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VII (RE) CORDAS -Memórias da Calçada
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VII (RE) CORDAS -Memórias da Calçada

A Reportagem

Nos passados dias 19 e 20 de Fevereiro, decorreu em Coimbra o VII (RE)CORDAS - Memórias da Calçada, organizado pela Desconcertuna, Tuna Mista da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.

Esta edição Festival cujo tema foi "Memórias da Calçada", numa alusão às tradições académicas de Coimbra, contou com a presença das seguintes Tunas a concurso:

 

* Enftuna - Tuna da Escola Superior de Saúde de Portalegre

* Tuna Económicas - Tuna do Instituto Superior de Gestão e Economia (Lisboa)

* Arquitectuna - Tuna Académica da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa

* TUSALD - Real Tuna Académica da Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias (Castelo Branco)

 

Para sexta-feira feira 19 de Fevereiro estava reservada a noite de serenatas que decorreu no Café Santa Cruz.

A primeira Tuna a apresentar-se foi a TUSALD que interpretou duas serenatas originais, "É por ti" na voz do solista José Gaspar e "Serenata de um Sonhador" na voz do solista André Vieira.

Seguiu-se a Arquitectuna que também apresentou duas serenatas originais: "Desabafo" interpretado pelos solistas Ana Martins e João Silva e "Agora Voa" na voz do solista Pedro Roque.

A Tuna Económicas prosseguiu a noite de serenatas com mais dois temas originais: "Sonho de Amor" interpretado pelo solista Diogo "Jarvas" Lima e "Amanhã por esta Hora" na voz do solista Miguel "Marilu" Barbosa.

A última Tuna a apresentar-se na noite de serenatas foi a Enftuna que apresentou "Perdidamente" na voz de Pedro Bravo "Brinhol" e "O Caminho" interpretado por João Mendes "Tintins".

De realçar ainda nesta noite de serenatas a participação do Coro Misto da Universidade de Coimbra.

 

Para a noite de Sábado estava reservado o Festival que decorreu no Teatro Académico Gil Vicente.

A abertura do Festival ficou a cargo de Vânia Couto, fundadora da Desconcertuna, com a apresentação de um excerto do seu projeto musical "Branta" interpretando temas de diversos estilos musicais com gravação ao vivo e sobreposição em "looping" de vários instrumentos e vozes. Começou por apresentar o tema tradicional "Pera Verde" seguindo-se "Vaca de Fogo" de Madredeus. Interpretou ainda "Blackbird" de Nina Simone, "Saudades de Coimbra", tema que fez parte do reportório da Desconcertuna e por fim "Senhora do Almortão/A minha Mãe dos Trabalhos" a cappella acompanhada por um adufe.

A primeira Tuna a concurso a apresentar-se em palco foi Enftuna que iniciou a sua prestação a cappella com Toada de Portalegre, uma adaptação de um poema de José Régio dedicado à cidade alentejana. Prosseguiram de imediato com o instrumental "Les Jours Heureux" de Yann Tiersen. "O que Custar", tema apresentado pelo Quarteto 1111 no Festival da Canção em 1977 foi o tema que se seguiu com interpretação a solo de Miguel Pedro "TuiTy". Apresentaram ainda o original "O Farol" e "Canção de Madrugar" tema do Projecto Rua da Saudade com letra de José Carlos Ary dos Santos. Terminaram com o seu tradicional "Medley" de Originais. Como a Enftuna já nos habituou, preparou vários interlúdios musicais com uma sempre cómica narração do veterano apresentador de serviço Luís Simão "Stick", fazendo um devido enquadramento ao tema do festival, com o objetivo claro de entreter o público. Como também é recorrente, a Enftuna optou por montar um espetáculo completo em detrimento da preocupação em cumprir o tempo limite de atuação que uma vez mais excedeu de forma significativa (38 minutos). Regulamentos à parte, o público aplaudiu a prestação da Enftuna.

 

Em palco, seguiu-se a Tuna Económicas que iniciou a sua actuação com o original L.I.S.B.O.A (Lírica Interessante Sobre Boémios, Outros e Afins) seguido do instrumental de Yann Tiersen "La Noyee". Prosseguiram com "Cheira a Lisboa" na voz dos solistas Diogo "Jarvas" Lima e Joana "Bicaça" Bica. O último tema apresentado pela Tuna Económicas foi o seu mais recente original "O Mostrengo" com intervenções dos solistas Miguel "Marilu" Barbosa e Ruben "Macaco" Viveiros, tema este que foi sem dúvida alguma o momento musical mais alto da noite. Um tema com 7 minutos e 21 segundos de duração em que se destacam os arranjos vocais e o elevado nível de execução instrumental tanto ao nível da percussão como da mistura de sonoridades dos bandolins, acordeons, clarinete, bandola, contrabaixo e guitarras que configuram a este tema uma sonoridade épica com momentos de altíssima intensidade. "O Mostrengo" marcou definitivamente o espetáculo da Tuna Económicas em Coimbra.

