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X fESTA - Cidade de Abrantes
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X fESTA - Cidade de Abrantes

A Reportagem

25 de Abril, data histórica escolhida pela Estatuna, Tuna Académica da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, para a realização da 10ª edição do seu festival. O Teatro S. Pedro foi uma vez mais o palco escolhido para este X fESTA – Cidade de Abrantes, que teve a particularidade de decorrer em jeito de encontro de Tunas em vez de festival propriamente dito. Pela primeira vez na história do fESTA e para comemorar o décimo aniversário do festival, a Estatuna decidiu que este ano não haveria concurso.

O Festival teve início pelas 21h30 e contou com a participação de Tunas que ao longo dos anos criaram laços de amizade e foram marcantes na vida da Estatuna:
• Tuna Médica de Lisboa: Tuna da Faculdade de Medicina e da Faculdade de Ciências de Médicas de Lisboa
• Vicentuna: Tuna da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
• Tum’ Acanénica: Tuna Mista da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria
• Tuna Templária do Instituto Politécnico de Tomar
• Instituna: Tuna Mista do Instituto Politécnico de Leiria

A Tuna Médica de Lisboa abriu o X fESTA iniciando a sua actuação com o tema “Entrudo”, música popular da beira baixa celebrizada também por Zeca Afonso, grande mestre da música portuguesa, relembrado nesta noite de 25 de Abril. Seguiu-se a interpretação dos temas “A Doce Vida”, “Casa Portuguesa”, “Lisboa à Noite” na voz poderosa da sua solista Mafalda, “Canção de Embalar” de Zeca Afonso, terminando com o seu hino, o “Fado de Estudante” celebrizado no filme “A Canção de Lisboa”. A saída em palco foi dada ao som de um apelo especial “Soltem as Vacas Louca!”. Destaques na actuação da TML para a qualidade das constantes variações de intensidade vocal e para os seus pandeiretas com alguns movimentos originais e de boa qualidade em termos de execução.

A segunda Tuna a pisar o palco foi a Vicentuna. A curiosidade no público pela actuação da Vicentuna era grande visto que foram distribuídos antes do Festival pelos lugares do Teatro S. Pedro, panfletos que anunciavam “Vicentuna apresenta – 25 de Abril, O Musical”. Iniciaram a actuação com o tema “Leitaria Garrett” de Vitorino no qual a habitual encenação e recriação dos sons do chiado em 1904 foi adaptada ao 25 de Abril e substituída por uma encenação do Largo do Carmo em 1974 com a presença de um “carro militar” fazendo alusão à revolução. Um grande momento que o público retribui com aplausos. Seguiu-se o instrumental da música “Tanto Mar” de Chico Buarque, o tema “Lisboa das Cantigas” e “Xácara das Bruxas Dançando” dos Trovante. Entre as músicas foi então recriado o musical previamente anunciado realçando o papel fictíco da PIDE e dos Comunistas, nomeadamente do amor entre Carlos (sub-director da PIDE) e Joana (comunista na clandestinidade) para o desencadear da revolução… musical com o objectivo de organizar um musical. Grande actuação e sobretudo grande espectáculo proporcionado pela Vicentuna que saiu de palco atrás de um pequeno carro telecomandado disfarçado de blindado militar, exibindo um cravo vermelho.

Seguiu-se a Tum’Acanénica, a Tuna das Canecas que iniciou a sua actuação com o tema “És o nosso Almirante” seguindo-se a serenata “Só por Amor” e o original “Fonte das 3 Bicas”. Foram ainda interpretados os temas “Festa da Vida” celebrizado por Carlos Mendes no Festival da Canção em 1972 e o original “A Casa da Senhoria” cuja letra divertiu o público de Abrantes. Uma boa actuação da Tum’ Acanénica com destaque ainda para a execução das coreografias do seu principal e experiente porta-estandarte “Minipreço”.

Após um curto intervalo, subiu ao palco a única Tuna masculina da noite, a Tuna Templária cuja Tuna afilhada é precisamente a Estatuna. Iniciaram a actuação com a “Marcha da Saudade” acompanhado de um pequeno desfile de um andor no mínimo “especial”. Seguiram-se os temas “Portugal, Portugal” em homenagem ao 25 de Abril, “Menina que não disse nada” e “Gostava de vos ver aqui” de Paulo de Carvalho. Foi ainda tocado o Instrumental da Pantera Cor de Rosa que fez a sua aparição por detrás da Tuna, retirando teimosamente um a um, os chapéus dos elementos da Templária, surgindo ainda o Inspector Clouseau procurando incessantemente … qualquer coisa… A Tuna Templária encerrou a sua actuação com o tema “Pensando em ti”. Destaque ainda para as variações e complexidade dos passos executados ao longo da várias músicas e para as interessantes e dinâmicas coreografias dos seus pandeiretas.

Seguiu-se a Instituna que abriu a sua actuação com o seu hino “Acordes Apaixonados”, tema que deu nome ao seu primeiro CD. Seguiu-se a interpretação do tema “Até o amor não mais poder” num dueto interessante. Foram ainda apresentados os originais “Tributo ao Vinho”, “A nossa Cidade” e “Segredos de Leiria”, com algumas coreografias dos seus pandeiretas pelo meio. A saída foi feita ao som de “Vai-te embora ó Zé”.

A Estatuna como Tuna anfitriã encerrou a noite no Teatro S. Pedro, iniciando a sua actuação com a adaptação do tema “A Prima da Chula” dos Trovante, seguida do tema “Marília Ausente”, uma adaptação de um poema de Bocage, cantando a solo pelo seu Magister “Ernesto” e interpretado pela primeira vez pela Estatuna na cidade de Abrantes. Seguiu-se um pequeno momento de diversão em que os elementos da Estatuna trocaram de instrumentos e adereços incluindo estandartes e pandeiretas para interpretar o tema “Playback” de Carlos Paião. Sem dúvida que se descobriram novos talentos… ou talvez não… mas ninguém contestará a ideia que a imagem de novos pandeiretas liderados pelo seu magister ou de um veterano “Jesus” com uma bandeira na mão, não se esquece assim tão depressa. Em noite de 25 de Abril, seguiram-se os tributos a Zeca Afonso com os temas “O que faz falta” e “Canção de Embalar”. A actuação marcada pela boa prestação dos seus solistas e pela qualidade dos seus porta-estandartes terminou com o tema de origem sul-americana “Viajera”.

Seguiram-se os habituais agradecimentos e entrega dos prémios de participação. O encerramento do X fESTA foi feito ao som do “Hino da Estatuna”.

Relativamente às condições técnicas e organizacionais: nota positiva para o som e iluminação. Os apresentadores do Festival proporcionaram alguns momentos de diversão ao longo da noite mas com o decorrer do espectáculo e com o aparente desaparecimento de algumas cábulas, tiveram que recorrer a verdadeira técnicas de “encher chouriços” para permitir que as tunas se preparassem por detrás da cortina. Nota positiva para a organização do Festival e para a cidade de Abrantes em si.

Uma edição especial do fESTA – Cidade de Abrantes que proporcionou ao público presente, grandes momentos musicais. Parabéns às Tunas pela aplicação e preparação das respectivas actuações apesar de não haver prémios em jogo.

Parabéns também à Estatuna pelo 10º aniversário do seu festival que regressará para o ano no seu formato habitual, com concurso.

Até ao XI fESTA – Cidade de Abrantes!!!

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