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XXVI FITU Bracara Avgvsta
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XXVI FITU Bracara Avgvsta

A Reportagem

O FITU Bracara Augusta deve ser o maior festival de tunas do país, não só em termos de magnitude, porque é realmente excelente, mas fala-se em termos temporais, mais práticos. E essa dimensão realmente ajuda a criar o espírito que se vive durante a festa de 5 dias que se vive. O concurso é feito em duas noites, o que já de si é notável, pois não abundam festivais de 2 noites de concurso, mas a festa começa logo na quarta-feira anterior, em que a Tuna Universitária do Minho faz a festa com a academia minhota num "Warm Up", continua na quinta-feira com as serenatas à cidade, que têm lugar na Sé de Braga, estende-se pelos dias de concurso de sexta-feira e de sábado, e termina no Domingo com um almoço convívio.


Infelizmente, não é possível fazer um relato de toda a extensão do FITU Bracara Augusta, até porque a reportagem ficaria demasiado longa, pelo que se transmite aqui apenas a prestação das Tunas durante os dias do concurso.


O festival ocorreu entre os dias 19 a 22 de Maio, entre Warm-Up e Almoço Convívio no fecho do festival, e o concurso durante os dias 20 e 21, ambos com hora marcada de início às 21h30. As Tunas a concurso foram as seguintes, por ordem de atuação:
• Tuna de Engenharia da Universidade do Porto
• Tuna de Derecho de la UNAM (México)
• Desertuna - Tuna Académica da Universidade da Beira Interior
• Tuna de la UNED de Ponferrada (Espanha)
• Tunadão 1998
• Tuna de Magistério de Cáceres (Espanha)
• Tuna de Medicina do Porto

Houve ainda participação extra-concurso da Azeituna e apresentação dos Jogralhos e da Tuna Universitária do Minho.

Como é já habitual, a Tuna Universitária do Minho abre e fecha o seu próprio festival, atuando na abertura do 1º dia e no fecho do 2º, sempre com números assustadores de elementos em palco. Iniciaram esta sua primeira prestação com uma pequena overture instrumental a contrabaixo e violino, ao qual se juntam depois o clarinete, o bandolim e a concertina, e que se liga à primeira canção da noite, Festa dos Vencidos, um original dos Quinta do Bill. Seguiu-se a Sonho, um arranjo de uma melodia galaico-minhota, e a Essência, um original da Tuna do Minho e que faz referência a várias canções emblemáticas dos Vermelhos. De seguida, enveredaram por um instrumental o qual não tocavam há oito anos, segundo o apresentador da Tuna, intitulado Trilhos Ciganos. "Porque não pode ser Partizan nos dois dias", explicou-se, e a gente percebeu. As últimas duas canções foram uma interpretação da Hoy Estoy Aqui, música já famosa das andanças tunantes, e a Adeus É Sempre Adeus, onde as pandeiretas brilharam.

Depois houve um interlúdio preenchido pelos Jogralhos - os Jograis Universitários do Minho, que deram a primeira de uma série de pequenos sketches interligados. Após o sketch e um texto da sua autoria (como são todos), os Jogralhos apresentaram a Tuna de Engenharia da Universidade do Porto, que começou a sua atuação sem apresentação própria, fazendo o público submergir na sua primeira canção, a Festa da Vida, que é um original de Carlos Mendes. Posto isto, houve uma versão "tunificada" das Czardas de Mario Monti, que foi a interpretação instrumental da TEUP. A canção seguinte foi, supõe-se, a sua canção para o prémio de Melhor Solista (apesar da sólida prestação do solista da Festa da Vida), uma rendition da Torna a Surriento, e que deixou o público extasiado. As outras duas canções foram a Índio do Brasil (pessoalmente, uma favorita minha) e a Hoy. Uma sólida performance da TEUP, exibindo na quantidade certa os seus instrumentos menos ortodoxos do mundo tunante, e bem composta com mais de 30 elementos em palco.

