Portugaltunas - Tunas de Portugal

Gato Preto
responde a R T:

Caro R.T.,

Para início da discussão deste tópico sugiro a audição do tema de Rita Lee "Amor e Sexo".

Cada um de nós que projecte a dicotomia aí explícita para o caso concreto. De que se gosta mais, afinal? De excelente companhia, para a vida, ou de momentos de adrenalina?

Devo dizer que quase todos os Festivais surgiram do formato Encontro. Se para aí avançaram por algum motivo foi.
O que muitos gostariam era que um Festival tivesse o espírito carola de um Encontro e este possuísse a qualidade do primeiro. Mas, não sendo impossivel, é muito díficil.

Tal qual o desejo de se manter uma relação pessoal no perene gozo de todas as suas virtuosidades.
Nada aguça mais as capacidades do que um bom desafio. Nada adormece tanto como um passeio e o remanso...

Agora se me perguntares o que pessoalmente prefiro? Tem dias. Não trocaria um Encontro que fosse bem elencado e estruturado, com objectivos culturais definidos, que penetrasse com acuidade no tecido social, que ajudasse a reformatar a imagem das Tunas, por um qualquer Festival que sirva para mera imposição da Tuna no seu próprio universo.

Num dos tópicos anteriores relativos ao ENT e suas conclusões, um participante, o Macieira, lançou a sugestão de debate de vários temas, um dos quais "Qual a realidade de certas Tunas se não existissem Festivais?".

É matéria de auto reflecção e cabe aqui inteirinha neste tópico.

Abraço

 

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J.Pierre Silva
responde a R T:

São expressões necessárias.Oproblema está em saber o que nos move.

Veja-se o caso dos grupos corais, dos Coros. A quase totalidade dos eventos em que participam, e que existem, são encontros e concertos sem qualquer competição; e no entanto o nº de coros ultrapassa em milhares o nº de tunas.
Mas também existem eventos competitivos, mas numa proporção infinitamente oposta ao que sucede no mundo tunante.
Não precisam de prémios para obterem reconhecimento ou prestígio, não precisam de prémios para possuírme um repertório imensamente mais vasto do que as nossas tunas, não precisam de galardões para também trabalharem com gosto, afinco e qualidade.

Nada contra festivais, senão o facto de pensar que a nossa comunidade tunante parecer ter-se esquecido que há vida para além de festivais e que se pode ser tuna fora destes.

A relação entre encontros não competitivos e certames a concurso é demasiaod desproporcional - algo que tem levado a uma certa descaracterização da Tuna, resumida a equipa de competição, cujo calendário é ditado pelos certames.

A questão é já velha: há uns anos, aqui no PTunas, o JPS sugeriu 1 ano sabático de festivais, mas obviamente que isso seria o fim de muitas agremiações tunantes (pelo menso das que quase existem apenas em função de papar prémios).

Seria importante inverter esta actul tendência onde se promove o parecer do que o ser, onde muitos (demasiados) acham que só uma lista considerável de prémios é que atesta, qual pedigree, a legitimidade e reconhecimento inter-pares.

Que dizer de uma TAUC que continuam somando anos de actividade, ela que é a mais antiga do país? E da Tuna dos Antigos Tunos da UC que também não andam em certames a concurso, mas faz as delícias de quem os ouve, e vê aqueles "velhotes" felizes e realizados pelo simples gosto de exercerem o negro magistério?

São importantes os certames? São, bem sabemos, mas na devida conta, peso e medida.
Resta é saber atribuir a real importância das coisas.
A Tuna é que é importante, não os prémios que ganha ou possa ganhar.

Há 1ª e 2ª divisão nas tunas?
Poderemos dizer que sim: a que podemos discutir em termos de prestígio histórico (advindo de vários factores); a que podemos discutir em função do tamanho da vitrine de prémios e a que podemos também discutir em função da sua verticalidade, idoneidade e forma de ser e estar.

Mas enquanto continuarmos a discutir rankings e divisões, a Tuna deixará de ser o que deve para pensar no que deve parecer.

Festivais são importantes porque promovem a melhoria musical (embora também promovam aspectos negativos a não descurar, porqu eporventura mais do que os positivos).
Encontros? Muitos. Precisamos de recolocar a Tuna em ambiente de encontro com as demais, exercitando a gratuidade e espontaneidade do ser Tuno e do ser Tuna (gratuidad eno sentido de apenas nos mver o gosto de fazer parte, ao invés do fazer parte para meter umas medalhas ao peito).

Todos gostamos de ganhar e de sermso reconhecidos, mas daqui a 20 ou 30 anos, quem se lembrará dos prémiso ganhos?
O próprio tempo encarrega-se de separaro trigo do jóio. Todos bem sabemos que as gratas recordações são precisamente as que ocorrem fora de palco e quando não se está obsecado com vencer troféus.

Por que razão, então se continua a apostar em certames?
É a moda. É, essa sim, uma evolução da Tuna em relação as de antanho.
Trouxe coisas boas, mas as outras a reboque também.
Só o tempo dirá se os benefícios superaram o déficit.

 

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R T
responde a Gato Preto:

(Perdoem-me o testamento....)

Uma vez mais, devemos procurar as causas a montante para tentar, repito, tentar explicar parte da questão; a construção que fomos edificando ao longo destes últimos 25 anos grosso modo é resultado directo das acções, omissões, posturas e orgulhos que todos nós, então, tivemos. Nem sequer interessa agora discutir as razões para. Mas devemos procurar na base o que realmente acaba por explicar o cenário actual. É nisso que a História interessa, daí a pertinência do conhecimento generalizado da mesma.

Então, nos finais de 80, inícios de 90, os certames eram coisa rara, desde logo; note-se como prova de tal as edições que alguns certames têm e deduz-se a abrir que poucos eram os existentes então nesses tempos. Contudo, mesmo com o cenário de então – onde os encontros, saraus culturais, serenatas, etc etc eram seguramente 70 % da actividade das tunas de então – a Tuna vingou, cresceu, multiplicou-se, progrediu, disseminou-se. Perguntarão então Vªs Exªs mas então que os – nos – movia, então? Outros tempos e contextos até sócio-politico-económicos: A liberalização do Ensino Superior, uma taxa de natalidade que 20 anos antes atingira números históricos, batendo certo com o final do ensino secundário e entrada no Superior, a afirmação cada vez maior da Mulher, contexto económico que possibilitava aos pais de então – privados muitos deles de terem ingressado na Universidade por força da Guerra Colonial, emigração e poucos recursos económicos – colocarem os seus filhos na Universidade, fosse ela estatal, privada ou concordatal, projectando nos filhos a juventude que lhes fora negada. A somar, o renascer das Tradições Académicas que se afastavam do estigma politizado dos anos 60 e 70 e, a somar a tudo isso, o modelo – único – de tuna que conheciam, o da tuna espanhola, que entrara pelas casas dos portugueses graças ao “Gente Joven”. Deste cocktail Molotov altamente explosivo surgiu a tuna portuguesa, em nada a ver com o modelo de tuna que antes existira na Universidade portuguesa da transição do Século XIX para o de XX, ou seja, 80 anos antes mais década menos década. Tudo isto bem misturado deu naquilo que conhecemos por tuna portuguesa contemporânea, se quiserem assim chamar-lhe.

