Portugaltunas - Tunas de Portugal

R T

"O que seriam a maioria das tunas de hoje sem os festivais? / Quantas Tunas existiam hoje se não houvesse festivais?"

Sugestão do amigo Macieira, num outro tópico, que agora resgato. O Gato^Preto comprometeu-se a comentar em tópico próprio. A mim também me parece uma pergunta extremamente interessante e para respostas ainda mais interessantes, espera-se.

"O que seriam a maioria das tunas de hoje sem os festivais? / Quantas Tunas existiam hoje se não houvesse festivais?"

Estão, pois, abertas as "hostilidades".....

 

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J.Pierre Silva
responde a R T:

A resposta é por demais óbvia, estimado amigo: se não fosse a lógica festivaleira, mais de metade das tunas, seguramente, deixaria de existir e a largar maioria das que se fundaram nos últimos 10/15 anos nunca teriam visto a luz do dia!
A esmagadora maioria das tunas existentes nascem num contexto que jhá era competitivo, um "must" fundamental, também (não o podemos esquecer), para a melhoria da qualidade musical (embora seja de perguntar se não teria sido mais genuino e natural que essa qualidade surgisse por imperativo interno e não movida por lógicas meramente competitivas).

Basta ver o calendário anual das nossas tunas e perceber que, em grande parte delas(senão mesmo todas) os festivais ocupam, seguramente, 90% da sua actividade e que um conjunto importante de outras (nomeadamente festas de aldeia e quejandos, em que a tuna é remunarada), com especial incidência no verão, servem para custear as despesas dos certames do ano lectivo seguinte (embora saibamos, também, que são muitas vezes os próprios tunos a pagar do seu bolso as deslocações para os festivais, especialmente em grupos que não têm apoio da respectiva associação de estudantes).

Veja-se, inclusive, que a própria organização dos festivais próprios tem por base a lógica "bola-de-neve festivaleira", com os certames a serem criados em resposta a 2 necessidades: reconhecimento e promoção da própria tuna e, acima de tudo (digo eu), como "isco" de retorno (às tunas convidadas - e que usualmente também possuem certame) para convite (de retribuição) festivaleiro também.


Este fenómeno tunante, resultante do "boom" é bem diferente da febre tunante de finais do séc. XIX (e que se prolongou até metade do séc. XX. especialmente nos liceus), onde o nº de actuações das tunas era bem mais reduzido e quase sempre situado em alturas de carnaval ou comemorações de feriados (especialmente o 1º de Dezembro). As tunas de então eram vistas, por norma, em saraus de beneficiência ou festas de instituições escolares (de fim de ano, de formatura), bem como em actos comemorativos oficiais, ou ainda em alguma digressão junto de instituições escolares no estrangeiro (muitas vezes em resposta a visita de delegações escolares de Espanha que se faziam acompanhar de suas tunas).
Era, pois bem reduzido o nº de actuações, comparando com o que hoje se verifica, mas tinham um impacto bem maior e eram um fenómeno tratado com todas as honrarias porparte da sociedade e autoridadés (como o atestam os periódicos da época).
E nem por isso era um fenómeno tímido, pois tunas havia de norte a sul do país, sem contar com as de feição popular.
Outros objectivos e pressupostos as moveriam, certamente - e não deixaria de ser interessante perceber quais e resgatar esse genuino modus vivendi e forma de encarar o negro magistério.

Penso que o erro foi cair-se no exagero.
Muitos ainda conseguem estabelecer diferenças, bitolas e barreiras, porque viveram a tuna não apenas nesta fase, mas também naquela em que a competição de palco não tinah a expressão dos dias de hoje.

O perigo, como bem sabes, é que a actual geração tunantes, a destes últimso 10 anos, pelo menos (e realço este "pelo menos") entra nesta comunidade com um conceito bem equivocado do que é uma Tuna e dos seus objectivos. Estou seguro que em quase todos encontraríamo a lógica da Tuna que existe para competir, para andar em festivais (após uma introdução eufemística de que era para fazer amizades e viver o espírito académico).

Mas a culpa é muito nossa: fomos com muita sede ao pote festivaleiro, porque era a grande novidade. E porque vivíamos na 1ª pessoa, quem foi entrando foi essa febre que absorveu.
A grande diferença é que nós tínhamso conhecido a Tuna sem festival (ou seja, sem que este marcasse o ritmo), por isso mais fácil a contenção, a ligação ou regresso à essência genuina da Tuna, porque existima referências anteriores: uma âncora.
Os que vieram depois não tinham, nem têm, essa mais valia, e naturalmente, a sua âncora, a sua bitola, fixou-se na noção de que a Tuna tem por principal actividade o certame, e de que é-se mais tuna quanto mais troféus houverem a atestá-lo.

