Portugaltunas - Tunas de Portugal

Tiago Pássaro

Apoio tuna

Boas.
A minha dúvida é a seguinte, no caso de uma Universidade não ter estipulado que apenas apoio um número x de tunas da sua academia e caso haja a formação de um novo projecto, ou seja, uma nova tuna nessa academia, é legal que a Universidade não apoie essa nova tuna?

Saudações.

 

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Branca de Almeida
responde a Tiago Pássaro:

Boa noite

Não estou muito por dentro do assunto, mas tenho a impressão de que a Universidade não é obrigada a nada, isto é, apoia quem quiser e se quiser.
Mas também tenho a impresão de que cada Universidade faz à sua maneira, que não existe regra.

 

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R T
responde a Tiago Pássaro:

"A Liberdade de associação é um conceito legal constitucional que se caracteriza pelo direito que os homens têm de mutuamente escolherem os seus associados para cumprir um determinado fim. Este conceito encontra-se incluído em diversas constituições bem como na Convenção Européia dos Direitos Humanos.

Em Portugal a liberdade de associação está consagrada no artigo 46º da Constituição da República Portuguesa. De acordo com esta, os portugueses são livres de constituir qualquer associação, sem autorização do Estado. No entanto, existem algumas limitações: não se podem constituir associações militares, nem de cariz racista nem de ideologia fascista. Ninguém pode ser obrigado a associar-se ou a permanecer numa associação." - In Wikipedia (que de vez em quando acerta).

Mais adianta-se, de acordo com o nosso Código Civil:


Artigo 46.º

(Liberdade de associação)

1. Os cidadãos têm o direito de, livremente e sem dependência de qualquer autorização, constituir associações, desde que estas não se destinem a promover a violência e os respectivos fins não sejam contrários à lei penal.

2. As associações prosseguem livremente os seus fins sem interferência das autoridades públicas e não podem ser dissolvidas pelo Estado ou suspensas as suas actividades senão nos casos previstos na lei e mediante decisão judicial.

3. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação nem coagido por qualquer meio a permanecer nela.

4. Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista.


Ora, estamos mais do que conversados. Ás tantas há para aí sim e antes umas "associações" ditas de "académicos" que cabem mais depressa no contido no ponto 3 acima do que qualquer Tuna; é que na Tuna, obrigado ninguém está. Já noutros cenários.......


Em todo o caso, e antes do acima, temos o seguinte postulado Constitucional:

Em Portugal, o direito de reunião está consagrado na Constituição da República Portuguesa no seu artigo 45º. Este artigo garante aos cidadãos portugueses o direito de se reunirem pacificamente (não podem reunir-se armados) não necessitando para tal de autorização.O direito à manifestação também está previsto na Constituição de Portugal. É regulado pelo Decreto-Lei n.º 406/74 de 29 de Agosto. As manifestações carecem de autorização do Governo Civil ou do presidente da Câmara Municipal. No entanto, a autorização só pode ser negada se se considerar que as manifestações são contrárias à lei, à moral, à ordem pública e aos direitos das pessoas colectivas e singulares.


Ou seja, se alguém se armar aos cucos e resolver fazer "Operações Académico-Praxistas-Ó.Stop" na A24 ou o caraças a 4, é bom que tenha autorização para o fazer, não vá a coisa correr mal.....

Caso para dizer: Dura LEX, Sed LEX!!!!!!!!!!!!!

Abraços!!!!!!!!!!!!!!!

 

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Sir Giga
responde a Tiago Pássaro:

Ó Pássaro, se tu e uns amigos querem fundar uma tuna, não têm que pedir autorização a ninguém.

Claro que, se querem "abrigo" por parte de uma associação académica e ser secção da mesma, têm que ter em atenção que serão eles que ditarão as regras e, consequentemente, quem, quando e como apoiar.

Agora, é certo e sabido que, atendendo à história e natureza das tunas, esta subserviência a outras instituições (sejam elas Associações Académicas, Univ

As duas tunas a que pertenço (TDUP, Transmontuna) não respondem a ninguém senão aos seus próprios associados. E, sem o apoio de quaisquer instituição académica têm feito um trabalho que, modéstia à parte, não envergonha ninguém. Antes pelo contrário.