Daí em diante, foi um salto maior que as pernas: Tunas que serviram de tropa de choque da Praxe e das Tradições, como sendo uma espécie de prolongamento dos Cortejos; As Universidades/Faculdades/institutos delas se serviram como outdoor´s de promoção aos seus próprios serviços, cativando alunos novos até por força de terem dentro de portas uma Tuna (ou duas ou três, por vezes), apoiando-as em todas as actividades que exerciam e pretendiam levar a cabo. Uma espécie de marketeer´s encartados de promoção das suas imagens institucionais. Por outro lado, nesses tempos, a novidade tinha como aliada a permissividade e até alguma libertinagem, desculpando-se à malta das tunas tudo e mais alguma coisa porque era irreverente, engraçada e até animava um país que tinha vindo de um longo período sisudo e carrancudo de seriedade imposta unilateralmente. A malta das tunas era fixe, como o era o Soares, pois então! Era a malta da PGA que agora se vingava fortemente, em suma, e os pais, Reitores e afins até achavam graça e, pasme-se, até incentivavam. Arrumou-se os ZX Spectrum e descobriu-se os bandolins, cavaquinhos e pandeiretas. Até o Governo, então, ajudou à festa, abrindo Universidades por todos os lados – hoje, sintomaticamente, fecha-as…

A juventude portuguesa de então descobriu algo muito mais interessante que as “jotas” políticas e vai daí, resolveu aproveitar todo este idílico cenário montado, em perfeita conjugação cósmica de factores, para poder fazer algo que não fazia desde as Lutas Estudantis de outros tempos, até mesmo desde a Federação Ibérica: Viver a e na Universidade – hoje, passa-se e de raspão pela Universidade e não se vive a mesma.

E é aqui neste ponto que se explica o que se passou daí em diante: Se uns têm certame, nós também tínhamos de ter, se uns ganham prémios porque razões mais absurdas não poderiam os outros ganhar? E assim sucessivamente. Esse viver na e a Universidade potenciou uma vivência única, memorável, especial até que obviamente careceu de espírito autocrítico. Foi-se caminhando sem saber porque razão se escolhia este ou aquele atalho; simplesmente porque se aqueles foram por ali, nós também tínhamos de ir. Simples. Não carece de mais delongas, até. Daí a se perder o tal lado de vivência na Universidade e passar a um estádio de mais especialidade técnica foi um ápice. Os tempos começaram a mudar, as Universidades já não são as mesmas, agora o Estado já não quer saber dessa “onda” para rigorosamente nada, a sociedade civil saturou-se do que se fez e vai fazendo, numa repetição calendarizada de praticamente tudo e sem novidade alguma. A malta de hoje é bem menos do que aquela de antes, hoje há menos tempo para dispensar nestas coisas e por fim, antes eram cursos de 5 anos e agora são de 3. Deixou de estar na moda. E perdeu-se com isto tudo uma oportunidade soberana para deixar uma marca positiva da tuna enquanto cultura única, caindo-se numa resignação festivaleira e repetitiva que apenas serve aos seus intervenientes, desligando assim a tuna do restante tecido social de forma, direi, quase irreparável. O mal está feito, estamos pois, hoje, todos – quase todos… - “preocupados” em ganhar ao vizinho do lado e não em cativar a sociedade civil para o que realmente fazemos. Antes a Tuna organizava-se socialmente em função do que era realmente e da imagem que queria projectar para fora; hoje,a tuna organiza-se em torno do festival competitivo, apostando o que tem – e o que não tem….– em ensaiadores pagos a peso de ouro, cordas Thomastik e show´s off. Antes, apostava-se na digressão; hoje, na premiação. Beneficência e romantismo, onde andais!?

Por isso é o festival, hoje, uma espécie de antecâmara da própria sobrevivência da tuna, ou seja, sem ele grosso modo o resto é tão pouco ou quase nada para além de umas tainadas entre os seus elementos. Quem consegue escapar a esta malha é definitivamente herói porque consegue ver na tuna algo mais do que ganhar ou perder. Por outro lado, se olharmos ao calendário que anualmente se repete, quase que não há eventos que não certames competitivos, o que torna ainda mais difíceis as coisas para aqueles que vivem a tuna de facto.


Evidentemente que há excepções. Ainda bem que as há. Evidentemente que não se pode diabolizar o certame, claro que não, que trouxe a seu tempo muita coisa positiva e inovadora; hoje, de inovador coisa nenhuma trás, o que prova o seu errado entendimento na base. O certame deveria servir – e pese a cópia do modelo espanhol que adoptamos – para incentivar o que de melhor pode uma tuna oferecer. Deveria servir para mostrar progressão de facto, dinamismo, pró-actividade tuneril. Ao invés, o que vamos vendo parecem fotocópias uns dos outros, sinal inequívoco da falência não do certame enquanto tal mas antes do entendimento refém que foi dele feito. Valho-nos alguns que já perceberam a verdadeira e importante função intrínseca de um certame de tunas.

A Escócia só percebeu que poderia ser Escócia quando os clãs se entenderam e deixaram, por isso, de arriar sacholadas uns aos outros. Deixaram de ser um conjunto disperso de clãs para serem um só clã e com isso a Escócia ganhou. Perceberam que só assim poderiam ser respeitados, dando-se desde logo ao respeito. Enquanto andarmos a medir as sacholadas que damos uns aos outros – e não só são dadas como ainda por cima se revezam a dar… – não vamos a lado algum. Haveria que parar com este círculo vicioso que, pasme-se, não aproveita a ninguém e muito menos interessa a quem está de fora do nosso pequeno grande mundo. Será que o Quim das iscas se preocupa com que tuna ganhou ou deixou de ganhar o festival de Assenaipas de Cima? O tipo vai para casa a debater o certame com a mesma garra, entusiasmo ou paixão com que debate um FCP/SLB? Chateia a mulher porque ganhou a tuna x e não a y? A vida vai mudar na Segunda-Feira lá na fábrica por causa disso??? O patrão vai aumentar os funcionários porque a tuna da faculdade dele ganhou o certame???

Gosto de festivais, apesar de tudo. Como gosto de encontros, jantares, serenatas e digressões; no gosto, não muda muita coisa. Porque às tantas o faço por gosto, simplesmente. Não é o festival a Al Qaeda das tunas, nada disso. Só o é para algumas mentes que não conseguem perceber uma simples coisa: o festival é apenas UMA das várias manifestações que uma tuna por excelência pode e deve exercer na sua vivência quotidiana. Apenas UMA; não “A” actividade única, supra, ultra, top, pop. Não. Haja certames mas haja também tudo o resto. E isso, meus amigos, só depende…de nós.

Olhem para os espanhóis, aqui mesmo ao lado. Nós, na nossa saloia “aljubarroteirice” nem sequer conseguimos perceber porque raio eles sobreviveram á abolição do Traje, a Reis, a Presidentes da então 1ª e 2ª Repúblicas espanholas, ás autonomias, à ETA, a Franco e até sobrevivem ao Zapatero. Lá vão, citando Carlos Tê, “sempre na sua, sempre cheios de speed”. Era este “speed” que tínhamos e que, hoje, só o vemos…em palco.

Tenho dito. Aguardo a Vª lapidação Iraniana….

 

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O Conquistador
responde a R T:

Queria deixar só uma pergunta no ar. Cada tuno e cada Tuna que reflicta e decida:

Os festivais foram feitos para as tunas, ou as tunas é que foram feitas para os festivais?

Abraço, boa reflexão e

BOA MÚSICA!

 

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Mãezinha Baco's Tuna
responde a O Conquistador:

Eu já cá venho ler... entre teses, relatórios, trabalho, estágio, tuna, associação... NÃO TENHO TEMPO!! (Mais logo, às escondidas do patrão)...

beijinho!

 

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J.Pierre Silva
responde a O Conquistador:

Bem sabemos a resposta, caro Eduardo, mas sabes tão bem quanto eu que se pratica o "olha ao que digo e não ao que eu faço".
Todos concordarão que os festivais foram feitos para as Tunas, mas ninguém mexe um dedo para deixar de pensar a Tuna para festivais.

 

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R T
responde a J.Pierre Silva:

Ora cá está, porventura, uma boa janela de oportunidade para quem, na vanguarda e no pioneirismo, assuma as suas responsabilidades enquanto tal. Comecem alguns vetustos certames a fazer uma ou outra edição não competitiva e provavelmente alguma coisa mudará. Digo eu....

Abraços!

 

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Gato Preto
responde a J.Pierre Silva:

Mais um "testamento".

Caro Jean-Pierre,

Felizmente há excepções.