 

Após o intervalo, subiu ao palco do TAGV a Arquitectuna que começou por apresentar " A Morte saiu à Rua" de "Zeca" Afonso na voz rouca do solista Pedro Roque seguido de "Capitão Romance" dos Ornatos Violetas. O instrumental "Medley dos Piratas das Caraíbas" com composição de Hans Zimmer foi o tema que se seguiu com surgimento em palco das gémeas pandeiretas. Voltou de seguida o solista de serviço Pedro Roque no centro do palco, acompanhado por uma guitarra clássica e uma guitarra portuguesa para interpretar de forma sentida, mais um tema do mestre "Zeca" Afonso em alusão à tradicional serenata Coimbrã, embora sem qualquer participação dos restantes elementos da Arquitectuna neste tema. Terminaram com o seu original "Morna da Estrutura". Entre os temas apresentados, a Arquitectuna aproveitou ainda para recitar alguns divertidos poemas onde deixo o desafio aos leitores de lerem em voz alta os seguintes versos:

"Quando cai a chuva grossa

Água do cume desce, orvalho do cume brilha e a floresta do cume cresce

E à hora crepuscular,

Tudo no cume escurece, pirilampos do cume saem, tudo no cume arrefece!"

 

A última Tuna a concurso a pisar o palco deste VI (RE)CORDAS foi a TUSALD que apresentou o "Medley Albicastrense" com intervenção da solista Margarida Ribeiro, seguido do original "É por ti" na voz do solista José Gaspar. Prosseguiram com o instrumental original "Débutant", seguindo-se o original "Alma de um Pescador" e terminando com um último original: "Cidade da Saudade" na voz do solista "André Vieira". A TUSALD trouxe a Coimbra um reportório recheado de temas originais embora à atuação no seu global carecesse de um pouco mais de intensidade.

 

Enquanto o júri se retirava para deliberar, subiu a palco a anfitriã Desconcertuna que apresentou um reportório composto exclusivamente por temas originais. O primeiro tema apresentado foi "Poeta Vadio" seguido de "Trova de um Amanhecer" com intervenções dos solistas Bernardo Oliveira e Andreia Freixo. Prosseguiram ainda com "Hino do Estudante" e "Balada da Tricana", tema com uma sonoridade coimbrã e  destacando-se uma belíssima interpretação da solista Cristiana Bento, arrecadando desta forma uma das maiores salvas de palmas da noite. Já com os antigos em palco, a Desconcertuna terminou a sua atuação com "A Farra". Destaque ainda neste último tema para uma coreografia executada por várias gerações de pandeiretas, num total de 11 elementos a saltarem em simultâneo.

 

Finalizada a atuação da Desconcertuna e concluída a deliberação do júri composto por Alice Gariso (Instituto Português do Desporto e da Juventude), Maria Gouveia (antiga da Desconcertuna), Cláudia Ribas (Coro Misto da Universidade de Coimbra), Luís Correia (Presidente da Phartuna) e Mariana Farinha (Coordenadora do Pelouro da Cultura da AAC), procedeu-se à entrega dos prémios.

 

Melhor Serenata: Enftuna

 

Melhor Instrumental: Tuna Económicas

Melhor Solista: Arquitectuna

Melhor Pandeireta: Tuna Económicas

Melhor Porta-Estandarte: Tuna Económicas

Melhor Original: Tuna Económicas (tema: "O Mostrengo")

Prémio "Memórias da Calçada" (temático): Enftuna

Tuna Mais Mista: Tuna Económicas

 

Tuna mais Tuna: Arquitectuna

Melhor Tuna: Tuna Económicas

 

Em suma, um bom espetáculo que merecia uma assistência um pouco mais numerosa. Relativamente às condições técnicas, nota satisfatória para as condições de som e iluminação, embora com algumas dificuldades pontuais na sempre difícil equalização de um espetáculo de tunas e uma qualidade global do som emitido para a plateia que pode ainda ser melhorado. Nada que de uma forma global prejudicasse de forma muito significativa, o espectáculo. Uma apresentação do espetáculo simples mas muito eficaz com suporte de alguns divertidos vídeos alusivos ao tema do festival, relembrando várias tradições da academia coimbrã.

 

Parabéns à Tuna Económicas pela vitória indiscutível neste VII (RE)CORDAS, às restantes Tunas pelo espetáculo que proporcionaram e à Desconcertuna pela organização.

 

Quem não assistiu ao espetáculo pode sempre rever a totalidade do festival transmitido em direto pelo TV AAC no seguinte link:

https://www.youtube.com/watch?v=wS8orGUsGqs

Um agradecimento especial à Desconcertuna pelas condições proporcionadas ao PortugalTunas para a realização desta reportagem.

 

Vincent Domingos "25"

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