Assim sendo, sejam autónomos. Mas atenção, sejam Tuna. Daquelas a sério. Não queiram reinventem a roda. Aprendam com quem sabe, com quem faz bem.

Um abraço!ersidades, Conselhos de Veteranos, Rotary Clubs, Grupo de Cantadeiras e Lavadeiras de Rebordelos de Baixo, etc...) é completamente contra natura.

 

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Sir Giga
responde a Tiago Pássaro:

Ó Pássaro, se tu e uns amigos querem fundar uma tuna, não têm que pedir autorização a ninguém.

Claro que, se querem "abrigo" por parte de uma associação académica e ser secção da mesma, têm que ter em atenção que serão eles que ditarão as regras e, consequentemente, quem, quando e como apoiar.

Agora, é certo e sabido que, atendendo à história e natureza das tunas, esta subserviência a outras instituições (sejam elas Associações Académicas, Universidades, Conselhos de Veteranos, o Rotary Club ou o Grupo de Cantadeiras e Lavadeiras de Rebordelo de Baixo) é algo contra natura

As duas tunas a que pertenço (TDUP, Transmontuna) não respondem a ninguém senão aos seus próprios associados. E, sem o apoio de quaisquer instituição académica têm feito um trabalho que, modéstia à parte, não envergonha ninguém. Antes pelo contrário.

Assim sendo, sejam autónomos. Mas atenção, sejam Tuna. Daquelas a sério. Não queiram reinventar a roda. Aprendam com quem sabe, com quem faz bem. Apesar de tudo, ainda há quem...

Um abraço!

 

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J.Pierre Silva
responde a Tiago Pássaro:

O bom senso manda que, e no caso da adopção do nome da instituição (que traduz o desejo de a representar - a ela e seus alunos), que se peça licença para usar o nome.
Não tem sido essa a norma, é verdade. Grande parte das tunas apropriaram-se e "abusaram" ao chamarem a si o direito de se dizerem representante da Universidade X ou Faculdade Y sem que ninguém lhe desse tal autorização.
Mas como os possíveis lesados não accionaram coisa alguma - e usualmente, até, forma os primeiros a apoiarem, claro está que se tomou a coisa como dado adquirido.

O facto é que qualquer instituição que assim o deseje, pode vetar um grupo de usar o seu nome e que alegue ser representante dessa mesma instituição.
Cabe apenas à instituição nomear os seus representantes.

Não sei bem é como é que, legalmente, a coisa funciona quando as próprias tunas nem sequer têm personalidade jurídica, mas pedir autorização fica sempre bem, não fosse, antes de mais, uma questão de educação.

As Universidades, Politécnicos..... apoiam quem quiserem, seja 2 ou 20 tunas que apareçam.
Já as condições estabelecidas entre Tuna e organismo que representam (ou de que usma o nome) isso são outros 500. Não conheço, pessoalmente, nenhuma Tuna cuja casa tenha determinado um conjunto de "normas" para poderem ser "reconhecidas", excepto as Tunas que foram criadas como núcleos da respectiva associação de estudantes (outra falácia perigosa, diga-se; tão ou mais perigosa que as subordinações aos organismos de praxe, embora como uma diferença: as associações existem legalmente).

Um bom tema para discussão.

 

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Sir Giga
responde a J.Pierre Silva:

JP, tens toda a razão quando dizes que uma instituição não se pode apropriar indevidamente do nome de outra. Quanto à questão das tunas se constituirem como secções de uma associação académica ou de outro tipo (as tunas da ARCUM ou as tunas do Orfeão do Porto, por exemplo), a mesma tem funcionado mais ou menos bem nalgumas academias. Coimbra e Braga são bons exemplos. Ainda que não gostasse de pertencer a uma tuna nesses moldes, dadas as várias desvantagens, há que reconhecer que há também claras vantagens, principalmente nos primeiros tempos (compra de instrumentos, pagar a um ensaiador, despesas de deslocação, etc.).

Não percebo, contudo, porque há-de uma tuna autónoma querer tomar a designação de uma ou outra instituição de ensino. Essas tunas formam-se espontâneamente no seio das ACADEMIAS (ao contrário de outras, que são muitas vezes fundadas "a pedido" de terceiros), um conceito que extravasa o de "conjunto de alunos da universidade X".