Como refiro anteriormente não trocava a participação num qualquer evento no qual a sociedade civil reconheça a sua validade e importância, por outro que por melhor organizado que fosse, apenas recaíria num mero concurso onde o objectivo único é ganhar prémios decorrentes da compita.

Isto em alternativa. Pois houvesse tempo e disponibilidade, participaria em ambos. Cada um é como cada qual, diz-se. Eu gosto de Festivais. Prefiro-os aos Encontros.

Um Festival impele à organização. Cria responsabilidades artísticas, musicais e circenses. Por regra apresenta-se nos melhores palcos com apostas fortes em sistemas de luz e som. São quentes e participados e nada obsta que também sejam Encontro.

Quando recorres ao exemplo dos Grupos Corais(os Fólcloricos também podem servir de exemplo) e à não existência da vertente competitiva, esqueces-te que estamos a colocar o debate no meio estudantil e académico. Aqui, ao contrário do que afirmas a racio Coro/Tuna deverá ser no mínimo de 1/10. Mas, também no universo coral há competição e muita.
Se bem que no estrangeiro, não me lembro de nenhum Festival de Coros no qual o meu (Coro dos Antigos Orfeonistas da U.C.) tenha participado que não tenha havido concurso.
Também por essa via, ele constituíu-se como referência ímpar no panorama Coral português e europeu.

Um Encontro pretende ser um Festival sem prémios. Quando se recebe um convite para um Encontro, a primeira análise não é saber quem está para avaliar o nível artístico da concorrência e a putativa qualidade do evento, mas sim para avaliar o nível moral dos presentes, e o apetite em querer aturar este ou aquele.

Ao contrário do que se possa pensar um Encontro pode perverter todo o espírito que deve presidir à relação inter-Tunas. Uma Tuna não tem que conviver com outra simplesmente porque ambas o são, mas sim quando ambas o provam ser.

Não lido bem com amizades impostas. Prefiro descobrir e cultivar para mais tarde colher. Faço-o a eito sem olhar para o estandarte que as tutela. E olha que não me tenho dado mal.

Como sabes, porque aqui já o defendi, acredito que as relações desta natureza devem corresponder a lógicas institucionais graves e celebradas sob os auspícios de quem, no fundo, nós representamos.

Renegaria sempre um irmanamento, apadrinhamento ou acto similar se na sua génese apenas se colocassem razões de ordem sentimental. Por outro lado o facto de manter relações de parentesco com uma Tuna, não garante que andemos todos aos abraços. Ajuda, mas não determina.

O que penso que interessa discutir aqui não é a eventual perigosidade de um Festival e competição subsequente, no que concerne à convivência do mundo tunante. A comparação relativa de uns em função dos outros, existirá sempre seja Festival ou Encontro. Está na nossa natureza. Há é que saber lidar com a coisa.

Como modelo pernicioso, cito as relações ciúmeiras entre fadistas, exemplo acabado do mundo cão, e que me conste não há ningúem a promover espectáculos com escolha final e atribuição de prémios a uns em detrimento de outros.

Já ao nível da forcadagem, meio ao qual as Tunas deveriam retirar excelentes exemplos, a competição existe, mas a sua cultura e praxis permite relevar os resultados. Muito mais importante é a lição de vida que o grupo retira e guarda.

Chegado aqui com a convicção que a disputa, se saudável, não me assusta nem me causa arrepios, devo dizer que apesar do atrás referido só tolero um Festival se este demonstrar utilidade.

Não tenho qualquer tipo de constrangimento em afirmar que o Festival que é tutelado pela minha estrutura, a Secção de Fado da AAC, já conheceu de tudo.
Começou como Encontro, foi Festival, passou ao "diz que é uma espécie de festival" e hoje é de novo Festival.

Este ano o FESTUNA alargou-se a outras vertentes que extravazam em muito o habitual dos Festivais. Não vou reescrever os princípios, muito menos entrarei no fastidioso descritivo da organização.
O certo é que foi Festival e Encontro simultaneamente. Nele participaram muitas Tunas e Organismos Académicos, não referidos na reportagem do PT. Não, não foram a concurso, mas a sua paricipação foi imbuída de um espírito nobre e não menos importante.

O FESTUNA foi ecológico, foi solidário, foi desportivo, foi infantil. Envolveu a sociedade civil, não só do Concelho, mas de todo o Distrito. Interrompeu o sedentarismo de muitas pessoas que infelizmente vém a vida a passar sempre do mesmo sítio. Não ficou fechado numa sala à espera de vender bilhetes e distribuir prémios. Foi proactivo.

À conta do FESTUNA e seus participantes, conseguiram-se milhares de euros, quilos de alimentos, resmas de material médico, posteriormente distribuídos por inúmeras instituições e casas de solidariedade.

Neste sábado, dia 6/11, decorreu a Gala António Lúiz Gomes (1º presidente da AAC)onde foi atribuído, entre outros os, o galardão para o melhor Evento Cultural do ano.

De realizações como Caminhos do Cinema Português, Mostra de Música Moderna, Festival Internacional de Teatro Académico, Encontro de Coros (em ano de 130 do OAC), Encontros de Fotografia, Queima das Fitas, Latada, etc, a escolhida foi o "XX FESTUNA - Festuna Ecológico, Festuna Solidário, Festuna dos Pequenitos, Festival de Tunas".

Foi o melhor Prémio que alguma vez conquistei na minha vida de Tuno.

Abraço

p.s. 1 - desculpem só ter assado a minha sardinha.Mas, se nós não gostarmos das nossas coisas, quem é que vai gostar?

p.s. 2 - Jean Pierre, essa do Black Cat terá alguma coisa a ver com o "Just a Closer Walk with Thee"? É que ainda se abre outro tópico...lol

 

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Gato Preto
responde a R T:

Caro R.T.,

Deixa-me saudar-te particularmente.

A tua intervenção é brilhante. Uma autêntica aula. Contàste uma estória com história. Documentada, fidedigna e sobretudo depositaste um papiro. Para que conste e que a malta aprenda.

Fizeste-o com sentimento e envolvência q.b..
Que sirva para muitos daqueles que procuram e perguntam os porquês da nossa razão de existir. Para os Tunos e os anti-tunos.

Não, meu Mocho, não fizes-te um testamento tipo seca, como queres prevenir.
Antes, deixaste um legado.

A melhor homenagem que todos poderiam fazer era carregar em duas teclas: Ctrl+C

Penhorado, te envio o tradicional mas não menos especial

Abraço

 

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R T
responde a J.Pierre Silva:

Pierríssimo e restantes Ilustres Dignatários da Nação Tuneril Portuguesa....

Deixo-vos com uma letra tão magnífica quanto apropriada, dos "nossos" Carlos Tê e Rui Veloso, que, sintomaticamente, se chama "Valsinha das Medalhas".....À Vª Superior Consideração, pois.....


"Já chegou o dez de Junho, o dia da minha raça
Tocam cornetas na rua, brilham medalhas na praça
Rolam já as merendas, na toalha da parada
Para depois das comendas e Ordens de Torre e Espada
Na tribuna do galarim, entre veludo e cetim
Toca a banda da Marinha e o povo canta a valsinha


Encosta o teu peito ao meu, sente a comoção e chora
Ergue o olhar para o céu, que a gente não se vai embora
Quem és tu, donde vens, conta-nos lá os teus feitos
Que eu nunca vi pátria assim, pequena e com tantos peitos


Já chegou o dez de Junho, há cerimónia na praça
Há colchas nos varandins, é a Guarda d'Honra que passa
Desfilam entre grinaldas, velhos herois d'alfinete
Trazem debaixo das fraldas, mais Indias de gabinete
Na tribuna do galarim, entre veludo e cetim
Toca a banda da marinha, e o povo canta a valsinha"

 

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R T
responde a Gato Preto:

Agradeço-te penhorado mas não mereço a "medalha", de todo....causam-me apenas peso na lapela....

Nem que seja UM de nós: Se esse UM ler com olhos de ler e for para casa a pensar no que leu, então já valeu a pena....o resto fica para as "kalendas Gregas"....