Houve tempo para um pequeno momento de stand up com um elemento da Tuna Universitária, que juntou sátira e humor em quadras enquanto a tuna seguinte se preparava para subir a palco. Essa Tuna foi a Tuna de Derecho de la UNAM, do México - a primeira das três tunas hispânicas a subir ao Theatro Circo, e que tocaram um número impressionante de músicas - um total de sete. Começaram com uma música hispânica cujo relevo foi a prestação do tunante fazendo capa de uma maneira extraordinária, e levando os aplausos do público. É pena que não haja um prémio para melhor capa, pois seria da Tuna da UNAM, e mais nenhum de coreografia, pois as suas pandeiretas e bandeiras foram apenas "for show". A sua música seguinte foi o instrumental Por Una Cabeza, onde deu para perceber a potência instrumental da tuna mexicana. Para complementar isso, a música seguinte foi a de solista, intitulada "Todo Me Gusta de Ti", e que de para perceber o outro lado da moeda, o poderio vocal da Tuna da UNAM. A quarta música do repertório que apresentaram foi a Bailar Contigo, seguida da Sin Ti, uma canção mais conhecida. Por fim, quando o tempo de palco já estava a ser muito e o público começava a ficar cansado, a Tuna de Derecho de la UNAM finalizou a sua atuação da maneira mais electrizante, comeando por pedir ao público que se pusesse de pé para a Para No Verte Más, que foi arrebatadora, e que incluiu - inédito! - pequenos balões entregues ao público e duas enormes bolas que saltitavam entre as duas secções da audiência, qual festival de verão. Felizmente, este ato arriscado foi bem conseguido porque a canção pedia essa alegria, e alimentava-a, e foi um final memorável da 1ª parte do 1º dia do "Bracara".

Após o intervalo, o festival recomeçou com a prestação da Desertuna - Tuna Académica da Universidade da Beira Interior, que tocou "apenas" duas músicas: a já tradicional Covilhã e o seu épico de cinco partes Odisseia. A primeira canção foi o típico da Desertuna, com uma boa componente extra-musical, com algumas danças e esferovite a simular neve a sair das bandeiras. A gigantesca Odisseia, com uma parte final nova, foi marcante precisamente pela prestação quase infalível numa peça tão grande que mais parecia uma prova de resistência - e tê-lo-á sido, certamente, para os fabulosos pandeiretas e bandeiras, nos quais se contou poucos erros, e os poucos que houve foram ofuscados pelo brilhantismo da sua prestação. O público adorou a Desertuna, e terá ficado na memória certamente o pequeno "teatro" durante a parte III - Adamastor, em que um enorme Adamastor desenhado passeava por trás da tuna, seguido por uma barcarola improvisada de bandeiras: um complemento com bastante simbiose com a música em si. Boa prestação da Desertuna.

Após a Desertuna, o 1º dia fechou com a atuação dos afilhados da Tuna anfitriã: a Azeituna. A sua atuação começou com um instrumental, Duas guitarras, seguido do seu original Suevos. As três canções seguintes foram versões de canções conhecidas de outros intérpretes: Estou Além, de António Variações, Balada das Sete Saias, dos Trovante, e por fim Nasci P'rá Música, de José Cid. E com eles terminou o 1º dia de certame.
No dia seguinte, a festa começou logo depois do almoço, com um passacalles pelo centro da cidade de Braga, e durante o qual fez sol, tendo S. Pedro felizmente guardado a chuva para mais tarde. Ao mesmo tempo, decorria a festa no Largo do Paço, em que o convívio foi nota dominante. Digno de nota foi também a cerimónia de passagem de três novos tunos dos Vermelhos, depois do Batismo do Caloiro, uma parte do festival de acordo com o programa. Foi um bom interlúdio, por assim dizer, ao concurso, que foi retomado às 21h30 dessa noite.

Antes da 1ª tuna a subir a palco - a Tuna de la UNED de Ponferrada - houve tempo para um breve sketch sobre a imagem pública das tunas - de javardice e de etílica boémia - assumindo que é tudo uma fachada e que é uma imagem de aparência apenas, encontrando-se um mundo requintado por trás da mesma. Uma maneira bem-disposta de começar a noite.
A Tuna espanhola começou com uma abertura com solo destacado de gaita de foles, encadeando na canção Estudiantina Portuguesa, depois do qual se seguiu uma apresentação elogiando o ambiente, a cerveja... e as mulheres de Portugal. Seguiu-se uma versão da Serenata Sefardi e de uma canção ibero-americana chamada Despedida. Seguiu-se uma interpretação da ária mais conhecida de Puccini, Nessun Dorma, na qual esteve em evidência o solista e que, apesar da carga emocional da música no imaginário colectivo, colheu apenas alguns aplausos da parte do público. Terminaram a sua atuação com uma música tradicional espanhola, e na qual usaram "capadores", que é o nome que deram aos tunantes que bailaram com capa. Uma sólida prestação da Tuna de Ponferrada.

