Portugaltunas - Tunas de Portugal

R T

Haverá alguma inflexão no paradigma?

Boa tarde.

Reflectindo um pouco sobre o que era a tuna estudantil de finais do Século XX, a do "boom", e comparando com - por um lado - a tuna estudantil na transição do Século XIX para o de XX e - por outro - com o que ela é, e isto na sua base mais comportamental e empírica, regista-se, a meu ver, uma espécie de regresso ao passado, onde a maior parte da actividade começa (se é que já não o será) a ser mais limitada e confinada, regra geral ao ambiente "indoor", praticamente desaparecendo a vertente de rua, da serenata, da noite (embora não liquidamente assim tenha sido e a 100& seja em que época nos estejamos a reportar.

Haverá, então, alguma inflexão comportamental na tuna de hoje e face ao que era há 25 anos atrás? Se sim, porquê, como e onde e principalmente, porque razão/razões?

Qvid Jvris?

 

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Carlos Branquinho
responde a R T:

Caro RT:
Permite-me que discorde da tua opinião.
No que diz respeito à minha experiência pessoal, a tuna que ajudei a formar surgiu a partir de um grupo de serenatas e como tal se tem mantido ao longo dos anos.
Hoje já não estou ligado ao meio académico, e profissionalmente encontro-me longe de Coimbra, mas continuo a gozar dos direitos que estatutariamente me permitem participar das actividades que bem entenda...
Neste sentido, sei que a minha tuna continua a realizar, e com elevada regularidade, serenatas.
Claro está que compreendo que os grupos que têm uma visão mais "profissionalizada" da actividade "tunante" não estejam para se preocupar com coisas tão banais como fazer serenatas.

 

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R T
responde a Carlos Branquinho:

Caro Carlos, bom dia!

De todo, meu caro, de todo! Discordares da minha opinião é um excelente exercício para melhor se compreender - eu próprio inclusive - se a percepção que detenho é realmente empírica; assim sendo, como ilustras, será então uma generalização da minha parte - o que, vamos convir, é óptimo que assim seja.

Eu "falo" do que vejo, apenas, e ao longo dos últimos 25 anos pelo menos. Bem sei haver quem continue a fazer vingar pressupostos mais, digamos, "clássicos" e da época do "boom" tuneril dos 80/90 do Século XX, o que me parece excelente. Contudo, a tal inflexão que denoto - e que de certa forma, seguramente tu também - acaba por ser - visto á lupa da história da Tuna ao longo do ultimo século e antes até - uma espécie de regresso às práticas, ditames, posturas de uma dada época; é que, caso não saibam, o que nós fazemos desde o "boom" não era exactamente o mesmo que faziam as tunas da transição do XIX para o de XX. Aliás, esta inflexão que denoto, hoje, aproxima as tunas de hoje a essas tunas de então, afastando-se, pois, dos tais ditames da época do "boom".

Não será visão "profissionalizante" que estará tanto em causa mas antes uma adaptação ao meio; a verdade é que as coisas, a sociedade também mudou nos últimos 25 anos, logo, a tuna adapta-se - aliás, a tuna é um must de adaptabilidade aos tempos - ao que hoje vivemos, sentimos, denotamos.

Eu até estava de certa forma a estranhar não haver respostas a esta minha "inquietação", confesso. Por outro lado, até não me admirei muito; hoje em dia "passa-se por lá só para saber" ao invés de se querer Passar a Saber de facto. A transitoriedade fugaz da informação de hoje não permite ir mais além do que a rama. Acaba por se compreender alguma falta de participação, até, num tema como este.

Enfim, desabafos...

Abraços! E obrigado!

 

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R T
responde a R T:

Traduzido na base do "passei lá só para saber":

Se fosse um tópico para discutir o resultado X do Festival XPTO, seguramente que teríamos a esta altura do campeonato uns 70 post´s ou mais....

Sinais dos tempos...

Abraços!

 

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André Pereira
responde a R T:

Meu bom amigo,

A questão que colocas é de facto pertinente. Estarão as tunas de hoje (2011) mais próximas das de 1911, isto é, com recitais, concertos e actuações em recintos fechados do que as do boom (as tunas dos anos 80 e 90)?