Apenas um "cheirinho" do que por aí virá, em breve, em formato livro, nem que seirva o mesmo para nivelar a mesa lá de casa....

Abraços!! E não, não aceito a tua "comenda", apenas a tua simpátia e o penhor da tua amizade!

 

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J.Pierre Silva
responde a Gato Preto:

Obviamente que há excepções, valho-nos isso,mas vão rareando. O caso que tão bem ilustras será uma delas.

Um parêntesis: Já agora, em toda a honestidade, começa-me a ser difícil usar a expressão "felizmente há excepções" (as ditas honrosas excepções), isto porque é pernicioso:ao fazé-lo, cada qual, mesmo que não se insira nelas, tenderá a achar delas fazer parte.........e, por isso, a mensagem profilática não tem qualquer resultado, porque é como a história do bom-senso, em que todos o julgam possuir q.b., achando que a conversa e o apontar de dedo é para "outros" (o velho assobiar pró lado)
Mas também sei que se começar a apontar as honrosas excepções, "aqui del-rei!" porque se está a discriminar (mesmo se legítima a descriminação positiva).
Quanto tiver mais uns anos em cima (quando chegar aos 50, por exemplo), quiçá me dê ao luxo de dizer, tacitamente, e pouco me borrifando para o ferir de susceptibilidades, o que é Certame, o que é Tuna e tudo aquilo que é mero faz de conta............chamar os bois pelos nomes, sem pejo (porque até é disso que muito se precisava: frontalidade em apontar o dedo).
Mas por uma questão de saúde comunitária, ainda me fico (mesmo que algo contra a vontade) por omitir, quiçá na vã esperança que as carapuças sejam assumidas. (fim de parêntesis).


Falaste dos grupos corais ou folclóricos, e muito bem. Há competição, mas rara, em termos de certames. Os antigos Orfeonistas, pro exemplo, que tão bem citas (e tão bem conheço), fazem 99% da sa actividade fora de cetames. Lá um aou outra vez vão a um concurso (um dos últimos, na Rússia, rendeu-lhes o 1º prémio). Ou seja, a proporção de certames Vs encontros não tem nada a ver.

Não sou contra festivais. Acho-os importantes. Sempre neles participei com gosto e emoção. Mas quando se exagera na importância que lhes é dada........manifestamente recuo e volto a olhar para os encontros com saudade da calma e da descontracção que caracteriza estes. onde não se anda de soslaio porque X foi benficiado no tempo, porque Y isto ou aquilo.
Obviamente que festivais que mais parecem encontros são o desejável, mas CIRTAV(s) e Terras de Cante não os há ao virar da esquina.

Não vou pela questão da participação segundo a qualidade de quem está no cartaz. Tanto um encontro pode reunir a nata musical tunante, como um certame ter lá o que de por se faz no nosso país.
Relativo, obviamente, cada caso é um caso.

Eu preferia festivais menos competitivos, menos geradores de fraticidadas trocas de mimos. Era o que eu preferia. E entre ter ambientes de autêntica guerra fria, prefiroa ausência de cenouras que ponham os coelhos à bulha.

De resto, subscrevo inteiramente o que dizes.

Abraço

 

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J.Pierre Silva
responde a Gato Preto:

Uma partilha (apetece-me recordar.....ser saudosista....deve ser da idade, hehehe).

Há uns anos largos, e no seguimento de uma digressão ao Brasil, deslocámo-nos a Nespereira de Cinfães, a convite do rancho local, com quem estivéramos quase um mês em terras de Vera Cruz.

Ambiente de aldeia, claro está. Palco em cima de um atrelado, bastantes micros e uma população em peso a assistir.
O espectáculo em si não será o mais importante (mas foi num ambiente informal, cheio de boa disposição).
O que me ficou foi a refeição, com batata a murro e bacalhau, regado com vinho regional servido em malgas (daquele vinho que deixava marca na tigela). Parecia o regresso aos meus tempos de aldeia e de trabalho nas terras. Uma refeição em tal ambiente rural que parecia que nada mais existia à volta. Parecia estarmos num mundo ainda inconrrompido, onde tudo era genuino, simples....verdadeiro.

Momento alto: a tasca defronte a praça principal (e única).
Sentado (sentados) à volta das mesas, provando os petiscos caseiros, os néctares provindos de garrafas por estrear há dezenas de anos (a julgar pelo pó nelas acumulado).
Os velhotes........aquelas enciclopédias vivas a narrar feitos, a acolher de braos abertos como se esperando, há tanto, por uma novidade, uma mexida, no rame-rame costumeiro, lento e cíclico da pacta vida do Portugal serrano e profundo.
A alegria daquelas rugas ao ver aqueles estudantes, a voz trémula das idosas a cantar aquelas fados já enferrujados que há tanto esperavam uma oportunidade, as cantigas ao desafio................

Sentirmos que, para aquela gente, fomos bem mais do que mais uns; sentir que apenas a nossa presença foi uma lufada de felicidade para a alma e as gentes.......valeu todos os festivais até então palmilhados.

De lá saímos também, cheios, com a alma a transbordar de satisfação por uma experiência que, pelo contacto com aqueles ares puros de verdejante serrania, com aquelas gentes simples espontâneas e genuinas, foi um retemperar de valores e o perceber o quanto a Tuna tem espaço de realização sem ser a medir forças, sem ser em salas de concertoe com troféus em disputa.

Os aplausos, os abraços, os convites para comer e beber, os pedidos de atenção para uma estória, uma cantilena, uma conversa........o ver o quanto rejuvenesciam aqueles anciãos (nesse fim de dia e noite, não houve reumáticos, doenças, dores......nada) e a estima que é devotada......... são singulares recuerdos que me marcaram profundamente.

Poderia recordar alguns certames também especiais, mas como aquela actuação em Nespereira de Cinfães, lá bem incrustada na Serra de Montemuro....... poucos momentos tive assim (não necessariamente o melhor, porque não foi, mas de tal forma sui generis que me ficou).

Abraço

 

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Putin EAISEL
responde a J.Pierre Silva:

Já agora penso que seria útil referir o que se entende por festivais que mais parecem encontros, o J.Pierre citou dois: Terras de Cante, e CIRTAV.
Que características têm estes dois que os tornam diferentes dos demais?

 

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O Conquistador
responde a J.Pierre Silva:

Ó Pierríssimo:

a questão era retórica, mas não ociosa...

Estava (e estou) curioso para "ver" as respostas da nova (em termos biológicos) geração.

Aliás: a ausência de respostas é, por si só, uma resposta... e bem significativa.

Aquele abraço!

 

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Gato Preto
responde a Putin EAISEL:

Caro Putin,

Apesar da minha veterania nunca tive o privilégio de estar em nenhum dos Festivais que são referidos pelo Jean-Pierre. Mas se ele o diz eu confio.

No entanto associo a minha à tua curiosidade.

Que venha o esclarecimento!

Abraço

 

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Macieira .
responde a Gato Preto:

Somos 3...

Mas por mais que seja diferente, continua a ser um festival...
continuava assim a preferir tocar numa casa de idosos que ir a um festival

A minha questão será, o que é que aconteciam às Tunas ou que Tunas é que existiriam se não houvesse festivais?

Abraços e Bjs ;)

 

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J.Pierre Silva
responde a Putin EAISEL:

Vou falar apenas pelo CIRTAV, que é o que eu conheço por dentro.

Preambularmente, dizer que é um certame recente, contudo organizado pro uma tuna já com muitos anos e palcos palmilhados. Uma vantagem porque a experiência de participação ajudou a maturar o desenho e, quando finalmente se decidiu pela 1ª edição, sabia-se perfeitamente o que se pretendia e como fazé-lo bem, a partir dos bons e mais exemplos que muitos anos de observação deixaram.

