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XX FESTUNA
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XX FESTUNA

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XX FESTUNA e 25 anos de Estudantina Universitária de Coimbra

A reportagem e a história 

Mais um ano que passa e eis que a Estudantina Universitária de Coimbra festeja o seu 25º  Aniversário, no meio de grande animação na cidade dos estudantes. 

Um pouco da História da EUC

Mais ou menos pela altura do inicio dos anos oitenta, um grupo de estudantes formou um movimento espontâneo de reestruturação da praxe, para tentar “despolitizar”  uma academia cujos movimentos académicos eram na sua essência, as cores partidárias do governo de então; e em que todos os movimentos culturais académicos, eram guetos fechados, nos quais era muito difícil entrar. Esse grupo tinha por lema “ NÃO à política! SIM às tradições e à cultura!”, lema, esse, que agradou, e muito, aos estudantes de Coimbra, que se tornaram seus apoiantes em massa! No meio deste movimento, e no seio da Secção de Fados da Associação Académica de Coimbra, nasce a Estudantina Universitária de Coimbra no ano de 1984 (embora se tenha em conta a partir de 15 de Março de 1985, data da primeira actuação em Póvoa do Lanhoso). Com grande influência das tunas espanholas (já que em Portugal não existiam nestes moldes), nomeadamente da Tuna Universitária de Salamanca (com quem se geminaram uns anos mais tarde), a EUC foi formando as suas fileiras à custa de muito esforço, muitas boleias, alguns cursos por acabar, muito dinheiro ganho na rua, e uma grande amizade e estima entre os vários elementos. Apostaram num repertório baseado na musicalidade tradicional portuguesa, gravando dois CD’s de originais alguns anos depois. Em 1986 participaram no seu primeiro festival de tunas, na cidade de Salamanca, surgindo depois outros convites para os vários cantos do mundo! Em 1990 surge o I FESTUNA, e desde aí a EUC nunca mais parou, mantendo sempre a sonoridade e o espírito que lhe é tão familiar e que se mantém característico, embora não tão arduamente, da Academia Coimbrã. 

Este ano juntaram-se várias comemorações numa só festa: XX FESTUNA, 25 anos de EUC e 30 anos da Secção de Fado da AAC. O fim-de-semana foi bem regado com a chuva que impediu que o espectáculo se realizasse no Jardim da Sereia, tendo sido, assim, transferido para o palco do Teatro Académico Gil Vicente.

Na Sexta-feira assistiu-se à apresentação do novo CD da EUC: “25 anos de sonho e tradição”; e a gravação do DVD ao vivo. Entre originais e algumas adaptações ouvimos temas como: “Coimbra (Abril em Portugal) ”, “Senhora Lua” (numa magnífica interpretação em conjunto com o Orfeão Académico da UC); “A Barquinha” (tradicional da zona de Coimbra), “Estudantina Portuguesa”, “O Afonso”, “Ronda das Mafarricas” de Zeca Afonso, “Cirandeiro” (Tradicional da Beira Baixa), o famoso Bachmedley, “Coimbra Menina e Moça” (na sonoridade tradicional do fado de Coimbra), “Capa Negra, Rosa Negra” (de Adriano Correia de Oliveira); “ Assim mesmo é que é (a rapariga) ”; “O Traçadinho” (com o público a fazer um coro sonante). Terminou com o Grito Académico tão conhecido de todos e a “Balada do V Ano Jurídico de 88/89”, numa actuação conjunta com os antigos elementos da EUC, reunindo cerca de 80 pessoas em palco.  
A misturar com a apresentação musical, foram apresentados vários vídeos sobre a história destes 25 anos da EUC, com entrevistas a alguns fundadores: Joaquim Reis, João Cunha, António Vicente e Francisco Costa. Subiu ainda a palco, a vice-reitora da UC, Dra. Cristina Robalo Cordeiro, que felicitou o grupo e deixou o público de pé a gritar “Académica”, com uma simples frase bem ao jeito coimbrão: Bebam muito traçadinho, cantem muitas vezes “o Afonso”, mas não deixem que o vosso ano rebente!
 

No sábado após uma tarde bem animada, o público voltou ao TAGV para o espectáculo final do XX FESTUNA. As apresentações ficaram a cargo de alguns elementos e apresentação de vídeos bem-humorados do Tunídolos.

Subiu a palco a Tuna Universitária de Salamanca, na sua sonoridade característica, com músicas como “Maria Dolores” dedicada às “Antónias” e o famoso instrumental de Mozart “Marcha Turca”, entre outros.

