Portugaltunas - Tunas de Portugal

Gato Preto

EUC: 5.000 "Gosto". O que valerá mais? Um prémio ou o reconhecimento do público?

Sobre prémios e Festivais, já muito se discutiu...mas, para que serve uma Tuna?

Tenho para mim, que independentemente das características paradigmáticas que lhe estão subjacentes, só faz sentido existir num limbo de reciprocidade com as plateias. Muitas vezes retiramos mais prazer da nossa Tuna, do que aquele que proporcionamos...e isto numa relação tem consequências.

Afinal o que nos move? O reconhecimento, por certo. Mas, de quem? Dos nossos pares? Do público?

 

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O Conquistador
responde a Gato Preto:

Caríssimo gato:

«Tuna» começou por ser, como saberás, o nome dado a uma estratégia de sobrevivência estudantil, muito antes de começar a designar grupos musicais.

Assim, quem «andava à tuna» tinha de garantir a contribuição (monetária, alimentar, etc.) de outros.

Parece ser assim claro que «andar à tuna» é uma actividade pensada em função de outros, embora a benefício material e concreto dos que seguiam esta via.

Se extrapolarmos para a situação actual, a tuna tem de dar resposta a uma necessidade dos próprios, mas por intervenção de terceiros. A satisfação da necessidade dos próprios depende, por isso, da boa-vontade de terceiros, pelo que a actividade da tuna terá de ser pensada não para consumo interno, mas tendo em conta a melhor forma de despertar uma determinada reacção.

A questão pega por aqui. De que é que cada um de nós anda à procura? Que necessidade procura satisfazer?

Reconhecimento público? Amor? Desempenhar um cargo político? Consciência de ser solidário?

Até uma serenata é pensada não em função dos próprios, mas da melhor forma de despertar as boas graças da(s) contemplada(s). Se queremos palmas, o mesmo: temos de cair nas boas graças do público. E por aí adiante.

Donde se infere que a tuna existe, então, em função da vontade dos seus membros, naturalmente, mas exerce a sua actividade em função de algo que pretende obter de outros.

Os fins justificam os meios: se os fins são mesquinhos, os meios também os serão; se aqueles são nobres, estes sê-lo-ão também.

Eu não tenho a mínima dúvida sobre o que vale mais. Não há "caneco" que valha um beijo... entusiasmado... e por aqui me fico.

Abraço e

BOA MÚSICA!

 

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Carlos "Astromar" Rodrigues
responde a O Conquistador:

Ora,ora Conquistador,só te digo...QUEM FALA ASSIM NÃO É GAGO!!E por aqui me fico.Abraços do Astromar(O Autêntico)-Tusófona-Real Tuna Lusófona

 

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André Pereira
responde a O Conquistador:

"Eu não tenho a mínima dúvida sobre o que vale mais. Não há "caneco" que valha um beijo... entusiasmado... e por aqui me fico."

Perfeitamente de acordo. E enquanto os "canecos" vão ganhando pó e a gente já nem se lembra se foi em X ou em Y... os beijos... os tais entusiasmados... esses... ficam sempre na memória :)

Abraços!

 

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J.Pierre Silva
responde a Gato Preto:

Certamente que o que fica na memória colectiva não são os prémiso e estatuetas ganhas, porque disso todos se esquecem rapidamente. Bastaria perguntar ao país que respondesse, de cor, quais os prémiso ganhos pela EUC em 1995, e ninguém saberia (e o mesmo se aplica a qualquer tuna).

Infelizmente, caro amigo, ainda há quem, para mostrar serviço, prefira ostentar o currículo de prémiso ganhos, mais do que perceber que não é isso que faz uma Tuna, e muito menos a pereniza no tempo.

O que fica, como tão bem sabes, não são os prémios, mas a ideia de ter sido grande, de ter sido considerada e apreciada ao longo do tempo.
Mais do que prémios, é sinal de grandeza e impacto histórico quando os temas de uma tuna, tocados há 15 ou 20 anos atrás, são ainda recordados e interpretados (mesmo que informalmente) por outros.

Os estados de graça, decorrentes de grandes épocas competitivas são voláteis e tão depressa se passa de bestial a beste e vice-versa, no que a esse particular diz respeito. Já a consideração genérica que se tem, o conceito e ideia histórica que fica d euma tuna passa muito pelo saber ser e estar, por aquilo que marca o colectivo ao longo de vários anos (de muitos anos).

A EUC é um desses casos, se bem que tem a vantagem da ter sido pioneira 8e os pioneiros trazem sempre esse ónus), cujos prémios que ganhou não sei de cor (um ou outro ainda vai, e nem sempre com exactidão temporal), mas cujo percurso deixou em mim (e em tantos, e tantos, outros) um marco inolvidável.

Mormente fases menos conseguidas (os tais ciclos de graça ou de falta da mesma), tenho na EUC uma referência. Isso sim, vale mais do que papa-prémios que, depois de desaparecerem, caem no esquicimento passadas 2 ou 3 décadas (se não for em menos).

 

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Sir Giga
responde a Gato Preto:

O QUE ME MOVE?

- O gosto pela música, por um particular tipo de música (ou sonoridade, se preferirdes).

- Fazer parte de uma cultura rica, complexa, diversificada e tipicamente portuguesa.

- A liberdade de criar, recriar, interpretar, re-interpretar, em oposição à vigente escravatura do consumir.