As próprias universidades são as primeiras a não perceber este conceito. Permitam-me que explore, a título de exemplo, o da minha tuna em Vila Real.

Já ouvi mais do que uma vez o actual reitor da UTAD referir-se indevidamente à Transmontuna como "uma das tunas da UTAD". Também, pudera, convém-lhe. Mas atenção, que tenho todo o gosto que a Transmontuna, como instituição, colabore com a instituição UTAD, com os núcleos dos cursos ou mesmo a AAUTAD. Dado haver outras três tunas e que pertencem à associação, acho até que é muito elogioso sermos nós escolhidos em detrimento das outras.

Mas daí a dizermos que a ela pertencemos (no sentido literal e não no figurado) é um erro que não beneficia ninguém a não ser a universidade. Já correu aqui muita tinta acerca da exploração das tunas pelas universidades como meio barato de auto-promoção, por isso não vale a pena "escarafunchar" mais esse tópico.

Não obstante haver uma inegável ligação afectiva à universidade, a "Transmontuna - Tuna Universitária de Trás-os-Montes e Alto Douro" é, sob todos os prismas, autónoma. E, sem desrespeito para todas a tunas que o não são, considero ser este o caminho. Claro que há escolhos, sobretudo ao nível da falta de apoio financeiro e logístico, mas protocolos de colaboração podem ser estabelecidos no sentido de conseguir que as universidades apoiem as tunas ou outros grupos culturais académicos, com as devidas contrapartidas da parte desses grupos. Tem que se evitar é a exploração de uma das partes por outra.

Assim, e ainda que a vossa tuna não pertença a mais ninguém senão a vós mesmos (e, no eu entender, nada faz mais sentido), podem e devem procurar colaborar com a universidade e demais instituições da vossa cidade ou mais além.

Um abraço

 

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R T
responde a Sir Giga:

Boa Noite.

Um dos grandes erros, a meu ver, que enfermam as tunas universitárias nacionais reside precisamente em algo que está intimamente ligado ao tema deste tópico: a noção tribalista de tuna.

A noção tribalista de tuna é, quanto a mim, um dos maiores cancros que ataca a instituição tuneril estudantil nacional, por todos os motivos e mais algum; o mais algum é aquele que importa a noção tribal para a tuna graças à Praxe - e isto nos idos do (re)nascer da tuna na época do "boom" (anos 80/90 do Século XX). E é este mais algum que ainda não está devida e cabalmente esclarecido e que nos faz incorrer na confusão, que não deve nem pode existir, entre Tuna e Praxe.

É dessa promiscuidade - descobre-se hoje - entre Tuna estudantil universitária e Praxe tout court que, hoje, temos, ainda - infelizmente - comportamentos puerilmente tribais entre e intra tunas; dentro de cada um ainda é possível ver-se isso, claramente, "erro" clássico, tão clássico quanto o "Garganta Funda" o é.

Ora, quando se vê a tuna da Universidade X como sendo - sendo a nossa, claro está - "A" Tuna e as outras - tirando umas mais amigas, tipo coisa de mulheres, vá.. - "são-todas-uma-cambada-de-falsas-e-fufas-e-futeis-e-assim...", num exercício tão absurdo quanto inexplicavelmente falso, é bom de ver que a noção tribal subsidia uma série disparates em cadeia, tipo acidente em autoestrada em manhã de nevoeiro. Nada de mais fácil de entender, diga-se; haja inteligência, bom senso e algum pudor.

Esta coisa de que as outras são todas uma *erda - tirando a X e a Y - tem de acabar, desde logo. Reconhecer aos outros valor é reconhecer o nosso próprio valor. Reconhecer que os outros são tão capazes como nós é um exercício da mais pura inteligência. Acontece é que as tunas estudantis universitárias do pós-boom não foram assim educados. Foram - fomos - todos educados como foi educado um catraio que aderiu, nos anos 30, à Juventude Hitleriana. Sejamos claros e frontais. Com uma agravante: A Hitlerjugend ainda reconhecia valor aos jovens fascistas da restante Europa à época; nas tunas portuguesas, nem isso.

Daí ao tomar do nome da sua instituição e defenbde-la, qual Juventude Hitleriana, foi um passo. O discurso foi a Praxe; o Dux era Goebbels.