Este, o CIRTAV, apresenta, no aspecto puramente competitivo, critérios avaliativos objectivos e bem balizados (sem margem para "manobras"), a que se soma um processo de somatório de pontos inovador e que, também ele, não permite "flexibilidades". Cada jurado atribiu a sua pontuação, a qual é gerida por uma tabela em excel que faz o somatório e ponderações automaticamente. Tal não impede que os jurados debatam (porque o fazem), mas evita discussões vãs ou quaisquer pressões inter-pares. Tudo isto funciona, também, graças à escolha de pessoas experientes no mester tunante, competentes, entendidas na matéria e idóneas. O modelo do CIRTAV preconiza que, no caso dos jurados de palco, 3 dos 4 sejam fixos, rodando um que vai sendo convidado (e todos os jurados são escolhidos pelo Presidente do Júri que acompanha todo o certame).
Não vou alongar-me, mas poderão ver, no link que se segue, o funcionamento do raciocínio (quanto a mim, o único realmente adequado e justo para certames com componente de palco e fora deste), e terem acesso à tabela e critérios: notasemelodias.blogspot.com/2008/06/notas-sobre-avaliao-de-festivais.html

Quanto ao elenco de jurados, basta que no mesmo blogue, teclem CIRTAV e encontrão os vários das várias edições.

Permite isso uma coisa, à partida: que as tunas participantes o façam totalmente descansadas quanto à seriedade e justeza da avaliação. Poderão nem todas ficar satisfeitas, mas até agora nenhuma sequer levantou a dúvida de qualquer marosca ou má atribuição de prémios. Um descanso e tranquilidade que jogam a favor (pelo menos têm jogado).

Um outro ponto a favor passa pelas tunas que se convidam. Não existe elitismo na procurados nomes sonantes, até porque qualidade há sem ser nos mesmos, mas obviamente que a organização coloca uma bitola que satisfaça um espectáculo de qualidade, procurando tunas acima da média em termos musicais, mas não só (até pelo que os critérios ditam, convidar certas tunas seria incoerente, nomeadamente algumas que bem sabemos).

Mas o ponto forte é, acima de tudo, a despreocupação competitiva. Diria que todas, sem excepção, que até hoje participaram não vieram essencialmente pelos prémios, mas por conhecerem a tuna anfitriã e saberem os valores que a norteiam.
Sabendo a organização que o modelo avaliativo não seria causa de dissabores ou azedias, a aposta foi claramente no bem receber, no convívio e nas experiências proporcionadas, numa relação de enorme proximidade, diria da familiariedade, não apenas por interpostas guias (também elas escolhidas pela qualidade), mas presencialmente por parte dos tunos organizadores.

O Bóquinhas, a "Faculdade Bóquinhas", mítica tasca tunante, é um dos atractivos, porventura o maior de todos, por nele, e em torno dele, proporcionar verdadeira comunhão tuneril, ambiente e empatia.

A escolha do local - zona histórica, para refeições, bares, concerto (no adro da Sé), Serenata, dormidas....... evit dispersão e cansaços, valoriz aum espaço que é acolhedor e suficientemente medievo para conferir aquele magia, aquele ambiente.

Acompanhamento personalizado, refeições e dormidas de qualidade (sem serem precisos luxos), aposta na relação directa e pessoal.....................

Dir-me-ão que isso também o há noutros certames. Pois haverá, mas sem falhas dignas de registo......... não é costume.

Leva-se a sério o certame, mas não se dá demasiad aimportância aos prémios, dado o fair-play criado antes, durante e depois, genuino, espontâneo.

Sem megalomanias, mas de forma simples; sem XPTOs, mas enorme cuidado em receber bem, e o cuidado para que todos saiam de Viseu satisfeitos, independentemente do que levam para a vitrine.

E basta ver a quantidade de tunos que aparecem em grupo ou individualmente, provindos de norte a sul do país, só para viverem o certame e o seu ambiente. No ano passado veio pessoal da TUB, de propósito, e contudo não estavam a concurso, contudo por 2 vezes tinham participado sem levar qualquer prémio (note-se), mas fizeram centenas de quilómetros para estarem, bem como pessoal da Figueira, Lisboa, etc.

Não é o melhor do mundo e arredores, mas a crítica tem sido generosa, porque será daqueles tais eventos que são como que um Encontro de Tunas, mas com prémios.

E se me é permitida a imodéstia, pelo menos no que toca ao modelo avaliativo (e apenas para certames com a componente palco e extra-palco), se ele fosse seguido e implementado noutros certames, mais justiça e qualidade teriam os mesmos (conquanto a escolha do júri fosse consentânea). Evitar-se-iam desconfianças, fraticidas trocas de mimos e, porventura, justas razões de queixa.

Mas nada melhor que perguntar ao RT, aos grandes alentejanos da TUB, ao Juíz ou demais amigos da Tuna Bruna (actualmente Universitária da Figueira), pessoal da T.U.A., ao Short e amigos da Copituna, à Katy das Meninas e Senhoras da Beira (as nossas guias), ao JPS (membro residente do Júri), ao pessoal da Tuna do IPAM ou da Fernando Pessoa do Porto, às simpáticas meninas do blogue Túnicas ............
Melhor do que eu, que poderei não estar a ser totalmente imparcial, são eles que podem ajuizar e testemunhar.

Eles que digam de sua justiça.

Estamos é a sair fora do assunto do tópico.

 

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Gato Preto
responde a Macieira .:

Caro Macieira,

Uma coisa não anula a outra. Os espectáculos são diametralmente diferentes. Ambos com a sua importancia.

Se te deres ao trabalho de ler um post que dentro deste tópico escrevi, verás que através de um Festival poderemos ajudar quem mais precisa. Depende das vontades de utilizar as sinergias que estão à disposição.
Estou convicto que muito há a fazer. Usemos a imaginação.

O que aconteceria às Tunas se não hovesse Festivais, perguntas.

Não sei.
No que à minha diz respeito acredito que pouca coisa se alteraria.

A EUC participa no máximo em 3/4 Festivais por ano. Concretizando, 2008 - FITUA, 2009 - TUIST, FITUA e CELTA, 2010 - EL AÇOR, TUIST, PORTUS CALLE e CIDADE BERÇO.

Solicitações de outra ordem e cariz não faltam, felizmente. Talvez por isso a forma com que nos apresentamos em Festival não seja avassaladora. Participamos ao máximo e com gosto, mas temos mais que fazer. Desde que seja assegurado o mínimo de qualidade, ficamos satisfeitos.

Por algum motivo que terá a ver com a capacidade de penetração no tecido popular somos das Tunas mais solicitadas para participar e animar eventos de índole tradicional, como Festas e Romarias. Fazêmo-lo com prazer, do Minho ao Algarve. Talvez por isso, vendemos mais de 190 mil cópias do "Estudantina Passa". Decididamente a vida da EUC não passa só por Festivais.

Trabalhamos o ano inteiro com afinco para assegurar uma digressão juntamente com o resto da Secção de Fado da AAC, estrutura à qual a EUC pertence. E isto tudo não é compatível coma constante presença em Festivais. Hà que saber dosear.

É evidente que há Tunas que fazem, em média, um Festival por mês. É uma escolha legítima e que seguramente corresponderá aos anelos dos seu elementos. Os riscos desta devoção competitiva terá que ser posta num dos pratos da balança.

Da mesma forma que dá um gozo enorme ver o nosso grupo receber uma comenda de uma Instituição cultural credibilizada ou um de uma Fundação ligada às causas sociais, a outros poderá o reconhecimento de méritos artísticos por comparação inter-pares ser o desígnio e plena realização. No meu caso pessoal, ambos desidratos, são saborosos se ambos praticados. É a Tuna a fruir no seu todo.

Como diz o meu amigo R.T., é preciso dedicação e trabalho. O tempo se encarregará de seleccionar os mais adaptados e não forçosamente os melhores num determinado momento.

Abraço

 

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EUC_Capacete
responde a O Conquistador:

Caro Conquistador:

A Estudantina chega a fazer cerca de 10 a 15 espectáculos por mês. Participamos, de há uns anos para cá, em cerca de 4 Festivais por ano. Basta fazer as contas...

