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XV CELTA
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XV CELTA

O Melhor CELTA De Sempre

XV CELTA

O melhor CELTA de sempre

Quem esteve presente neste XV CELTA – Certame Lusitano de Tunas Académicas que decorreu em Braga nos passados dias 12 e 13 de Dezembro de 2008, organizado como sempre pela Azeituna, presenciou sem dúvida alguma a um momento histórico para as tunas nacionais, atrevo-me a dizer. Tudo porque o CELTA, após 10 anos de interregno voltou a realizar-se na famosa sala bracarense – o Theatro Circo, sala que o viu nascer.

E a Azeituna não fez a coisa por menos, ao propor-se organizar “o melhor CELTA de sempre” (conforme se podia ler nos livrinhos do festival), tendo como tema principal o CIRCO, tema esse proposto a todas as tunas convidadas, e que elas tão bem souberam desenvolver e interpretar.

As tunas foram:

- Azeituna – Tuna de Ciências da Universidade do Minho (organizadora)
- Tuna Académica da Universidade Lusíada do Porto (extra-concurso)
- Tuna Universitária do Minho (extra-concurso)
- Tuna da Universidade Católica Portuguesa – Porto
- Hinoportuna – Tuna Académica da Instituto Politécnico de Viana da Castelo
- Estudantina Universitária de Lisboa
- Tuna Académica Infantuna Cidade de Viseu
- Tuna Universitária da Instituto Superior Técnico
- Tunídeos – Tuna Masculina da Universidade dos Açores
- Magna Tuna Cartola de Aveiro

A apresentação esteve a cargo do antigo membro da Azeituna e actual humorista do “Porto Canal” onde apresenta o programa “Bulhão Rouge” - o bem conhecido João Seabra, do “Coiso” actual apresentador da Azeituna, e por vezes com a ajuda do “Cristo” o solista da tuna. Este grupo conseguiu animar os intervalos das tunas de forma por vezes brilhante, onde o improviso e o à vontade com o público foi uma constante.

Destaque para as prestações do “Coiso” (de seu nome verdadeiro Carlos Castro, mas apesar disso muito “macho” segundo o próprio). Talvez venha a sair daqui mais um humorista de qualidade saído da Azeituna. Os momentos altos foram muitos, desde o tuno dos “vermelhos” (TUM) ou o “Supermário” (TUIST) em formato um pouco “duvidoso”, até à crítica sarcástica à universidade do Minho, e à política nacional.

O espectáculo começou na sexta-feira com a Azeituna a interpretar um tema com Ana Raquel Ferreira, um dos membros do júri, que pertence ao grupo de música tradicional “Arrefole” e que brindou o público com uma música dedicada à cidade de Braga. Outro dos destaques da actuação vai para a participação de um grupo de dança do ventre (She Moves) durante a música “Bairro do Oriente” de Rui Veloso. Mais para o fim, mais um momento diferente, quando a Azeituna e a Lusíada do Porto (tunas irmanadas) interpretaram em conjunto “O Porto é Assim” da TAULP. Momentos diferentes mas que resultaram todos muito bem e que cativaram o público que esgotou a sala. Logo seguido, para fechar a actuação, a “Canção do Beijinho” de Carlos Paião.

O concurso inicia-se de seguida com a presença da Tuna da Católica Portuguesa – Porto, onde se destacam as coreografias dos pandeiretas, e os grandes arranjos vocais. Destaca-se da actuação, “La Noche e Tú”, um tema tradicional mexicano, o instrumental com ambiente e encenação dos “Piratas das Caraíbas”, os temas do Festival RTP da Canção “Oração” de António Calvário e a “Desfolhada” da Simone.

Após o intervalo, mais um momento diferente num festival de tunas, com a presença de um ilusionista, que fez alguns truques de magia, à boa moda circense.