Agora? Uns amanham-se, outros amocham, outros riem-se. É da vida. Basta pensar na causa das coisas. E depois, percebe-se facilmente as consequências. E benditos sejam os Livres-Pensadores.

Abraços!


 

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Gato Preto
responde a R T:

Caro R.T.

Esta coisa de que as outras são todas uma *erda - tirando a X e a Y - tem de acabar, desde logo. Reconhecer aos outros valor é reconhecer o nosso próprio valor. Reconhecer que os outros são tão capazes como nós é um exercício da mais pura inteligência. Acontece é que as tunas estudantis universitárias do pós-boom não foram assim educados. Foram - fomos - todos educados como foi educado um catraio que aderiu, nos anos 30, à Juventude Hitleriana. Sejamos claros e frontais. Com uma agravante: A Hitlerjugend ainda reconhecia valor aos jovens fascistas da restante Europa à época; nas tunas portuguesas, nem isso.

Está tudo bem contigo?

Grande abraço e apita sempre que precisares. Cá estarei como sempre. É que fui formatado assim na minha Universitária.

Abraço forte

p.s. - caro Giga, em Coimbra não conheço nenhum ensaiador de Tunas, à excepção da TAUC que tem Maestro para a Orquestra Clássica. Em relação à compra de instrumentos, se a há nunca será para uso exclusivo da Tuna. Porque não conceder que pertencer a algo maior que a Tuna através dela também constitui uma enorme honra. Eu sou da EUC com todo o orgulho, claro. Mas só o sou porque me permitiu representar a AAC.

 

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Gato Preto
responde a Gato Preto:

ASSIM É QUE É:

Caro R.T.

"Esta coisa de que as outras são todas uma *erda - tirando a X e a Y - tem de acabar, desde logo. Reconhecer aos outros valor é reconhecer o nosso próprio valor. Reconhecer que os outros são tão capazes como nós é um exercício da mais pura inteligência. Acontece é que as tunas estudantis universitárias do pós-boom não foram assim educados. Foram - fomos - todos educados como foi educado um catraio que aderiu, nos anos 30, à Juventude Hitleriana. Sejamos claros e frontais. Com uma agravante: A Hitlerjugend ainda reconhecia valor aos jovens fascistas da restante Europa à época; nas tunas portuguesas, nem isso."

Está tudo bem contigo?

Grande abraço e apita sempre que precisares. Cá estarei como sempre. É que fui formatado assim na minha Universitária.

Abraço forte

p.s. - caro Giga, em Coimbra não conheço nenhum ensaiador de Tunas, à excepção da TAUC que tem Maestro para a Orquestra Clássica. Em relação à compra de instrumentos, se a há nunca será para uso exclusivo da Tuna.

Porque não conceder que pertencer a algo maior que a Tuna através dela também constitui uma enorme honra? Eu sou da EUC com todo o orgulho, claro. Mas só o sou porque me permitiu representar a AAC.

 

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Tiago Nogueira
responde a R T:

Com certeza que sim.
Aplaudo o que dizes e partilho a opinião.
Assim é que deveria ser, nada tendo contra quem representa uma instituição acima da sua Tuna, logicamente.

Abraços a todos,

Adémia (TMUC)

 

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R T
responde a Gato Preto:

Caro Gato:

Não percebo a tua questão, com toda a franqueza. Se puderes esclecer-me(nos), agradeço!

Sim, está! Tudo perfeito!

Abraços!!!!!!!

 

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R T
responde a Gato Preto:

Amigo Paulão, não, não foi desta que fiquei demente......:))))

Há que contextualizar o parágrafo, não o lendo isoladamente sequer, devo referir com particular ênfase.

Fala o mesmo em continuação a uma noção tribalista que existiu na Academia do Porto dessa época e de que hoje, paga - ainda que residualmente - o custo respectivo, como vamos assistindo e vendo amiúde. É graças a essa politica que misturou Praxe com Tunas e que pretendeu fazer de cada uma e de todas elas uma espécie de E.T.A´s Académicas de cada casa de Altos Estudos, instigada pela própria Praxe e sua promiscuidade no que reporta aos órgãos que a "geriam" - e "gerem" - fazendo de toda e qualquer Tuna uma extensão do Cortejo da Queima. É hoje, aquilo que vemos por aqui nesta vetusta Academia o resultado prático da tremenda promiscuidade onde a Praxe usou e abusou da Tuna para se potenciar, catapultar, impor. Faço Mea Culpa, digo-o já de chapa e sem qualquer problema de consciência; eu mesmo andei enganado muito tempo, misturando coisa que não se misturam. Tuna é Tuna, Praxe é Praxe.