Sem dúvida alguma que estão.

Haverá, claro, casos particulares que não abandonam esse lado mais "boémio", mais de "rua", mais de "tasco", mas na sua grande maioria, nos dias de hoje, só vemos as tunas nos teatros e nos auditórios.

Será isso bom? Será isso mau?
Não vejo essa questão por aí. Vejo mais essa questão pela "obrigatoriedade" que a "festivalite aguda" provocou. Para se produzir melhor, há que treinar e praticar melhor. Esse treinar, esse praticar, que nos anos 80 e 90 eram feitos, na sua grande maioria, na rua, no tasco, no café, hoje passou para uma sala com ensaios por naipes instrumentais e vocais. O traje, aquele fato (na grande maioria das tunas) preto foi substituído nos ensaios pelo fato de treino e pela sapatilha, pois só necessitamos do mesmo na altura da actuação e durante os atos do festival ou do certame.

Teremos nós, graças a essa "evolução" perdido o nosso lado mais boémio? De, como dizem os espanhóis, praticar la tuneria?
Sem dúvida alguma!

Precisamos dele? Precisamos desse lado mais "vadio"?
Para quem já o praticou (como tu e eu), sem dúvida que sim. Para quem nunca o fez, não sabe o que isso é.... é-lhe completamente indiferente.

Estará correcto pensar assim?
No meu ponto de vista, não. No teu, também sei que não. Mas já não somos nós que temos de fazer esse exercício mental. São os catraios e as catraias que nasceram nos anos 90 (sim, no tempo em que a tua tuna e a minha nasceram) que têm de pensar se isso, hoje em dia, lhes faz falta. No fundo são eles que vão perpetuar a herança e são eles que vão ditar os alicerces para as futuras gerações.

Um grande abraço.

P.S: se este post fosse sobre o prémio de solista ou de pandeireta ou de melhor tuna no festival x ou no festival y... isto teria mais leitura... e mais posts... concordo inteiramente... se calhar e, visto por esse prisma, temos aí a resposta à tua pergunta.

 

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R T
responde a André Pereira:

Boas, meu caro!

Quer-me parecer que, de forma genérica, estamos mais perto da tuna de 1911 do que da de 1991, p.ex. E essa constatação - sem prejuízo de quem faça prova de vida em oposto - não é, por génese, um drama em si mesmo, se assim quisermos. Como bem dizes, quem nunca viu a coisa por outro prisma não terá sequer modelo de comparação, logo, por desconhecer, não pode sequer opinar se é melhor assim ou assado. Naturalmente.

Nem tão pouco quis fazer por um lado a apologia dos "loucos anos 90" ou o oposto ou então defender de alguma forma o paradigma da transição do Século XIX para o de XX. O que digo é constatável pelos sintomas que se nos apresentam, ano após ano e quanto aos últimos, vá, dez, porventura.

Mas gostaria de ler outras visões/opinadelas....já agora!

Abraços!

 

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André Pereira
responde a R T:

Penso que a questão não se prende com apologias aos loucos anos 80&90 ou um qualquer saudosismo do passado... Prende-se sim com saber se, neste momento, e para as actuais gerações que por aí vão tunando, há ou não interesse em manter vivo o estilo "tuna da rua".

Eu acho que as tunas não devem perder este "estilo" por muitas e variadas razões, sendo a principal, a vivência com o público. É também uma óptima forma de, os mais novinhos, perderem aquele medo de cantar e tocar em frente a pessoas ;).

Abraços!

 

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R T
responde a André Pereira:

"...perderem aquele medo de cantar e tocar em frente a pessoas ;)."

Ora aí está algo que por muito que queira perceber, tal não me é possivel, de todo; chega a ser contraditório com a própria natureza do Negro Magistério...

Foi, porventura, outra das características do "boom", levar a Tuna a qualquer sitio, perante o mais pobre dos pedintes ou o mais faustoso dos Reis, numa qualquer tasca ou num Salão Nobre, enfim, a tal postura de camaleão que se adapta a qualquer meio, seja ele qual seja, não significando com isso ser-se "javardo" ou pedante e consoante as mesmas condições.