Penso que, mais cedo ou mais tarde, isto tem de dar uma volta, porque me parece incomportável este turbilhão competitivo e esta lógica - que acabrá por enfadar quem também quer andar numa tuna sem ver o tempo útil das mesma gasta em festivais e ensaios para festivais, numa lógica de exigência musical cada vez maior para competir. Muitos não querem estar numa Tuna onde quase se resumem a serem músicos, querendo que ela volte a ser um espaço para outras "aventuras".
Os tempo de faculdade está mais reduzido, a competição do mundo do trabalho cada vez maior, os recursos humanos não abundam (passou a moda) e muitos dos actuais tunos (trabalhadores e com família) acabam, a determinada altura, por ter dificuldade em acompanhar exigentes ensaios e repertórios, quando estão numa idade em que a Tuna deveria ser um escape, um espaço para conviver e rever amigos (que antes viam diariamente, nos tempso em que eram estudantes), e não em mais um espaço de trabalho cuja exigência quase rivaliza com a que têm profissionalmente.

A tuna não pode deixar de ser um grupo amador, mesmo se também não deve cair no amadorismo.


Para finalizar esta longa reflexão, dizer que é possível qualidade musical sem lógica festivaleira. E bastaria atentar na quantidade de coros, por exemplo, que são em número infinitamente maior que as tunas. Festivais de coros são raríssimos (e quase só no estrangeiro) e, no entanto, não falta qualidade e coros de superior craveira, fazendo centenas de actuações em encontros, beneficiência, celebrações, eventos, etc.
E mais uma coisa: é uma comunidade caracterizada por não existirem tricas e rivalidades como as que temos na nossa.

 

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Véspera
responde a J.Pierre Silva:

Não tenho o dom da palavra, mas adoro o parágrafo: "... quando estão numa idade em que a Tuna deveria ser um escape, um espaço para conviver e rever amigos ..."

Não tenho estudos estatísticos, mas seguramente cerca de 2/3 das tunas de hoje não existiriam sem festivais e outros encontros que tais. A ideia de apenas ir ao ensaio para se fazer, ou mesmo apenas interpretar, boa música, não cabe na cabeça de muitos elementos de tunas (sublinho elementos de tunas, e não tunos).

Tive essa experiência de 91 a 97 na Centenária Tuna do Liceu de Évora, e posso dizer que tenho saudades...

Abraços

 

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R T
responde a Véspera :

Quase que me atreveria a dizer que muitos precisariam antes e sim de regressar ao...Liceu (e sem qualquer sentido negativo, muito pelo oposto...).

Já há muito que não se É tuno ou tuna. Antes ESTA-SE na tuna, como se poderia estar num outro qualquer sitio. É essa falta de sentir tudo isto, algo que está na esfera do SER e não na do ESTAR que faz toda a diferença. Esse modelo cada vez mais distante, o SER tuno, está em vias de extinção, mais ainda que o Lince Ibérico. Agora, ESTA-SE na tuna. Esta-se bem, como se está bem no café, na equipa de futebol ou na piscina. Usando a linguagem de hoje, "tass". No caso, na tuna. É uma espécie de militância mas sem pagamento de cotas.

Quando assim é - mormente todas as explicações sociológicas que poderão advir - tal significa que um capítulo se vai fechando e outro abrindo. Restam apenas os "últimos Moicanos", cada vez mais a transitarem para o formato quarentuna, que começa a surgir agora. Nada que Espanha não tenha passado antes.

O problema é que o exemplo espanhol não serve para explicar o nosso caso; se no caso espanhol o "tass" foi circunstancial e por isso, restou o SER tuno sobrevivendo assim aos tempos, no caso português fica a dúvida até prova em contrário: Será que o "tass" chegará para manter a tuna tal qual a conhecemos, mesmo que sobrem sempre uns poucos a SEREM tunos de facto?

Qvid Jvris?

 

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Macieira .
responde a J.Pierre Silva:

Acho que disseste tudo com:

"A resposta é por demais óbvia, estimado amigo: se não fosse a lógica festivaleira, mais de metade das tunas, seguramente, deixaria de existir"


Beijos e Abraços,
Macieira

 

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R T
responde a Macieira .:

Boas tardes!

Seria também um curioso exercício - ainda que de algum risco - tentar-se perceber que profile corresponderia, então, à metade que desapareceria e à metade que restaria....

 

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J.Pierre Silva
responde a R T:

Definir um perfil parece-me exercício de adivinhação, pois que muitas variantes entram na ponderação.

Poderáimos atirar, assim sem pensar, que as primeiras tunas a definharem seriam as que passam a exclusividade do seu tempo a preparar e paticipar em festivais. E aqui estaríamos, porventura, a falar de creditadas e reconhecidas tunas no plano da qualidade meramente musical.

Também poderíamos vaticinar que todas as que organizam certames estariam na linha seguinte da extinção, mas não é líquido que assim seja - pelo menos para as que ainda não criaram a habituação de 8, 9, 10 ou mais edições (onde se instala a ideia de se perder honorabilidade e crédito deixando de realizar o seu certame).