Nesse cavalgar da Tuna feito pela Praxe em sentido lato fez-se muito disparate, foi dito outro tanto e pior que isso, cristalizou-se a suprema confusão, a de que a Tuna era parte, extensão, complemento, braço armado da Praxe, quando tal é falso. Confusão que advém do simples facto de que, à época, quem compunha as tunas muitas vezes compunha também organismos ditos de Praxe; ora, a prima do Mestre de Obras não é de todo a Obra Prima do mestre. Está cabalmente provada essa clara distinção entre a Tuna e a Praxe. Que fique absolutamente claro.

O sentido critico na época do "boom" e do ressurgimento da Praxe, tempos que coincidiram, se justapuseram, era praticamente inexistente, daí o resultado que observamos hoje. Antes, o mimetismo desprovido de sentido critico ("fazemos isto porquê?") era "Lex" ou melhor dito "Dura Praxis, Sed Praxis", se assim quisermos, nunca levando sequer à colocação em causa de como eram, porque eram assim feitas as coisas. Foi todo esse eufórico ambiente - a lembrar em alguns casos Nuremberga nos tempos áureos do Nazismo... - que levou à confusão a que hoje se assiste.

As Tunas são Tunas, não são extensões, anexos da Praxe coisíssima nenhuma. Se os que compõem a Tuna X são e estão na Praxe é lá com cada um e com cada qual, não se pode misturar o foro pessoal com o institucional. Se a Tuna universitária alinhou com a Praxe foi porque os seus elementos então assim alinharam com a Praxe também, mais nada. O que não vincula a Tuna à mesma Praxe, de todo; dizer o oposto é néscio.

Finalmente, caro Paulão, como é evidente, a minha bondade, disponibilidade e disposição é tão imensa quanto a tua. Ás tantas não deveria ser assim, se calhar, admito alguma rispidez nas minhas intervenções, nomeadamente nas comparações que uso e faço. Mas de facto, só chocando é que porventura, me farei entender, começo a acreditar francamente.

O que escrevi acima apela ao cada vez mais óbvio: As Tunas TÊM de começar a perceber o que realmente são e, acima de tudo, o que nunca realmente foram.

Abraços!

 

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Gato Preto
responde a R T:

Caríssimo,

Desculpar-me-ás, mas o teu penúltimo post é no mínimo estranho.

E sim, é verdade, senti-me.

Desde logo porque o recurso à metáfora não foi feliz.

Caro Ricardo, meu amigo, há coisas com as quais nem ao de leve gosto de ser tocado.

Não só se torna descabido, como constitui de per si um insulto, comparar um dos "factus tenebre" da História da Humanidade, com movimentos associativos que são tão só o afirmar da plenitude do direito à participação justamente em contraponto ao que outrora era censura.

Se gostamos, concordamos, partilhamos posturas isso já são outros quinhentos...

Mas tudo bem, meu bom amigo, já desinchou.

Depois julgo ser algo arriscado considerar a Tuna "Universitária" como uma Instituição Nacional, na qual métodos, formatos, processos normativos e educacionais constassem de uma cartilha a laia do tipo doutrinal que regia o Liceu Nacional do pré 25 de Abril.

Sinceramente, tenho como adquirido, que ao contrário do que se possa pensar as Tunas Universitárias, quase sempre as decanas da sua Academia, marcam indelevelmente o estilo do resto das Tunas que a compõem.

Concordarás que existe um estilo da Tuna Portuense cuja inspiração assenta em singularidades próprias ao nível da escolha de repertórios de uma diversidade imensa com base em temas clássicos e da latinidade, onde a Tuna aparece quase sempre muito forte e compacta com grande som e espectáculo e grande ostentação ornamental dos seus elementos, à boa maneira da TUP do pós "boom".