Resulta contudo lógico que sendo o certame cerca de 955 dos eventos que vão correndo, no mesmo cada vez mais se veja como parentes pobres todos os actos tradicionais insertos no mesmo - pasacalles, serenata, etc - e pelo oposto se eleve à condição Primvs Inter Pares o espectáculo propriamente dito. Evidentemente que tal acarreta os seus custos no que toca à própria genética da tuna, que vai mudando, obviamente, resultando no actual entendimento que vamos vendo. Daí a minha intervenção inicial.

Abraços!



 

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Tiago Nogueira
responde a R T:

Boa tarde,

começo por concordar que se o tópico fosse sobre outro tema mais polémico, teria maior adesão, mas penso que mais do que o gosto que os Tunos têm por esse tipo de tópicos não é deles, é dos Portugueses em geral. Um Tuga gosta sempre de polémica e, se possível, de uns insultos e socos. =;o)

Quanto ao paradigma, compreendo o que dizes, mas penso que se trata de uma constatação que parte muito da imagem que externa que as tunas em geral possam passar, sendo que a análise deverá ser feita por cada uma (e penso que é esse, também, o teu objectivo ao lançar o tema aqui).

Acho saudável a preocupação em tocar e cantar mais e melhor. Até penso que os festivais competitivos trazem esse ponto a favor. Competição acarreta um esforço maior para melhorar. Cada um terá que se auto-avaliar e saber se o que pensa melhor para a sua Tuna é o que os outros pensam ser melhor para eles.
Melhorar não significa dedicarmo-nos exclusivamente ao palco. Significa melhorar em todos os aspectos que a Tuna impõe.
Se umas Tunas procuram tocar novas músicas em palco, acho óptimo.
No nosso caso, para tocarmos melhores músicas em palco, temos de as criar. Nem sempre se consegue fazer melhor do que o que já se tem.
Fora de palco, pode-se aprender muita coisa e tocar na rua. Para quem não procura aprender músicas de outros, deixo a ideia de que o faça. É bom, é saudável e faz-nos conhecer um pouco mas sobre os outros. E há muita qualidade em muitos sítios. É só procurar e dar valor, que é coisa que nem sempre sabemos fazer.
Quanto à parte respeitante à procura da rua, dos tascos, acho difícil falar sobre os outros. Não máximo cada um pode falar sobre a sua cidade, sobre o que vê, e mesmo aí pode incorrer em erros de análise.
Com propriedade, só podemos falar de nós próprios. Aqui não houve inflexão no paradigma, que eu notasse. =:o)
Noutras tunas, não sei. Gostava de saber, também.

Vem aí um novo ano, pode ser que consigamos saber um pouco mais.

Cumprimentos a todos os Tunos do país,

Adémia (TMUC)

 

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J.Pierre Silva
responde a R T:

Não vejo grandes semelhanças, antes grandes clivagens.
Positivamente, de realçar o facto dese ter deixado a brejeirice gratuita e o amadorismo tacanho do "queimei a pilinha" e da "mulher gorda" (não que não se registe ainda, mas já não é generalizado).
Também postiva a enorme evolução qualitativa da execução e escolha de repertórios (onde, no passado, se exagerou nos temas originais - a maioria de mediana ou medíocre qualidade, nomeadamente literária) e uma crescente aposta em arranjos vocais e instrumentais acima da média.

Quanto ao resto................ pesa-me dizer que não se progrediu. Avançou-se, é certo, mas progredir...........

 

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Sir Giga
responde a R T:

Não foi a tuna que mudou, mas antes o ambiente ao redor dos actuais integrantes das tunas.

Quando entrei na faculdade, só fui assistir à minha primeira aula quando estávamos já em Novembro, e tenho que confessar que o fiz sob praxe do pessoal lá de casa (deixaram-me na UTAD às 8h da manhã para uma teórica de análise matemática. Nunca mais me esqueço, não conhecia nenhum dos meus colegas que enchiam o auditório e adormeci na primeira fila do mesmo). Onde andava eu? Na boémia, claro, deslumbradíssimo com o admirável mundo novo a desbravar que encontrara. Não sendo de maneira algum um anjinho e tendo tido uma adolescência bastante rica em diversão e convívio (inclusive nocturna e feminino, respectivamente), o entrar para a faculdade constituiu, não obstante, um salto enorme para um mundo com outra de vivência, cultura, liberdade, autonomia, objectivos, propósito, etc, etc. Transformou-me mais do que ao princípio admiti que o iria fazer e eu fiz o possível para também contribuir (positivamente, espero) para a sua transformação e progresso.