Quando o ritmo abranda é péssimo. Fica uma saudade de enfiar a malta no autocarro e de ir à descoberta desse país, que é o país... real. Onde (já não falo dos prémios) não há Sound Check, Novas Oportunidades, Taxas de Juro e Magalhães... Onde - sem qualquer tipo de falsas modéstias (antes excesso de confiança do que falsa modéstia, aliás) - somos "a atracção da noite", recebidos com os melhores queijos, presuntos e a inevitável chanfana, às vezes às tantas da noite em casas de 2 assoalhadas e a comer tudo da mesma "malga". E do vinho saído directamente da pipa...

Do velhote mais castiço que por uns momentos quer ter 20 anos outra vez...

Enfim, não há como explicar. Vão e percebam (os mais novos, claro) que os Festivais são uma coisa fantástica - porque o são - mas as melhores histórias (aquelas que esperamos vir um dia contar aos nossos filhos e netos) aparecem sempre nas terriolas. Sempre mo garantiram na Estudantina e na Secção e felizmente tive a oportunidade de o comprovar por mim mesmo. Conheci o país de norte a sul, sempre no autocarro preto da ACADÉMICA.

Mas não sou hipócrita e admito que ensaiar um repertório mais complexo e tocá-lo num palco imponente é uma excelente sensação, principalmente quando as coisas correm bem. No primeiro caso sentimo-nos realizados como pessoas; no segundo como (pretensos) músicos. E são precisos (pensava eu, até concluir que um grande número de tunas adopta o repertório x ou y e parece incapaz de se libertar dele) para que o grupo mantenha um certo patamar artístico.

Há uns tempos houve um Estudantino que falava num chat de um Festival que era transmitido em directo aquando da entrega dos prémios. Felicitou a tuna vencedora - que o foi sem surpresas - e disse-lhe: "Muitos parabéns, mas pá, o vosso espectáculo é sempre a mesma coisa", ao que o tuno responde: "Pois é, mas os júris mudam!".

P.S.: Tenho 23 anos e muito para aprender. Por essa mesma razão, saúdo sempre a malta mais "jurássica", que é a única que acredita que a nossa geração não é assim tão rasca! Cumprimentos!

 

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Gato Preto
responde a EUC_Capacete :

Caro Capacete, irmão pequeno,

É com orgulho e turvado que li a tua missiva.
Mais uma vez reafirmo a confiança nesta nova geração. A tua geração. Não só da EUC, mas de todas as Tunas que sabem o que querem e o que devem.

Agradeço lá bem do fundo, a maneira como vocês, mais novos, toleram e convivem connosco, a malta que já tinha idade para ter juízo, fazendo-nos sempre sentir que as palavras e ideias não caiem em saco roto.

Aceita aquele abraço do gajo que está sempre pronto a mandar-vos "práquela parte"...







 

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R T
responde a Gato Preto:

Continuo na mema onda de frequência....

A diferença está somente nas nossas cabeças. Se porventura se poderá afirmar que para um católico praticante é diferente ir a Fátima ou à igreja da sua paróquia, seguramente que a fé que o move em ambos os casos será a mesma. Haja, portanto, Tunos com fé no que fazem mas acima de tudo naquilo que são. Por isso é que os festivais para uns são uma espécie de orgasmo mental ao vivo e a cores, provavelmente porque no que toca ao resto das suas vidas não conseguirão de outra forma polir o ego e dizer "ai que bom que eu sou!". O problema aqui é de incontinência narcisistica, apenas, misturada aqui e ali com asneiras a torto e a direito a tentar justificar as aldrabices que se vão fazendo em nome da Tuna. Simples.

Felizmente - tal como a malta da EUC - estou numa agremiação onde 2/3 do que faz não são certames competitivos e é ponto de honra desde a fundação que assim seja, não por razão alguma em especial tirando a mais importante: porque assim queremos que seja, pois entendemos que a função cimeira de uma tuna é mostrar-se fora de portas, espalhar o conceito, honrar a "corporação" tuneril junto dos outros. Claro que os outros são todos menos as outras Tunas, evidentemente. Os festivais, encontros, saraus, etc, são encarados com o despreendimento de uma visita à familia; já o resto dos eventos são encarados como uma montra do que somos e fazemos, onde a imagem geral que deixamos é sempre o mais importante. Há claramente e desde o ínicio uma forte tendência para gravitar fora do meio tuneril - evitando com isso ficar refém do mesmo, o que felizmente acontece. Venho - vimos - de uma digressão ao estrangeiro e mal chegados à Lusa Pátria seguimos para uma festa de solidariedade, humilde, pequena, mas que nos acolheu como se fossemos mais uns, como eles, sem demais considerandos; fomos, tocamos, convivemos, deixamos uma imagem e trouxemos várias outras que, porventura, nunca em certame algum seremos capazes de ver, sequer.

Os festivais são importantes, certamente. O problema é que quando eles são feitos exclusivamente para uns se medirem com os outros e os aqueloutros não servem para rigorosamente nada, valem zero. Quando são feitos em circuito fechado não cumprem a função primeira do que deve ser mais esta manifestação tuneril - com o outras há, mais esquecidas.. - que é mostrar lá fora, aos outros, o que somos e o que fazemos; ao invés, anda-se a mostrar ao paroquiano do lado que se tem mais fé do que ele, que se "papa" mais hóstias e se bebe mais da Vinha do Senhor. E espalhar a Palavra aos outros? Nada de nada.

E é aqui que se distingue um bom festival de um festival qualquer.

Abraços!





 

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Putin EAISEL
responde a J.Pierre Silva:

A minha pergunta surgiu por conhecer um dos certames, estive em várias edições do Terras de Cante, e apenas falhei este ano por motivos de força maior, e com grande pena minha. No entanto para mim não é difícil olhar para o Terras de Cante como um encontro(de amigos), pois sendo a TUB, tuna irmã da EAISEL, não preciso de qualquer outro motivo para ir a Beja que não o convívio, mas seria bom ouvir outras opiniões.
Não faço ideia se o Terras de Cante segue o mesmo modelo de regulamento do CIRTAV, sinceramente em Beja isso foi algo que nunca me preocupou, contudo penso ser mais importante a escolha das tunas(como também referiu), pois nem o melhor o regulamento do mundo sobrevive, se a maneira de estar das tunas não corresponder aos ideais do certame.
Em relação ao CIRTAV ainda não tive o prazer de estar presente, mas também já ouvi por aí vários testemunhos sobre a qualidade do mesmo não preciso de perguntar a essa gente toda ;)

Agora voltando ao tópico principal, na minha opinião, a preferência das tunas pelos festivais, tem a ver principalmente com duas coisas: a vertente competitiva e a organização.
A vertente competitiva é inegável, pois quer queiramos quer não, motiva o pessoal a ensaiar mais o que por consequencia potencia a qualidade do espectáculo musical e visual - realmente o ideal era que assim não fosse, mas se nem os profissionais de futebol, que ganham rios de dinheiro todos os dias, encaram da mesma forma, o jogo da Taça contra os Pescadores da Caparica, que encaram o jogo da champions contra o Manchester United, como se pode exigir à malta estudante que ganha uma mesada de meia dúzia de chavos, pague um autocarro, estadia e alimentação do seu bolso para ir actuar com o mesmo empenho em cima do reboque de um tractor em S.Jorge da Murronhanha, que iria para um festival, no Coliseu do Porto com dormida, comida e bebida durante um fim-de-semana inteiro? Acho que passa um pouco por aí, não acredito que se as organizações proporcionarem exactamente as mesmas condições num encontro que porporcionam num festival, a maioria das tunas se recusasse a ir, contudo não é o que normalmente se verifica, e em tempo de crise tudo isso contribui.
Com isto quero dizer que realmente a postura da EUC é louvável, e que certamente muitas tunas gostariam de a seguir, mas há que ter condições (essencialmente financeiras) para o fazer, e é sabido que a maioria das tunas não tem essas condições nem possibilidade de as criar, pois a crise toca a todos.

