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XIII Cidade Berço: A Reportagem
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XIII Cidade Berço: A Reportagem

Por Gonçalo Martins De Matos

A XIII edição do Cidade Berço, o festival da Afonsina – Tuna de Engenharia da Universidade do Minho começou logo no dia 2 de Março, com a realização das serenatas à cidade de Guimarães no belo Largo da Oliveira, onde participaram, para além das tunas a concurso, a Tun’Obebes – Tuna Feminina de Engenharia da Universidade do Minho e a Gatuna – Tuna Feminina Universitária da Universidade do Minho, como tunas convidadas para esse evento.



A noite do festival ocorreu no dia 3 de março, no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, tendo-se iniciado às 21h30. Desde logo prometeu uma grande noite de folia com a apresentação do festival, que coube aos Velhos Nicolinos, através de momentos musicais e de uma pequena história com os personagens Afonso, Muma e Truão das Danças de São Nicolau, que arrancaram gargalhadas ao público sempre que apareceram em palco (das apresentações eu gostaria de destacar três momentos aos quais me referirei mais à frente).



A primeira tuna a atuar foi a Tuna Universitária do Minho, tuna madrinha da Afonsina, como tuna extra concurso. Iniciaram a sua atuação com a sua versão de “A Flor e o Espinho”, de Nelson Cavaquinho, partindo depois para um original seu de nome “Donzela Inesperada”, que já não interpretavam há algum tempo. De seguida tocaram “Sonho”, que é sempre uma boa música para animar o público. Mantendo-se no espírito de animação, seguiram-se o seu tão bom instrumental, a “Partizan” e o seu ex libris, a “Boémia”. Destas últimas três músicas destacam-se, como de costume, as pandeiretas e os estandartes que sempre conseguem animar a festa.



Aqui entraram os Velhos Nicolinos para apresentar a próxima tuna, tendo feito um pequeno momento musical apelidado de “Acólitos Anónimos”, no qual interpretaram um texto sobre educação sexual sob a forma de canto gregoriano, o qual desfez o auditório em gargalhadas.



A primeira tuna a concurso foi a Oportuna – Tuna Académica de Ciências da Saúde do Norte, que começou logo de início com uma versão da “De Alma Despida”, de Tatanka, que dedicaram a três dos seus elementos que partiram. De seguida apresentaram uma estreia em palco, uma versão de “Flagrante”, de António Zambujo, música de solista. Seguiu-se o seu instrumental, de nome “Chote”, composta por sonoridades da Beira Interior, da região dos Balcãs e do Médio Oriente, que envolveu coreografias de estandarte e pandeiretas, apesar de uma ligeira descoordenação destas últimas, e lança-confettis. De seguida tocaram a sua versão de “Eu não sei quem te perdeu”, de Pedro Abrunhosa, numa versão que já é conhecida desta tuna e que cai muito bem no ouvido. Por fim, tocaram “O Amor é Louco”, do qual se destacou uma coreografia com o estandarte muito boa e umas pandeiretas melhor coordenadas. 



A segunda tuna a concurso foi a Tunadão 1998 – Tuna do Instituto Politécnico de Viseu, que começou desde logo com o seu hino estudantil “Estudante de Viseu”, com a tão famosa coreografia de pandeiretas que termina com os mesmos de costas com máscaras brancas na nuca e com as letras que compõem o nome “Tunadão” nas costas dos coletes. De seguida interpretaram o fado “Lenda da Fonte”, de Domingos Silva, música interpretada por um solista muito bom. A música seguinte foi o seu instrumental, composto de três peças clássicas (“Adagio” de Bach, “Barbeiro de Sevilha” de Rossini e “Dança do Sabre” de Khachaturian), ao qual apelidaram de “Conquistador” em homenagem à terra de Afonso Henriques, de resto soberbamente interpretada. Seguiu-se a “Balada do Padeiro”, impecável como sempre, após a qual interpretaram “Caravelas e Menina da Saia Preta”, da qual se destaca, para alem da qualidade da interpretação, uma coreografia de pandeiretas na qual estes estavam vestidos de caloiros da Afonsina, com os “cruzados” por cima dos seus trajes, o que constituiu um momento muito interessante na sua atuação, terminando esta interpretação com o seu já famoso grande final, os estandartes, pandeiretas e dois elementos segurando um outro que revela uma tarja onde se lê “Obrigado e até à próxima”. A cereja no topo do bolo consistiu no seu tão original grito académico, que é sempre um prazer de ouvir. 