Acontece que agora temos miúdos que já não consideram a universidade um salto gigantesco, mas um natural prosseguimento dos estudos pós-secundários. Que olham para o horário da mesma forma (Bolonha ajudou, ao tornar as aulas teóricas obrigatórias e privilegiando a aprendizagem e avaliação contínua, o que regra geral não é mau).
Também já não se deslumbram com o ambiente noctívago e boémio. Quando entram já há vários anos que têm algo que nós só tivemos após entrar na faculdade: saem à noite aos dias da semana, têm cartão bancário, carro próprio (vá, do papá, mas de uso pessoal) telemóvel, e-mail, Internet, Facebook. Já experimentaram o álcool, o sexo, as drogas psicotrópicas, a liberdade(?), etc.

Por outro lado, ao invés de se deixarem aculturar pela vivência académica (o traje, as serenatas, o cavalheirismo, o trovadorismo, a tertúlia, a boémia) e a sua idiossincrática joie de vivre, vieram alterá-la e torná-lo cada vez mais uma continuação da vida de raves, binge drinking e pensamento pueril do secundário.

Não querendo estar a fazer juízos de valor a esta nova geração, apenas pretendo salientar o quão diferente é da nossa. Tudo que tem ser rápido, em tempo real, sem esforço, sem espinhas. Querem novidades, para logo depois as descartar e abraçar as seguintes.

Mas esta é também uma geração sob imensa pressão, sobretudo pelas respectivas famílias (tipicamente sobreendividadas) que exigem que concluam o ensino superior o mais rápido possível, com as melhores notas. Pesa-lhes, no entanto, saber que muitas vezes o que lhes espera no final será passar anos saltando de estágio em estágio, serem explorados, mal pagos, maus horários, precariedade, etc. Isso agudiza a pressão para que se dediquem de modo mais intenso ao estudo, descurando as actividades extra-curriculares.

Mas nem tudo é mau, como sabem. Não vou alinha no discurso do "no meu tempo é que era bom" ou do "esta geração está perdida e não tem valores". Antes pelo contrário. Nunca ouve tanto voluntariado e associativismo jovem (e muito dele laico, ainda por cima, o que é ouro sobre azul) como hoje. Nunca tivemos uma geração tão informada e com tamanha facilidade de acesso à informação.

É uma geração em que há muitos que trabalham enquanto estudam. No meu curso não havia nenhum, e éramos 60. Hoje sei que uma percentagem assinalável de miúdos trabalham ao fim-de-semana ou depois das aulas.

Ou seja, basicamente, estes miúdos novos não têm tempo. Na melhor das hipóteses, quando vão para a tuna, vêem-na como uma actividade extra-curricular, mas no sentido mais estrito da palavra. Enqanto uns vão para uma equipa desportiva da universidade (e consequentemente aos treinos e jogos), outros vão para o coro (e consequentemente aos ensaios e actuações) eles fazem a mesma coisa na tuna: preparam-se nos ensaios para irem actuar. Para tudo o resto falta-lhes a disponibilidade/oportunidade MAS TAMBÉM O EXEMPLO (culpa nostram, culpa nostram).

Este é desafio que temos à nossa frente. Receber, formar e acarinhar estes miúdos no seio da tuna, Dar-lhes autonomia, deixá-los crescer. Mas também mostrar-lhes um mundo novo, que tem uma história própria. Mostrar-lhes que uma tuna é feita também de convívio, cumplicidade, camaradagem, boémia, academismo, coisas que muitas vezes por nossa culpa não chegam a viver inteiramente. Quando entrei para a tuna passava dias a fio nas tabernas a aprender a tocar e não só com os mais velhos. hoje sou dos mais velhos da tuna e não tenho tempo para passar com os miúdos. Hoje, já nem tabernas há, só bares que passam música altíssimo e que não deixam tocar. Em Vila Real ainda há uns refúgios, mas noutras cidades não. Uma vez mais o entorno ambiental a condicionar a Tuna!