Depois a Lisboeta, com grande importação Coimbrã ab inicium, onde a evolução se nota na prática muito específica da execução instrumental, que privilegia a técnica ao som, que se remete à sobriedade do trajar e que mergulha as suas escolhas no colossal cancioneiro da capital, entre marchas e música de revista e temas da música ligeira. A EUL e a TUIST são desde há muito o exemplo seguido pelas de Lisboa.

Já a Coimbrã é conhecida por estar umbilicalmente ligada ao povo, à festa, à romaria e ao terreiro. É normalmente mais desbocada e irreverente. Constrói os seus própros temas como se de oxigénio se tratasse e goza de imensa popularidade junto do público futrica. Tal qual a EUC.

Também as Minhota, Aveirense, Viseense, etc, se destacam umas das outras pela sua idiossincrasia.

Se concluirmos que as Academias e respectivos usos e costumes marcam a formatação das suas Tunas temos que considerar que há uma "praxis tunante" que consagra modelos, os quais resultam da actividade associativa da própria Tuna enquanto fenómeno, do qual quase sempre a Tuna Universitária é/foi charneira.

Por mais que não se queira, meu caro, a família não se escolhe.
É como diz o Adémia, todos nós ocupamos o nosso lugar na Academia. Eu acrescento, cada um com as suas características e motivações.

Como calcularás, porque me conheces, não alinho em discursos de superioridade. Não sou um falso humilde, passo bem com amigos aos quais só exijo estima sejam eles quem forem, venham de onde vierem.
Mas também não tolero a vitimização e a diabolização de quem é elevado a superior sem que o mesmo o queira ser. Isso para mim é o discurso da tanga.

Todos aqueles que decidem um dia dar o passo e entrar para uma Tuna, quando a escolha é variada, têm que saber assumir o que o futuro reserva. Não é educado mais tarde vir com a argumentação do David e do Golias, em exercícios de confronto moral. Tanto mais que em matéria de recrutamento e respectiva formatação e manipulação, a Tuna Universitária pouco pode face à da Faculdade, Instituto ou Escola.

Isto sim, é meter a praxe na Tuna.

Leio agora este teu último e mais recente post, e entendo-o. Reportas o caso à Academia do Porto não generalizando o que é particular. Acho muito mais correcto e...digamos, tribal.

E, no nosso caso, como Tunos qual será o problema do tribalismo? Não vislumbro...

Forte abraço

 

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R T
responde a Gato Preto:

Meu Velho amigo....

Nada do que dizes - e bem, sublinhe-se - invalida ou anula o que eu pretendi dizer e vice-versa. Os estilos discursais são distintos, como eu e tu o somos, e não me parece que vá ao mal ao mundo por isso, num tempo onde uniformizar parece sempre palavra do Senhor.....

De todo, de todo. Já disse aqui N vezes que a diversidade da tuna estudantil nacional tem coisas positivas e legou ela mesma essa positividade. Mas também coisas negativas legou, vamos convir. Duas faces da mesma moeda, enfim.

Vamos ao inicio deste post. Foi o que fiz e nele derivei - confesso - uma outra noção que atravessa - aqui mais, ali menos, acolá nem por isso - o todo do fenómeno. A noção tribal não trás mossa alguma se levada dentro da mais saudável postura, afinal, trata-se de música, alegria, jovialidade e por aí fora. Não se espera que malta nova se comporte como cotas, certamente. Por aí, tudo bem. Toquei quiçá num dos "tabús" que muito poucos se atrevem a falar, mesmo que ao de leve. As solidariedades são bonitas se mantidas de forma saudável, profilática, não redutora, abertas a outras e por aí fora. Não alinho no discurso maniqueísta dos bons e dos maus. Mas isso não impede a análise mais social do grupo que é a Tuna em sentido lato, cujos comportamentos moldam a sua imagem até para fora dela, que fará para dentro. Não há qualquwer discurso moralista, o que há é um discurso da minha parte anti Amoralista; vejo muita Amoralidade, muito "que-se-lixe-que-a-balta-quer-é-cortir". Nem falei de pretensa superioridade (?) ou inferioridade (?) sequer. Como dizes e bem, o mercado é segmentado.

Não te querendo melindrar com tão "inflamado" discurso, apenas quis ilustrar algo, somente, o resto são estilos. Admito que não tenhas gostado particularmente do meu mais acima. Na boa!

Abraços!