Seguiu-se a Antúnia – Tuna de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que iniciou com a sonoridade do Fado de Coimbra em “Versos Velhinhos”, seguindo da “Senhora do Mar”, o original “Sancho Pança”,  “Eine Klein Nachtmusic”, “Meus lindos olhos” de Mafalda Arnauth, terminado com o ritmo quente das “Lágrimas Negras”.

A terceira Tuna a concurso foi a Tuna de Derecho de Madrid, que interpretou: “Cascorro”, “Paládio”, “El truz de los Tenorios” numa arrepiante interpretação do solista, “San Caetano” e finalizando com a animada “Ronda del Firoli”.

A Tuna do Instituto Superior Técnico de Lisboa subiu de seguida a palco, iniciando com dois temas sacudidos da poeira do baú: o hino “Vida de Estudante” e “Dou-me ao mar”. Apresentaram também o instrumental “Santa Morena”, “Se um dia não houver luar” e finalizaram com a tradicional e animada “Marcha do Centenário”.

Após um curto intervalo pudemos ouvir a Tuna Académica de Lisboa numa versão acapela de “Coimbra (Abril em Portugal) ”, continuando com Zeca Afonso e o “Coro da Primavera”, “Sol de Inverno”, “Bairro alto”, entre outras.

Para finalizar o leque das tunas a concurso, seguiu-se a apresentação da Estudantina Universitária de Lisboa, com a grandiosa interpretação do solista no tema “Amor a Portugal”, continuando com “Bandolinata” de Júlio Pereira, “Tourada”  de Fernando Tordo, “Desfolhada Portuguesa” e finalmente “Os Sinos da Sé”.

Por fim a tuna da casa brindou-nos com alguns temas já conhecidos: “Capa Negra, Rosa Negra”, “A Barquinha”, “Ronda das Mafarricas”, Bachmedley, “Madalena”, “Assim mesmo é que é (a rapariga) ”, “À meia-noite ao Luar”, a famosa “Mafrada” (medley de temas de António Mafra); e a “Estudantina Passa”.

Após os agradecimentos e a chamada a palco dos antigos tunos e de outras entidades, foi feita uma homenagem à Dra. Fátima Lencastre, presidente da Associação dos antigos estudantes da Universidade de Coimbra, em Lisboa; e madrinha da EUC há cerca de 24 anos. E ainda ao Dr. António Lúzio Vaz (ex-orfeonista, sócio honorário da OAC e ex-administrador do SASUC) que nos deixou com uma frase que demonstra o sentimento dos muitos que trabalharam para que a Academia de Coimbra se tornasse no que é hoje: “Se eu pudesse, arrancava o meu coração e dava-o à academia”.

Chegou a altura da entrega de prémios, atribuídos pelo júri que se compôs dos seguintes elementos: Patrick Mendes (EUC), Rui Ramos (EUC), Pedro Lopes (EUC), António Oliveira (EUC), Amadeu Magalhães (Professor da Secção de Fada da AAC), Manuel Rebanda (presidente do Antigos Orfeonista das UC), Manuel Portugal (Jornalista da RTP), João Silva (Presidente da Secção de Fado da AAC), Rui Paulo Simões (vice-maestro dos Antigos Orfeonistas), Tomás Ramalho (Gerente do Grupo InTocha), Miguel Portugal (Presidente da Direcção geral da AAC) e Fátima Lencastre (Presidente da Associação de antigos estudantes da Universidade de Coimbra, em Lisboa). 

Prémios:

Melhor Tuna: Tuna Académica de Lisboa

2ª  Melhor Tuna: Estudantina Universitária de Lisboa

3ª  Melhor Tuna: Tuna do Instituto Superior Técnico de Lisboa

Melhor Pandeireta: Antúnia

Melhor Estandarte: Tuna Académica de Lisboa

Melhor Solista: Tuna de Derecho de Madrid

Melhor Interpretação Instrumental: Tuna Académica de Lisboa

Melhor Interpretação Vocal: Tuna Académica de Lisboa

Tuna Simpatia: Tuna Universitária de Salamanca 
 

Terminou o espectáculo e a festa continuou bastante animada na Associação Académica de Coimbra, por entre muita música.

Um obrigado especial à EUC pelo acolhimento e disponibilidade, e as felicitações por estes 25 anos de música e tradição! Esperemos que para o ano venha o XXI FESTUNA, com toda a vontade e excelente organização com que esta edição nos brindou.  

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