- Prestar tributo à música portuguesa. E à estrangeira. À música, à boa música. Há boa música!

- Inovar, não me desviando dos princípios basilares do movimento tunante.

- O orgulho. Não aquele arrogante e vaidoso (e quantas vezes efémero e infundado) orgulho. Mas o orgulho nos meus, no que é meu, no que fiz, no que erigi, no que posso ainda realizar.

- A amizade. A cumplicidade. A solidariedade. A aprendizagem. O ensino. E todo caminho entretanto percorrido.

Em nada disto cabe o reconhecimento do público anónimo, mas este também é importante, ainda que não seja primordial. Não considero o número de "gostos" numa rede social como indicadores fidedignos da marca de uma instituição como a EUC na sua academia, na cidade que os acolhe ou naquelas que os recebem. Certamente que há muitos mais que conhecem e gostam - em diferentes graus e formas - da EUC. Mas também não é "este" gostar o mais importante.

Pegando na questão do reconhecimento (que, reitero, por mais importante que seja, não o vejo como fundamental), digo que o sinto quer nas pequenas, quer nas grandes coisas. Este está no público que se levanta para te aplaudir ou nas tunas que te escolhem para abrilhantar o seu evento, sem dúvida. Mas também, e acima de tudo, no brilho nos olhos dos mais velhos da tuna que te dizem: "boa miúdos", na admiração dos mais novos que querem ser como nós, é nos pais que têm orgulho em dizer que o filho anda na tuna (e ainda assim tem boas notas :D).

Dou-vos um exemplo. No passado fim-de-semana realizou-se o festival de uma das minhas tunas. Foi, uma vez mais, extenuante e uma verdadeira montanha-russa emocional e estava eu a sair do teatro às duas da manhã, quando umas senhoras foram ter comigo de propósito só para me dizer: "sabe, nós sabemos que isto custa muito dinheiro e que a vida está difícil, mas se for preciso a gente junta-se para fazer um pé de meia para que nunca deixe de existir". Eu fiquei emocionado, confesso. São estas coisas. Estas pequenas coisas.

Não resisto a partilhar uma outra experiência que tive. Há um par de anos, quando a educadora perguntou ao meu filho o que queria ser quando fosse grande, ele respondeu sem hesitar: "Eu? Quero ser guitarrista da tuna, como o meu pai." A mãe não achou piada nenhuma, mas eu ainda hoje tive orgulho. Porque ele percebeu...

Pequenas coisas. Pequenas, grandes coisas.

Um abraço

 

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O Conquistador
responde a Sir Giga:

Caro Sir Giga:

"Pequenas"?

(Bolas... por que é que nunca escrevi nada assim?...)

No FARDAS deste ano tive a oportunidade de ver como eras grande por fora. Está certo, pois é preciso muito espaço para albergar uma alma assim.

Subscrevo a 100000000000000000000000000000000000000%.

Abraço e

BOA MÚSICA!

 

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Gato Preto
responde a Sir Giga:

Caro Giga,

Preambúlo, dizendo que é com enorme garbo que leio o que escreveste.

E faço-o na exacta medida da liberdade que usas, na palavra que escorreu de ti, no teu grito de alma.

Uma prosa acometida do poema, a razão de respirarmos TUNA!

Muito bem, meu caro. Se aqui e ali posso desencarreirar, não escolherei o agora para particularizar o meu porquê. Não ficaria bem.

Sem ter a honra e a veleidade de te conhecer, aceita um abraço singelo.


P.S. -Sem conhecer e não julgando. A objecção materna é obviamente ternurenta e embevecida. Ela decorre certamente de um sentimento de profunda admiração natural por tudo o que significa o reconhecimento do estatuto de Pai e companheiro enquanto Tuno. Todas torcem o nariz...mas nada paga ver os nossos reconhecidos pelo seu mérito.
Eis o prémio...

 

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R T
responde a Gato Preto:

E eís que o Giga sintetiza, porventura, algo tão enorme quando de facto sentido como o é. Nem mais, nem menos....

Um dia - e a propósito - ouvi de alguém uma das mais perplexas por desafiante noção de tuna que alguma vez ouvi. Dizia então esse "bacano": "Uma tuna é aquilo que podemos levar os nossos pais, mães, avós e restente familia a ver sem que eu sinta qualquer tipo de vergonha por ser tuno, antes orgulho"

Passando a simplicidade extrema e desprovida de qualquer sentido "cientifico/tunante", parece-me uma excelente forma de ver a coisa....

Abraços!

P.S. - A objecção materna é um misto de vaidade pura e dura com o real "cagaço" de ver o rebento um dia a seguir os passos do pai....:)))))) Bom, nos dias de hoje, a "guerra" é entre o puto jogar à bola na rua ou "arrochar" no sofá em enormes batalhas de Counter Strike....:((((

 

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Sir Giga
responde a Gato Preto:

Meus amigos, sois demasiados gentis. Agradeço profundamente as vossas amáveis palavras.

Dou o devido valor ao reconhecimento externo, mas dei um olhar sobre a Tuna sob o ponto de vista da vivência pessoal que - perdoem-me o egocentrimo - é a que mais me realiza.

Tendo dito isto, contudo, não é menos verdade que o reconhecimentos dos nossos pares, dos nossos amigos e família, bem como do público anónimo é algo insubstituível e que enriquece a nossa experiência pessoal e colectiva no viver da tuna.

Parabéns à EUC, por tudo que nos deu e continua a dar.

 

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