 

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Tiago Nogueira
responde a Gato Preto:

Caríssimo,

como estão essas forças?

Deixa-me pegar no que dizes:

"Todos aqueles que decidem um dia dar o passo e entrar para uma Tuna, quando a escolha é variada, têm que saber assumir o que o futuro reserva. Não é educado mais tarde vir com a argumentação do David e do Golias, em exercícios de confronto moral. Tanto mais que em matéria de recrutamento e respectiva formatação e manipulação, a Tuna Universitária pouco pode face à da Faculdade, Instituto ou Escola".

Como bem dizes, um pouco mais atrás "Todos aqueles que decidem um dia dar o passo e entrar para uma Tuna, quando a escolha é variada, têm que saber assumir o que o futuro reserva.", pelo que penso que respondes a ti mesmo no que respeita a campos de recrutamento/formatação/manipulação, o que queiras chamar-lhe.

Tal como uma Tuna Universitária, a Tuna de Faculdade tem limitações grandes no campo de recrutamento, sobretudo no seu tamanho, incomparavelmente menor.
Se há quem prefira juntar-se à Tuna da sua Faculdade, também há, certamente, quem prefira fazer parte da Tuna Universitária. Sabes bem que há vários elementos que fazem essa escolha. Ninguém pressiona nem julga. Felizmente existe a variedade que falas. E sim, de certa forma há tribalismo. Mas pertencer a uma tribo nunca impediu ninguém de ser cidadão de um país com duas tribos. Nem de um continente com muitas mais.
Tal como tu, não encontro problema no tribalismo. Sou, isso sim, contra a guerrilha não fundamentada, apenas pela ânsia de ter um ego mais inchado.

Quanto a Praxe vs. Tuna, estou totalmente de acordo com o RT. Tuna é Tuna e praxe é praxe.

Falando de influências, dentro da Academia, ainda ontem, a propósito do lançamento do novo CD da TMUC, conversava com um dos nossos Tunos Honorários, um distinto professor da nossa Faculdade, e que nos acompanha desde a fundação. Dizia ele que desde a nossa fundação tivemos o apoio de alguns elementos da EUC. Já o sabia, claro. Fico contente por isso e agradeço. Mas repara, isso não significa que ao longo destes anos tenhamos tido o apoio da Secção de Fado... mas lá está, cada um apoia quem quer, que é o tema deste tópico.

Forte abraço,


Adémia (TMUC)

 

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R T
responde a Gato Preto:

Caro gato, aquele abraço!

Voltando ainda um pouco atrás e quando afirmo:

"Esta coisa de que as outras são todas uma *erda - tirando a X e a Y - tem de acabar, desde logo. Reconhecer aos outros valor é reconhecer o nosso próprio valor. Reconhecer que os outros são tão capazes como nós é um exercício da mais pura inteligência. Acontece é que as tunas estudantis universitárias do pós-boom não foram assim educados" (fim de citação).


Este é um dos aspectos mais negativos do envolvimento da Praxe na Tuna, no imiscuir da Praxe na vivência particular da Tuna falando, claro, no caso que vivi e que vou vendo hoje, amiúde, o da Academia do Porto.

Aqui, a sardanisca de hoje em tempos terá sido um dragão, com alguns outros pequenos dragões à volta que, por acaso ou talvez não, também fundaram umas quantas tunas e/ou delas fizeram parte integrante. Ainda assim - e olhando para o que hoje se passa, coisa insignificante e quanto ao todo de 77 referenciadas mas não deixando de haver algo... - a sardanisca volta e meia bebe uns bagaços enquanto tenta acender o fósforo ao mesmo tempo e em frente à boca. Curioso é haver 4 trupes musicais que se amedrontem com "tamanha labareda"....lá está, tribalismos.....no seu pior.

Abraços!

 

[responder a "R T"] [denunciar abusos]

EUC_Capacete
responde a R T:

"Os tribalistas já não querem ter razão
Não querem ter certeza
Não querem ter juízo nem religião
Os tribalistas já não entram em questão
Não entram em doutrina, em fofoca ou discussão
Chegou o tribalismo no pilar da construção."

Um abraço RT, deste eterno tribalista da Académica! Obviamente que subscrevo o que escreveste (depois de explicado) e o que escreveu o Paul... "Gato" (já que ele aqui gosta de andar "undercover").