De seguida, após mais um número dos Jograis minhotos, entrou em palco a Tunadão, que começaram com uma espécie de rapsódia de músicas originais da Tuna de Viseu, apropriadamente intitulado "Estudante de Viseu". De seguida, tocaram a Lenda da Fonte, original de Domingos Silva, com disposição de palco com guitarra, viola e solista à frente. O tema seguinte foi um instrumental em três partes, uma das quais um excerto do Barbeiro de Sevilha. A música seguinte, dedicada às guias, foi a Balada do Padeiro, original da Tunadão, e finalizaram com o tema Caravelas, na qual ficaram evidenciadas as bandeiras. A Tunadão esteve muito bem e criou um bom clima no Theatro Circo, despedindo-se com um Eferreá adulterado, para que cada uma das vogais do grito iniciasse um excerto de uma música, tendo saído de palco com uma alegria contagiante.

A tuna seguinte, a Tuna de Magisterio de Caceres, começou com um cold opening, também, seguida de uma canção típica da Andaluzia. De seguida, tocaram uma canção hispano-americana, de nome. A quarta canção do repertório foi dedicada às guias, por os terem levado a tudo a tempo e horas, Española, uma canção de solista. Depois de agradecer o convite da Tuna Universitária do Minho, tocaram a sua última canção, um paso doble apresentado como... Paso Doble.

Deu-se o intervalo, e depois foi a vez da última tuna a concurso subir a palco: a Tuna de Medicina do Porto. A sua atuação começou com Cidade, música de solista com braguesa em evidência, disposta sozinha à frente da tuna, e na qual é costume estar uma portuguesa. De seguida tocaram a Valsa do Meu País que, como a primeira, era um original da TMP. O tema seguinte foi a prestação instrumental da atuação, saída da banda sonora do filme A Máscara de Zorro, sucedida por mais um original da TMP, Caixinha de Música, com novo e portentoso solista. A última canção dos médicos foi o seu hino, Noites de Ronda, para fechar a atuação com animação.

A TUM foi a última tuna a pisar o palco, para fechar o certame, e que começaram com o tema Terras de Portugal, seguido da balada muito conhecida deles, Tunalmente Molhado. Após isso, apresentaram mais duas serenatas de solista, com solistas diferentes, sendo a primeira uma versão da Com Te Partiró, popularizada pelo Andrea Bocelli (e aparentemente tendo dado o nome ao tunante que a canta, visto que foi apresentado como Ceguinho...), e a segunda um tema original, Desejo, com um portentoso solista. Para intermediar estas duas baladas, a TUM introduziu o seu tema instrumental, um "mash-up" de canções Balcãs de nome Partizan, e para o qual o apresentador insistiu que toda a gente se levantasse, animando bastante o público do Theatro Circo. Antes da hora dos prémios, houve ainda tempo para a Boémia, um ex-libris desta tuna.

Os prémios foram entregues da seguinte forma, e por esta ordem:
• Melhor Passacalles: Tuna de la UNED de Ponferrada
• Melhor Pandeireta: Tunadão 1998
• Melhor Bandeira: Tunadão 1998
• Melhor Instrumental: TMP
• Melhor Solista: Tuna de Derecho de la UNAM
• Prémio IberoAmericano: Tunadão 1998
• 3ª Melhor Tuna: TEUP
• 2ª Melhor Tuna: Desertuna
• Grande Prémio XXVI FITU BRACARA AVGVSTA: Tunadão 1998
• Tuna Mais Tuna (entregue no almoço de Domingo): Tunadão 1998

Ainda houve tempo para mais uma canção, a Pilinha de Braga, e tendo já dado o certame por encerrado, a Universitária do Minho ainda fez uma rendition à capela da Feira de Caruaru, enquanto posavam para a foto do festival e o público ia saindo da sala de espectáculos. O festival continuou na discoteca, como no dia anterior, e ainda durante o almoço-convívio do dia seguinte, durante o qual foi entregue o Prémio de Tuna Mais Tuna.

Foram imensos dias de boa disposição, certamente recordados por todos os participantes e sem dúvida pelos que foram assistir a esta festa em palco. Parabéns à Tuna Universitária do Minho pela organização do XXVI FITU Bracara Augusta, e até para o ano.

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