Numa 3ª linha, poderíamos colocar as tunas mais recentes, as que nasceram já sob esta nova noção e conceito tunantes: "o meio natural e expressivo da tuna é o festival" ou "a tuna é legitimada e creditada a partir do nº de prémios e troféus que arrecada".
Essas, porque o festival é, para elas, o seu único meio de afirmação e reconhecimento inter-pares.
Essas, penso eu, logo á partida desapareceriam, pois que nasceram já com esse propósito (mesmo que inconsciente)
O facto da moda das tunas ter passado, muito pouco resta a esta nova geração de atractivo nas tunas que não sejam os certames.

O que restaria, caro Ricardo? Sinceramente não sei!

Porventura as que têm um histórico que enraíza a tuna ainda antes da "festivalite aguda", cujo prestígio institucional garante outra segurança. Lembro-me de uma TUP que sobreviveu mais de 2/3 da sua história sem festivais, por exemplo. Lembro-me de umas quantas que também fizeram parte considerável do seu percurso sem certames e continuam fortemente apostadas nos concertos e actuações de cariz não competitivo.

Mas estou seguro que, sem certames, haveria uma sangria inimaginável. Não pela política institucional das tunas, mas a concepção e motivações dos próprios tunos.
Haveria, quiçá,a meu ver, a separação do trigo e do jóio, ou seja entre tunos e Tunos.

Abraço

 

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Mário Correia
responde a R T:

Eu tenho outro ponto de vista, no entanto respeito todos os anteriores. E são todos credíveis.

A tuna da qual faço parte teve no ano lectivo anterior 51 actuações, e a maior parte delas, fora de Coimbra. Posso referir que a presença em festivais foi provavelmente 5%. (2/3)

A verdade é que um festival traz prestígio, motivação e são momentos muito bem passados. Mas não entendo como algumas tunas se dedicam apenas a festivais (ou quase).

 

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Bruno Serra
responde a R T:

Eu cá sou muito directo e seta questão... Uma tuna só acaba não havendo festivais, se todos os elementos que lá estiverem não saibam o que é uma Tuna!
E verdade que toda gente gosta de ir a festivais, e gabar-se deste ou aquele prémio, mas cá para nós que adoramos Tunas, não é muito melhor ir para uma tasca em tuna emborcar uns valentes copos e tocar umas guitarradas, do que ir para um festival cumprir um protocolo e tocar entre 15 a 50min??? venham dai fados e guitarradas e álcool a mistura não é preciso um festival para nós fazer-mos a festa....

 

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J.Pierre Silva
responde a Bruno Serra:

Então estamos mal, porque o grosso não sabe o que é um tuna - ou pelo menos tem uma concepção algo deturpada da mesma.
O cariz "ruesco", passo o neologismo, é, hoje em dia mais para inglês ver, tal como o pasacalles - aliás sobre isto sugiro leitura do artigo do blogue As Minhas Aventuras na Tunolândia", precisamente dedicado à arruada e ao quão sintomático é daquilo que é a concepção actual do mester tunante.

 

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Bruno Serra
responde a J.Pierre Silva:

Claro que estamos mal, até certo ponto, pois os festivais trouxeram também eles grandes benefícios para o panorama geral das tunas, a nível musical elas evoluíram e muito. Mas também é de notar que o espírito trovadoresco antes característico de uma tuna se tem vindo a perder, bem como o desaparecimento de tunas outrora de grande qualidade... Mas enfim, não se pode ter tudo!!!

 

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Carlos "Astromar" Rodrigues
responde a R T:

Eu gostava que o criterio fosse tao so ver o total de actuaçoes de uma Tuna e a percentagem de idas a Festivais.Encontros de Tunas e de Tunas sem caracter competitivo teriam uma majoraçao na avaliaçao.OBVIAMENTE!!De Lisboa capital do Reino para o Mundo das TUNAS o vosso e o verdadeiro(Nao o dos Looney Tunos) Professor Astromar-Tusofona-Real Tuna Lusofona.

 

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R T
responde a Carlos "Astromar" Rodrigues:

Resgato o tópico e por uma razão muito simples:

Este mesmo fim de semana que passou é uma prova clara da forma como se devem levar as coisas. Uma súbita intempérie impediu a realização de um certame ao ar livre e a alternativa possivel seria numa discoteca. Ora, manda o bom senso que, e porque é bom se ver que numa discoteca levar a efeito um certame competitivo seria um erro crasso e de Lesa Tvnae até, que se passasse - como passou - de festival a encontro de tunas.

Acho muito bem, não poderia estar mais de acordo. Defendeu-se a tuna em sentido lato e, pela parte que me toca nada mudou e quanto ao essencial. Não houve estátuas para ninguém, as diferentes tunas tocaram na mesma (embora em versão mais curta e obviamente menos elaborada dadas as circunstâncias) e o essencial foi defendido. Lamento apenas pelo Juri (que estava presente mas ficando "vazio" na sua função) e pela Organização, a braços com decisões dificeis em cima do acontecimento.

Pequeno "pormaior": a sugestão de se passar de festival para encontro partiu...das tunas, ao que julgo saber.

Abraços!

 

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