 

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R T
responde a Putin EAISEL:

Cario Putin, aquele abraço!

Dizes "A vertente competitiva é inegável, pois quer queiramos quer não, motiva o pessoal a ensaiar mais o que por consequencia potencia a qualidade do espectáculo musical e visual" (fim de citação). Atrevo-me a dizer que sendo 90% dos espetáculos de índole tuneril certames competitivos, é quase natural que assim seja por...falta de opção, por exclusão de partes.

Por outro lado, o teu raciocínio enferma de um erro, que será achar-se que não existem encontros de tunas onde tens as mesmas - ou até melhores - condições que um qualquer certame. Errado, profundamente errado. pergunta p.ex. à malta da TUMa se assim é. Recentemente estivemos no Douro Vinhateiro num encontro e garanto-te que foi muito superior a alguns "reputados" certames onde já estive ao longo de duas décadas....

Finalmente, as comparações "futeboleiras" com uma cultura como a nossa, confesso-te, criam-me sempre alguma urticária; se há coisa que me custa mesmo é ver um Tuno (não me refiro a ti, refiro-me ao tuno de forma generalizada, atenção...), supostamente estudante universitário, a "baixar de nivel" usando a "retórica" do "jogador da bola". No entanto, deixo-te com um relato (im)possivel de uma reportagem tipo "Gabriel Alves das tunas", para aferirmos todos do quão caricato pode ser transformar tunas numa mera competição....


"Decorreu este fim de semana a finalíssima do Festival de Tunas XPTO, num palco em perfeitas condições para a prática tuneril, moderno e arejado!!! Quim, O Magister da Tuna X a liderar o colectivo, um porta-estandarte baixo, possante, possuidor de uma grande, perdão, de um baixo centro de gravidade pelo que roda muito bem em si mesmo e com grande estabilidade nas curvas!!! Quim, a vantagem de ter um olho para cada lado!!!

A Tuna X apresentou-se num clássico 4-4-3 - quatro bandolins, quatro violas e três pandeiretas - num losango onde os seus tunos se movimentaram descrevendo figuras geométricas pois a tuna é uma arte plástica! O seu ponta-de-lança, o Solista Tózé, foi extremamente rápido, veloz, lesto, nada lento, antes pelo contrário, a força da técnica aliada à técnica da força! Uma Tuna com um superavit tecnicista em relação às demais, tida como a melhor do mundo e provavelmente de toda a Europa!

A Tuna X apresentou-se na vertical, a tocar de trás para a frente e de frente para trás, ficando-nos sempre na retina o perfume a boa música!!! Destacou-se nesta actuação e sem margem para dúvida o seu contrabaixista, que tocou pela direita, pela esquerda bem como pelos flancos!!! Sem duvida um actuação memorável, particularmente para todos os portugueses e em geral para mim!!!"



Abraços & Beijos!

 

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EUC_Capacete
responde a Putin EAISEL:

Caro Putin:

Não me leves a mal, mas o que dizes... não faz sentido. No meu caso pessoal, garanto-te que é nos Festivais que gastamos dinheiro, e não nas outras actuações, já que não metemos um pé fora de Coimbra sem estar transporte e alimentação assegurados. Não faria o mínimo sentido que assim não fosse, aliás. E que bem "sabe" à mesada, passar uma tardes e noites sem gastar um cêntimo...

Já nos Festivais, pelo menos num ou outro a que fui, parece aquelas vendas de colchões ou "time-sharings", em que se vai sem compromisso mas de repente já nos estão a cobrar qualquer coisa. Ou até uma história mais caricata que se passou com a minha avó, que foi fazer "umas análises gratuitas" que vieram a revelar-se uma tentativa de lhe impingir um seguro de saúde.

Falando mais a sério, é uma coisa que me choca um pouco: que num certame haja bebida paga ou que as tunas não assegurem, por exemplo, transportes quando as pousadas são a 30mn do local onde é suposto estar à hora x ou y, pelo que é quase inevitável pagar transporte ou até uma refeição mais perto.

No FESTUNA - peço desculpa por estar a puxar a brasa à sardinha, mas o que digo é rigorosamente verdade - "matamo-nos" para conseguir apoios q.b. para que não falte nada: um hotel sem grandes luxos mas digno, cerveja gratuita, comida gratuita, uma boa sala... Enfim. Creio que se outros não o conseguem será por alguma "megalomania" (ex: querer 2 dias de espectáculo, querer o PA dos Xutos, etc.). Há que fazer escolhas, e no que me concerne (últimos 3 anos) sempre preferimos tratar bem as tunas a fazer o Rock in Rio Mondego. Cumprimentos!

 

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Gato Preto
responde a R T:

Uma pequena pausa para descontrair...

Caro R.T.,

Não te conhecia mais este dom...
Diz-me, não será legítimo que um homem tão bem documentado históricamente e com conhecimentos inequívocos sobre as táctica e técnica do pontapé ao esférico possa ser confundido com o R.T.?

Sim com o Rui Tovar!

Abraço

 

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R T
responde a Gato Preto:

Caro Gato^Preto...

Longe de mim sequer querer-me comparar a esses vultos do comentário cientifico/futeboleiro como sendo Rui Tovar, Gabriel Alves ou ainda o não menos mitico José Nicolau de Melo, sim, aquele que comentou que "a 2ª mão do jogo Sporting vs Neuchatel Xamax iria decorrer na próxima 4ª feira na bonita localidade de Xamax...."

Não, não, de todo. Aliás, nem calculas o esforço quase titânico que tive acima para poder andar perto - contudo, sempre longe - da qualidade narrativa e semântica da linguagem "futebolesa" de tão ilustres "monstros" sagrados...!

Abraços!!!!

 

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R T
responde a EUC_Capacete :

Caro Capacete:

E pensas muito bem pois entendo a temática da mesma forma, mais metro menos centimetro. Porque é o que a prática mostra. Concedendo que a outros a prática lhes mostre outra coisa, naturalmente.

Abraços!

 

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Putin EAISEL
responde a R T:

Outro abraço!

Essa reportagem à Gabriel Alves está de facto muito boa lol Perdoa-me as comparações com o futebol, mas o futebol é outra das minhas grandes paixões, que é capaz de estar ao nível da que nutro pela tuna. Se soubesse mais de pássaros seguramente faria uma metáfora ao nível da que o Gato Preto fez noutro post, mas como sei mais de futebol foi disso que me vali(também podia ter usado termos informáticos que é a minha área, mas acho que ía ser pior a emenda que o soneto ;)
Em relação ao encontro organizado pela TUMa, também já ouvi falar muito bem, e por acaso não me lembrei dele quando escrevi o post, mas lá está é dos raros casos, pois, como dizes, 90% são certames competitivos.

Capacete, concordo plenamente contigo, também já me aconteceu gastar bastante dinheiro num festival, mas também muitos outros houve em que voltei com a mesma nota que levei no bolso. No entanto se é como dizes "não metemos um pé fora de Coimbra sem estar transporte e alimentação assegurados" então melhor ainda. Falei nisso apenas porque disseste "Conheci o país de norte a sul, sempre no autocarro preto da ACADÉMICA.", e parti do princípio que tinham um autocarro à disposição para essas digressões pelo país, que seria de facto uma grande vantagem, de que a maioria das tunas não dispõe.

Abraços

 

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Gato Preto
responde a EUC_Capacete :

Uma achega,

Além do atrás referido, decorrente dos esforços de quem organiza, existem pequenas coisas que parecem díficeis de obter mas se tornam fáceis de resolver se houver empenho e imaginação.

Exemplo. O Capacete referia a questão dos transportes para assegurar a mobilidade das Tunas. Se existem casos onde a questão não toma foros de grande problema, outros há em que o convívio tunante não se faz devido à dificuldade de aceder a espáços que distam Kms do sítio nevrálgico do certame.

Os casos dos certames em Lisboa são paradigmáticos. Se no Porto o problema, com o abandono do local histórico de diversão e convívio, a Ribeira, pode ser relativamente compensado com o advento das Galerias, em Lisboa não há volta a dar. Coliseu/Teatro para um lado, convívio para outro, residencial para acolá, cantinas para acoli.