 

[responder a "EUC_Capacete "] [denunciar abusos]

R T
responde a EUC_Capacete :

E devo-lhe um pedido de desculpas porque volta e meia esqueço-me e chapo o nome em vez do nick....ó Gato, sorry, pá, é aquele alemão, o Alzheimer, que me "ataca" volta e meia....


Abraços aos dois!

 

[responder a "R T"] [denunciar abusos]

Tiago Pássaro
responde a J.Pierre Silva:

Boas.
Obrigado por todas as respostas dadas até agora.
A questão prende-se com o facto de uma criação de uma nova tuna que poderá não ser apoiada pela Universidade dos elementos pertencentes à tuna, deste modo surgiram-me algumas questões. Por exemplo, sendo essa tuna não "apoiada" pela Universidade poderá ser apoiada pela associação de estudantes ( ao nível de fundos, participações eventos da associação etc.)?
Como é que essa tuna responderá por exemplo em termos de código de traje/praxe da Universidade? Terá de cumprir os códigos?

Mais uma vez,obrigado pela disponibilidade e pelas respostas

Cumprimentos

 

[responder a "Tiago Pássaro"] [denunciar abusos]

O Conquistador
responde a Tiago Pássaro:

Caro Tiago:

a) "sendo essa tuna não "apoiada" pela Universidade poderá ser apoiada pela associação de estudantes ( ao nível de fundos, participações eventos da associação etc.)?

R: Pode ser apoiada por quem essa tuna bem entender. Suponhamos que era apoiada pelo Presidente da República. A quem devia essa tuna satisfações? Ao Presidente, é claro.

Nunca será demais repetir: nem tudo o que se faz estando trajado é da alçada da praxe. Esta noção é dificílima de fazer entender.

A tua tuna terá com a praxe a relação que bem entender. Quer estar sob a alçada? Muito bem, Não quer estar? Muito bem. São vocês quem define isso. Vocês e quem vos apoia, claro. Suponhamos que a AE para vos apoiar exige que fiqueis sob a alçada da praxe. Suponhamos que vocês tinham decidido que não queriam estar sob essa alçada. Bom: ou mudais de posição ou tendes de procurar apoios junto de outras entidades que não vos imponham essa condição. Mas cuidado com o negócio que fazeis - não vos vejais na obrigação de ter de andar com um bonezinho a dizer "Drogaria Santos - as melhores ferramentas portuguesas e estrangeiras. Parafusos das melhores marcas. R. Direita, 69, Tel 234567890"

b) "Como é que essa tuna responderá por exemplo em termos de código de traje/praxe da Universidade? Terá de cumprir os códigos?"

R: Creio que já respondi acima. Se optardes por usar o traje da vossa universidade, usai-o com correcção, brio e orgulho. Respeitai-o e fazei-o respeitar.

Quanto ao resto: se quisesses formar uma equipa de sueca e decidissem participar trajados nos torneios, terias de obedecer a esses códigos? Em quê? No que diz respeito ao traje, única e exclusivamente, correcto?

Terias de deixar entrar um veterano para essa equipa só porque ele era veterano? Teria esse veterano de ser titular obrigatoriamente, ou teria de mostrar o seu valor como jogador de sueca? E admitirias que viesse alguém de fora dizer-te para ires a destrunfo quando tu achas melhor jogar o duque de copas?

Pois então com uma tuna deve ser a mesma coisa.

Aconselho-te a dar uma vista de olhos ao "manifestum tunae" - há já um tópico aberto sobre isto e lá encontras o link. Dado que sou o primeiro subscritor, é óbvio que concordo ponto por ponto com o que lá está escrito.

Abraço e

BOA MÚSICA!

 

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Bruno Serra
responde a Tiago Pássaro:

Caro Tiago

Nada ou ninguém te pode impedir de criares o que quer que seja, desde que não uses o nome o dependas dos mesmos. Logo, pede autorização e apoio a quem está contigo e quer que o projeto vá para a frente. Criar uma associação juvenil, com o apoio do estado é do mais fácil que existe, em qualquer balcão do IPJ(Instituto Português da Juventude) ou no site da instituição te fornecem informação mais que suficiente para o poderes fazer. Torna-te independente enquanto associação e tuna e evitarás futuros dissabores...

 

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