Logo de seguida, veio a Hinoportuna – Tuna Académica do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, onde se destaca, para além das músicas com bons arranjos, a uma excelente versão do “Novo Fado da Severa” (Rua do Capelão), com diferentes ritmos e variações, tema em estreia absoluta. Para além disso, como só eles sabem fazer, uma actuação decorada com imagens sugestivas, e por onde passaram versões de músicas de Zeca Afonso, Júlio Pereira e Amália, com o incontornável “Havemos de ir a Viana”. No fim, ainda houve tempo para “sair da cartola” um coelho azul (mascote da Azeituna), com muitos dotes para pandeireta. Boa prestação das bandeiras e pandeiretas também.

A terminar as tunas a concurso dessa noite, ainda houve tempo para ver e ouvir a Estudantina de Lisboa, com o seu fantástico novo reportório estreado no TUIST deste ano, e onde posso destacar “Amor a Portugal” de Dulce Pontes (tema de abertura do Euro 2004), “Bandolinata” de Júlio Pereira em nova versão, e “Chamaram-me Cigano” de Zeca Afonso em versão do grupo Resistência. Muito bons arranjos vocais e instrumentais, como só eles sabem fazer, que culminou com o original “Lisboa da Tradição”.

Para o fim ficou ainda a participação extra-concurso da Tuna Universitária do Minho, com 64 elementos em palco, numa actuação que se iniciou com um pequeno teatro com muito humor preparado pelos caloiros da tuna sob o tema “Circo” como não poderia deixar de ser. Uma actuação que passou pelos temais mais conhecidos da tuna e que fizeram história no Theatro Circo como sejam “Boémia”, “Trilhos Ciganos”, “A Fonte e o Teu Nome”, e “Adeus é Sempre Adeus”.

A noite terminou na discoteca “Populum” até se esgotar todas as cervejas que os tunos tinham direito por cartão – 6 (depois de entrar e sair da discoteca várias vezes como é evidente). Uma festa bem preparada, sobre a temática do festival, que teve direito decoração própria, a um domador se serpentes e mais dança do ventre para gáudio dos tunos presentes.

O sábado começou pela tarde no bar “Insólito” onde os tunos puderam retemperar o corpo com uns grelhados, caldo verde e muita cerveja. Música, danças polacas da Infantuna, de tudo um pouco se viu, quase até à hora de jantar. Uma tarde bem passada, onde mais uma vez se demonstra que para além de um programa de festival extenso com direito às vezes a serenatas e passacalles, o essencial de um certame de tunas, é sem dúvida proporcionar às tunas momentos de são convívio e amizade, por mais simples que sejam.

A segunda noite do certame, mais uma vez com lotação esgotada, iniciou-se no Theatro Circo com a presença da Infantuna de Viseu, com apenas 27 elementos (a menor do festival), mas apesar disso, com vozes fortes e afinadas, que conquistaram o público presente. Apesar do reportório não ter nada de novo, foi bem tocado e eclético como se pretende, com destaque para o instrumental (Violino no Telhado/Czardas de Monti) onde houve lugar a uma pequena cena de circo com direito a levitações, malabaristas e passes de magia, sempre com bastante humor. O momento alto da actuação vai sempre para o excelente arranjo da “Balada para um Louco” de Astor Piazzola, “Viseu Menina”, o hino oficial da cidade, e para o final claro, o “Indo Eu…” numa versão que contagia sempre qualquer público.

Logo em seguida, entrou em palco a TUIST com 46 elementos, numa actuação toda ela dedicada ao Circo, e onde se conseguiu misturar da melhor forma o saber tocar e cantar, com a apresentação, por vezes séria, mas quase sempre com bastante humor, fruto do à vontade e capacidade imaginativa dos seus elementos nomeadamente do “Doutor” e “Véspera”. A entrada da tuna começou com a história de amor de um palhaço, contada em forma de ópera, com legendas em português para que se pudesse seguir a história. Para além disso os destaques vão para “Santa Morena” o já premiado novo instrumental, e claro, o momento mais emotivo do festival “Foi Deus”, interpretado pelo bem conhecido “Supermário”, que nas palavras que dirigiu ao público, revelou que tinha feito duas promessas: a que se voltasse a tocar no Theatro Circo seria a sua última actuação na TUIST (promessa que para bem de todos nós não irá cumprir) e que finalmente voltaria a traçar a sua capa ao fim de 10 anos (desde o último CELTA realizado naquela sala). Uma interpretação sentida, um momento simbólico que levou Às lágrimas muitos dos presentes e a uma ovação final de pé. Para final, ainda ficou uma nova versão de um tema dos ABBA, com letra dedicada ao “XV CELTA”

Após o intervalo e mais uma participação do ilusionista de véspera, agora com a participação de voluntários do público (entre os quais o Doutor da TUIST), mais alguns momentos de humor a lembrar mais uma vez o tema do festival.