Para se fazer um certame há que encarar os óbices naturais originados pelas condições objectivas que dispomos e saber contrariar ou atenuar as mesmas.

Em Coimbra onde a vida estudantil está concentradíssima, e envolvida na camada toponímica futrica da Cidade tudo se torna mais fácil.

Mesmo assim, após reunião com os SMTUC (transportes de Coimbra) e consumado o apoio, toda a credenciação relativa ao FESTUNA serviu de free-pass para a utilização de toda e qualquer carreira urbana durante os dias em que o evento durou.
Não custou nada, funcionou e resolveu um enorme problema logístico.

Foi só um episódio, uma ideia e pode ser que mais alguém lhe pegue.
É útil partilhar experiências. Fica a ganhar quem organiza e quem participa.

Abraço

 

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R T
responde a Gato Preto:

Ora cá está um sub-tema que é por demais pertinente: a localização geográfica dos eventos e suas condicionantes.

É por demais óbvio que grande parte do sucesso dos eventos depende sobremaneira também desse factor extremamente importante. O que nos leva desde logo a uma "fatal" conclusão: em cidades pequenas é substancialmente mais fácil gerir essa questão, logo, potencia por si só o sucesso e face a cidades de maior dimensão, mais dispersas, logo, mais complicado de gerir a esse nivel. O que não significa de todo que seja impossivel fazer bem feito em cidades grandes ou, pelo oposto, fazer "asneira" em cidades mais pequenas.

P.S. - Caro Gato^Preto, ao que julgo saber esse tipo de parcerias entre organizações e serviços de transporte público já foram feitas em alguns certames. E ainda bem, digo eu!

Abraços!

 

[responder a "R T"] [denunciar abusos]

EUC_Capacete
responde a Putin EAISEL:

Caro Putin:

Temos um autocarro à disposição para as "digressões", só que como tudo... paga-se. E bem! Quem nos dera a nós! É de tal forma que muitas vezes são as próprias comissões de festas a assegurá-lo, porque lhes sai mais barato do que pagar o da AAC...

 

[responder a "EUC_Capacete "] [denunciar abusos]

Putin EAISEL
responde a Gato Preto:

"É útil partilhar experiências. Fica a ganhar quem organiza e quem participa."

Apoiado! Como referiste é realmente um problema (dispendioso) o transporte das tunas por Lisboa, e a ideia de apoio, neste caso da Carris, poderia realmente ser uma grande ajuda.

Sei que o tema das diversas componentes da organização de um certame foi sugerido para o próximo ENT, mas já agora porque não um tópico aqui no fórum onde pudessem ser dadas mais dicas como esta do Gato Preto?

Talvez para ser mais simples, o pessoal podia apontar coisas que lhe desagradam quando vão a certames, tal como apontou o capacete, apresentando de seguida possíveis soluções. Acho que todos ficaríamos a ganhar com o assunto.

Fica a sugestão.

Abraços.

 

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Sir Giga
responde a R T:

Quanto ao tópico em epígrafre, apenas referir que não dou especial relevância ao cariz competitivo de um certame tunante. Vejo-os como eles são, i.e., eventos. Se é um evento bem organizado, com boas condições, numa boa sala, para um bom público e com um ambiente apetecível, contem comigo. Senão...não. Isto não significa, no entanto, que não tire enorme prazer em tocar nos mais diversos locais, e nomeadamente nas chamadas "actuações de aldeia". Os mais novos ficam parvos quando lhes dizemos que já actuamos em cima de um atrelado do tractor, do qual saltavam os pandeiretas sempre que necessário, mesmo sendo as atracções principais da noite.

Admito, contudo, que a competição dá um sabor especial ao eventos tunantes, importante ao nível motivacional, principalmente dos elementos mais novos. Não tenho dúvidas que foi esta mesma competição que levou à evolução qualitativa de muitas das tunas hoje existentes. Mas daí a torná-la o ponto central do evento, ou sobrevalorizar os resultados do festival X, Y ou Z, vai um enorme, e imponderado passo.

Quanto à questão organizativa, discordo que o som, a sala e restante aparato técnico sejam factores secundários. Mais secundário acho a disponibilização de cerveja gratuita (note-se, contudo, que no evento que organizo, a cerveja é vendida a preço simbólico no Teatro, para evitar excessos e oferecida na festa pós-festival). Não há pior sensação que prepararmos uma actuação durante semanas e sermos traídos pelo sistema de som ou o seu técnico. Tal constitui um total desrespeito para com tunas e público sendo, ademais, desprestigiante para o certame em questão (vide XXIV FITU Cidade do Porto).

Um festival ou encontro devem ser vistos, acima de tudo, como espectáculos para um público (pagante ou não, merece igual respeito) que espera ver e ouvir boa música e boas interpretações. Esquecer isso é desvirtuar o papel das tunas como dinamizadoras da cultura nacional. Quanto ao saber receber, quem já atendeu a um dos meus (nossos) festivais sabe da importância que damos a cada um dos aspectos já aqui referidos.

 

[responder a "Sir Giga"] [denunciar abusos]

O Conquistador
responde a Sir Giga:

«Quanto à questão organizativa, discordo que o som, a sala e restante aparato técnico sejam factores secundários. Mais secundário acho a disponibilização de cerveja gratuita (note-se, contudo, que no evento que organizo, a cerveja é vendida a preço simbólico no Teatro, para evitar excessos e oferecida na festa pós-festival). Não há pior sensação que prepararmos uma actuação durante semanas e sermos traídos pelo sistema de som ou o seu técnico. Tal constitui um total desrespeito para com tunas e público sendo, ademais, desprestigiante para o certame em questão (vide XXIV FITU Cidade do Porto).»

Não podia estar mais de acordo consigo, caro Giga. É que o palco e os meios técnicos são a interface entre entre as tunas e o grande público (independentemente da natureza da iniciativa) e devem ser por isso mesmo objecto de especial cuidado.

"Respeito" é a palavra-chave: pelos próprios e pelo público.

Abraço e

BOA MÚSICA!

 

[responder a "O Conquistador"] [denunciar abusos]

JModesto Real Tunel Académico
responde a R T:

Já muitos sabem e desde há muitas calendas o que penso sobre este assunto.

Ou seja, grosso modu e repetindo-me - os festivais são um mal menor e foram, em certa medida, a "tábua de salvação" para a qualidade do mundo tunante.

Durante muitos anos, os designados "encontros de tunas" povoaram de norte a sul o mainstream das tunas. Alguns ainda hoje são referência. Porém, a sua maioria levaram, pela falta de seriedade, de postura de muitas tunas e dos seus tunos, ao afastamento do público que desde as décadas de 80 e 90 nos seguiam e cantarolavam as melodias que nos são caras.

O triste é que indubitavelmente as rivalidades inter pares continuam a ser alimentadas, e o prémiozito continua a ser visto como "a última coca-cola no deserto" ou como o amuleto de virilidade para eunuco ver.

Mas isto, na minha opinião, são dias contados.
Infelizmente, também muitos festivais estão a cair no ridículo. Poderia escalpelizar esta minha afirmação, mas irei apenas circunscrever-me aos jurados. Muitos deles nunca estiveram numa tuna e pouco, ou nada percebem de música. Mas estes caem, para o público geral, em ridículo logo quando são reconhecidos por estes ou apresentados pelos anfitriões desses ditos festivais. Mas o delírio da insanidade, são aqueles que um dia se disseram tunos e que fugazmente se perfilaram numa tuna e que são muitas vezes convidados para ocuparem a cadeira de avaliador de tunas.

O mais ridículo, é que muitos deles ou pouco/ nunca se viram numa situação de avaliado nas suas "efémeras carreiras" enquanto tunos, ou julgam-se senhores de uma capacidade que eu desconheço, ou seja - Alguém ser um avaliador, sem ter sido, uma vez que seja, avaliado.

 

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