Após um intervalo de 10 minutos, os Velhos Nicolinos voltaram a arrancar gargalhadas infinitas à audiência com um momento genial em que cantaram sobre badalos e sinos, sendo que os elementos se apresentaram com tachos ao peito e conchas de sopa atadas a uma corda que eles esticavam com as pernas, fazendo com que as conchas batessem nos tachos! 



A terceira tuna a concurso foi a Luz&Tuna – Tuna da Universidade Lusíada de Lisboa, tuna irmã da Afonsina, que abriu a sua atuação com uma versão da “Menino do Bairro Negro”, de Zeca Afonso, música de solista e da qual se destacou (ao longo da atuação toda) o uso de três contrabaixos, um dos quais mais pequeno, que foram tocados com arco e em pizzicato (com os dedos). De seguida interpretaram “É de Lisboa”, música celebrizada por Amália, que envolveu coreografias de estandarte e pandeiretas. Seguidamente, a Luz&Tuna fez uma sentida homenagem a um elemento seu que já partiu, dedicando-lhe a música seguinte, “Nunca Mais”, uma balada original. A este momento solene seguiu-se o seu tema instrumental, “Variações em Ré menor”, de Fontes Rocha, do qual se destacaram muito pela positiva os bandolins e as guitarras portuguesas, após o qual interpretaram a sua versão de “Senhores da Guerra”, dos Madredeus, muito bem interpretada pela tuna. Para finalizar tocaram um tema original, “Canta Lisboa”, do qual, entre coreografias de estandartes e pandeiretas, se destacou um dos porta-estandartes com uma coreografia magnífica.



A quarta e última tuna a concurso foi a Estudantina Académica de Castelo Branco, que entrou com o seu Hino "É por ti que eu canto", destacando-se a inclusão do refrão do Hino da Afonsina, que foi um pormenor interessante, seguindo-se o instrumental "Balalaikas". Após a interpretação de “Lisboa, não sejas francesa”, celebrizada por Amália, seguiu-se “Estrela do Mar”, de Jorge Palma, que incluiu uma coreografia com estandarte. De seguida, foi interpretada “Uma Flor de Verde Pinho”, música cantada por Carlos do Carmo no Festival da Canção de 1976, que contou com um maestro a coordenar as vozes e destacando-se o uso de um trompete. Por último foi interpretada a música de António Variações, “Adeus que me vou embora”, que contou com solista e coreografia de estandarte e pandeiretas, tendo sido dedicada aos seus camaradas e companheiros de Tuna e a todos aqueles que nos acompanham neste percurso que é a vida, o que constituiu mais um momento bonito numa noite plena de momentos memoráveis.



Por falar em memorável, a apresentação dos Velhos Nicolinos desta vez consistiu numa banda de seu nome Indromination, que apresentou uma música “em português «Put a flower on your hair» e em inglês «Põe uma flor no teu cabelo»” e que arrancou as mais estrondosas gargalhadas do público. 



Para terminar, como não podia deixar de ser, atuou a tuna anfitriã, a Afonsina – Tuna de Engenharia da Universidade do Minho, que iniciou a sua prestação com uma música que estrearam em palco, de seu nome “Perdoei”, da qual se destacou o segundo porta-estandarte com uma coreografia impressionante. De seguida foi interpretada o seu tema “Onde Acaba o Oeste”, que, como sempre, marcou pela sua diferença e originalidade no panorama das atuações de tunas. Após esta, seguiu-se o seu belíssimo tema original “Lenda da Fonte”, que é sempre um prazer auditivo. Após a interpretação do seu “medley” “Siga a Marinha + Chico Fininho”, que contou com coreografias de estandartes e pandeiretas, seguiu-se a apresentação dos agradecimentos (da qual é de gabar a rapidez enumerativa do apresentador) e a entrega de prémios. Para terminar em chave de ouro (como não podia deixar de ser), a Afonsina brindou-nos com o seu tão famoso “Hino da Afonsina”, que é sempre um prazer de ouvir, apreciar e de acompanhar a letra. 


Os Prémios ficaram distribuídos da seguinte forma:


Melhor Serenata: Tunadão 1998

Melhor Pandeireta: Luz&Tuna

Melhor Estandarte: Luz&Tuna

Melhor Solista: Tunadão 1998

Melhor Instrumental: Tunadão 1998

Melhor Interpretação Musical: Tunadão 1998

Tuna Mais Tuna: Tunadão 1998

Melhor Tuna: Tunadão 1998


A festa continuou na BlackBox do CAAA – Centro para os Assuntos da Arte e Arquitetura. 

O PortugalTunas agradece à Afonsina o acolhimento e facilidades concedidas.



Gonçalo Martins de Matos

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