De volta ao concurso, entrou em palco os Tunídeos do Açores, que trouxeram consigo, como é habito, o bom humor, temas sempre originais, boas coreografias de pandeiretas e bandeiras, intercalados com peças humorísticas como eles bem sabem fazer. Conseguiram provar que um açoriano é melhor mágico, domador de vacas e ginasta que qualquer um que venha dos “States”. O destaque que gostaria de fazer vai para o tango que não sei o nome porque o apresentador não referia o nome dos temas, para o instrumental, e claro para as várias coreografias e adereços que muitos dos tunos apresentavam. Uma verdadeira mega produção que entusiasmou o público presente, e a grande massa de apoio que a tuna trouxe dos açores, e não só.

A terminar as tunas a concurso, surgiu a Cartola de Aveiro, com 55 elementos em palco, como sempre bem coordenados nas coreografias e passagens musicais que conseguem interpretar. O destaque vai para o novo tema, que os “cartolas” confessaram ainda não ter nome, mas como era baseado nas actividades circenses, logo lhe chamaram “Circo de Leitores”. “Macho Português”, “Serenata” e a “Triste História de um Cartola” completaram a actuação, sempre cheia de variações de ritmos, boa presença de bandeiras e pandeiretas e… um morto…

Para fim de festa, tivemos mais uma vez o João Seabra, desta vez no papel de ventríloquo, e a sua ave “truz-truz”, ou avestruz se preferirem, que antecedeu mais uma actuação da Azeituna (com 47 elementos) que entre apresentação de prémios e agradecimentos, ainda tocaram: Percursos (instrumental comemorativo dos 15 anos do CELTA), “Dá-me Lume”, “Versos de Amor”, “Duas Guitarras”, mais um instrumental com a presença de quase todos os pandeiretas da tuna, ajudados nas suas coreografias por pequenos bancos (a idade não perdoa), o que tornou o momento bastante engraçado, “Serenata à Primavera”, “Zé Brasileiro” e no fim “O Douro Passa a Cantar”.

O júri deliberou:

Melhor Porta-estandarte: Tunideos - Tuna Masculina da Universidade dos Açores
Melhor Pandeireta: Tuna da Universidade Católica Portuguesa - Porto
Melhor Solista: TUIST - Tuna Universitária do Instituto Superior Técnico
Melhor Instrumental: TUIST - Tuna Universitária do Instituto Superior Técnico

Tuna Mais Tuna: Tunideos - Tuna Masculina da Universidade dos Açores

3ª Melhor Tuna: Magna Tuna Cartola de Aveiro
2ª Melhor Tuna: Tuna Académica Infantuna Cidade de Viseu
Melhor Tuna: TUIST - Tuna Universitária do Instituto Superior Técnico

Mensagem especial para a Câmara Municipal de Braga, na pessoa da Dra. Ilda Carneiro, Vereadora da Cultura da CM de Braga, pelo apoio à Azeituna neste processo importante de devolver à casa um certame dos mais importantes do nosso país. É importante (até como já foi exposto pelo meu amigo J Pierre no seu blog Notas & Melodias) que as entidades responsáveis percebam da importância destes espaços têm para a promoção de eventos de qualidade como foi o caso deste XV CELTA. Grande produção da Azeituna, que decorreu se incidentes, como é de esperar entre pessoas de bem como são os elementos das tunas.

Um grande fim-de-semana, onde mais de 450 tunos passaram pelo palco.


O Melhor CELTA de sempre… Eu acho que sim!

Abraços e até para o ano!

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