Há boas perspectivas, contudo. Há mais miúdos a entrar na universidade que ouvem imensa música (e, ao contrário do que possam pensar, muitos ouvem muito boa música), a tocar música, a aprender música. Enchem os ranchos e as bandas filarmónicas das respectivas freguesias. Para além disso, cada vez mais as universidades se enchem com alunos proveninentes da cidade em que se sediam, enquanto que no passado havia muitos mais alunos "estrangeiros". Isto ajuda a "fixá-los" na tuna após o término dos respectivos cursos. Esse é o exemplo que vejo na tuna em que cresci. Actualmente, os mais novos são quase todos de Vila Real ou das proximidades, já entram com algum conhecimento musical, tem experiência que trazem das suas colectividades e assegurarão o futuro da tuna. É verdade que têm mais afazeres, mais solicitações, vêem muitas vezes a tuna mais como uma outra instituição à qual pertencem, e muitas vezes não o grupo onde farão os amigos para toda a vida.

É uma mudança de paradigma ao nível da natureza dos elementos da tuna, sem dúvida. Temos apenas que nos deixar de queixar e MOSTRA-LHES aquilo que adorávamos fazer. Tocar no tasco, no meio da rua, pela noite fora, pelo dia adentro, fazer rondas pela cidade. Fazer amizades, daquelas a sério, daquelas em que se pode confiar, daqueles amigos aos quais podemos ligar às 5h da manhã, seja em que altura for. Mostrar que ser tuno é muito mais do que estar na tuna. Mas acreditem, temos nestes miúdos, não obstante as limitações que lhes são impostas (pelos pais, a pressão, Bolonha, o sistema, o mercado de trabalho, etc) matéria prima para assegurar um brilhante futuro para a TUNA. Só depende de nós.

 

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J.Pierre Silva
responde a Sir Giga:

Caro amigo, estou sem palavras. Bravo, esplêndido texto!
Uma visão arguta e certeira que levou a que eu me perdesse em memórias passadas e a reviver algumas passagens similares.

O único problema, actualmente, é que não deixámos legado assegurado em pessoas. DSeixou-se obra, mas não se garantiu a passagem de testemunho. A geração anterior à nossa, e a nossa, não pensou nisso, porque mais importada e concentrada em fazer caminho, masi do que deixar tabuletas e sinaleiros.

Quer isto dizer que, grosso modo, muitos de nós não têm disponibilidade para levar os mais novos ao tasco, ir subtraí-los às aulas paa os levar a beber uns copos e tocarumas modas no tasquinho.
Trabalhamos, temos horários, responsabilidades e, quando muito, faz-se um faz de conta ao fim de semana quando o pessoal da tuna está reunido. Mas o pegar num estudante caloiro ou outro e aliciá-lo para ir tunar......... não nos é possível, pois já não somos estudantes, não estamos in loco.

Se já não há a cultura que enuncias, e bem, é porque depois de nós não houve quem o continuasse a fazer, não houve aprendizes que hoje fossem os mestres. E salvo as devidas e honrosas excepções, deixou-se apagar muito do fogo de palaha que nos alimentou, esquecendo de lhe acrescentar algum carvão que, incandescente, pudesse seraproveitado pelos vindouros.

A culpa, como tão bem dizes, é só nossa. Bem queremso que eles aprendam com os nossos erros e a nossa experiência, que atentem`aos nossos conselhos, só que, na prática, não estamos; não convivemos e partilhamso o dia-a-dia, apenas marcando presença pontual e cíclica em ensaios e actuações (quando no passado os "ensaios" eram diários, embora informais, nas tascas e esplanadas, numas escadinhas, de dia ou de noite).

Nessa altura, não tínhamos a pressão social e económica de hoje (basta ver que verdadeiros veteranos que andam mais anos que a conta a tirar o curso estão em extinção), faltava-se sem grande preocupação e consequências. Hoje não é assim.

Acho que perdemos uma grande oportunidade e hoje corremos atrás do prejuízo.
Cá estamos para tentar remediar e podermos aind atentar passar algo da nossa experiência, vivência e saber, esperando que nos ouçam e possam fazer mais e melhor.


 

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