ponderada a correlação dado/acontecimento.

Muito bem, meu caro. Como eu não consegui, explanaste e reduziste com mestria um assunto que sei que te apaixona e sobre o qual muita gente faz tabu, a uma mera comunicação àcerca daquela que foi a grande aventura dos tais 15 iluminados "entre copos e pevides".

Arrecado este teu singelo contributo, já que somas facto a intenção. A história fica muito mais rica quando se junta a edificação ao porquê.

Disseste tudo, amigo.

 

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R T
responde a Gato Preto:

Caro Gato^Preto:

De todo te deves sentir melindrado com a minha questão. Apenas a fiz porque - ao contrário do que dizes - não é para a questão "igual ao litro". E fi-la a ti por deferência que te tenho; se alguém defende Coimbra de forma digna e elevada esse alguém és tu.

Abraço e mais uma vez, não te sintas melindrado!

 

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R T
responde a R T:

Que fique bem claro: Estou a tertuliar aqui, contigo, só e apenas quanto à questão que abre o tópico; quanto a todo o restante não me pronuncio porque 1º) já o fiz contigo várias vezes em particular e não me repetirei sequer, 2º) o tópico não é sobre esse tema, é sobre a questão Tuna=Estudantina e vice-versa.


Forte abraço!

 

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J.Pierre Silva
responde a Gato Preto:

Grande amigo,

O fica a faltar, daqui em diante, é o urdir de algo dentro da lógica da "História da Vida Privada" (tipo de trabalho que também, finalmente, chegou a Portugal pela mão do José Matoso), indo para além dos dados históricos e documentais e mergulhando na recolha de testemunhos directos dos protagonistas, das suas experiências, do que pensavam, de como viviam e relacionavam........

É que uma coisa é a análise documental, outra é a parte social e interna, onde centenas ou milhares de episodios são riquíssimos para conhecer a Tuna por dentro, perceber o que seus protagonsitas (nomeadamente os pioneiros) sentiam, concebiam e exerciam o negro mester.

Á história oficial, ficam a faltar a estórias (aqueles episódios caricatos e inolvidáveis da praxis e funcionamento interno do quotidiano da Tuna) e que são aquilo que, usualmente, mais recordações e marcas deixa nos tunos; aquilo que mais conversas promove entre os mesmos..........o que fica para a vida.

Forte abraço!

 

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R T
responde a J.Pierre Silva:

"Á história oficial, ficam a faltar a estórias (aqueles episódios caricatos e inolvidáveis da praxis e funcionamento interno do quotidiano da Tuna) e que são aquilo que, usualmente, mais recordações e marcas deixa nos tunos; aquilo que mais conversas promove entre os mesmos..........o que fica para a vida." (fim de citação)

Universal. Geral e abstracto. Serve para todas as Tunas/Estudantinas, naturalmente. Nem é disso que se está aqui a tratar, seguramente.

Não resisto, porém, a contar um pequeno "chiste" que me veio agora à memória:

Numa aula de biologia um aluno cortou as patas a uma rã e a seguir instou a rã a saltar. O professor questionou outros 2 distintos alunos sobre a conclusão a retirar pela amputação da patas do animal e subsequente apelo ao salto da mesma. O 1º aluno concluiu que a rã sem patas não salta; o 2º aluno concluiu que a rã sem patas não ouve. Numa coisa estavam, porem, de acordo: a rã era mesmo, de facto, rã, condição que não se alterou pela amputação das patas....

Abraços!


 

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André Pereira
responde a R T:

Queres então dizer que há por aí muita coisa que nem é Tuna, nem é Estudantina ...? Que até nem sequer foi girino antes de se auto-intitular Rã?

 

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R T
responde a André Pereira:

Caro André, vá, take it easy senão vou ler mais um fasciculo....Em Bragança a gente vai falar uns com os outros....:))))

Abraços!

 

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André Pereira
responde a R T:

Hummm... com esse secretismo todo já pareces o Octávio Machado... naquela toada do "Vocês sabem do que é que eu estou a falar..." ehehehehe ;)

Abraço amigo!

 

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R T
responde a André Pereira:

Naaaaaaaaa, de todo.....!!!!!!!!!!

Sabes que até se provar estas coisas, toda esta conversa pode ser - e citando outro treinador chamado Jaime Pacheco - uma "faca de dois legumes"....é melhor a coisa ficar por ora - e citando outro mister, Jorge Jesus - "no forno interno"....

Abraços!

 

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EUC_Capacete
responde a R T:

Mas, caro RT, será que não chutamos todos sempre com o pé que está mais à mão? E quantas vezes não nos apanhámos à beira de um precipício e demos o passo em frente?

Abraços ;)

 

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R T
responde a O Conquistador:

Padrinho, não digas mais nada senão às tantas ainda vem aí o gajo que ficou com a telha, outra vez......:))))

 

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R T
responde a André Pereira:

Bom dia a todos!

O meu bom amigo Yacaré disse acima e cito-o "Hummm... com esse secretismo todo já pareces o Octávio Machado... naquela toada do "Vocês sabem do que é que eu estou a falar..." ehehehehe ;)" (fim de citação).


Por acaso, ditou este comentário a seguinte reflexão que vos deixo...

Secretismo. Ora cá está algo que não se aplica ao tema - e todos os outros que sobre nós falam e abordam - em questão; muitas vezes faz-se uma tremenda confusão entre deter informação, retendo-a (com algum intuito) e a sistematização da mesma informação.

Qualquer estudo sobre um fenómeno social com as características do nosso - tuneril, no caso - é também uma sistematização da informação que existe, está patente, à tona se encontra: logo, concluí-se que de secreto nada há. Confunde-se secretismo, pois, a sistematização da mesma informação/história que e no caso português, até á data, não existe.

Está tudo à Vª disposição, bastará procurarem, quererem e saberem procurar, harmonizando a informação, tratando-a e com ela, juntando as peças, concluírem seja o que for. Logo, de secreto aqui nada há.

Abraços!


 

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