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Notas de um Carnaval sem Tunas
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Notas de um Carnaval sem Tunas

Hoje Em Dia, Contudo, Parece Que Os Tunos Fazem Férias, Que As Tunas Fazem Pausa, Até Mesmo De Festivais. Terão Esquecido, Porventura, De Onde Surge A Tradição Do Passacalles, Reproduzindo-o Apenas Artificialmente Em Certames?

Não é de hoje, mas de quase sempre, desde que a Tuna Portuguesa reviu o dia, já lá vai 1/4 de século, que a ausência de tunos nos desfiles carnavalescos se faz notar.
É sabido, pelo menos daqueles que fazem por isso, que o Carnaval será, porventura, a época do ano mais "tunesca", pelo menos, historciamente falando.

São vastos os indícios, relatos e documentos que comprovam que as Tunas, as Estudantinas, as "Troupes" se manifestavam garborosamente nos corsos, nos cortejos festivos do Entrudo, do Carnaval, desde o Domingo Gordo à Terça-Feira Gorda (dia de Carnaval).
Não apenas récitas em teatros ou salões, mas principalmente a Tuna na rua, desta feita no seu ambiente natural e na época do ano onde maior era a sua importância socia e cultural e, consequentemente, a sua visibilidade e contacto com as pessoas.

Tuna e Carnaval andaram, pois, sempre, de mãos dadas, de forma indissociável, até.
Hoje em dia, contudo, parece que os tunos fazem férias, que as tunas fazem pausa, até mesmo de festivais.
Um contra-senso histórico que carece de uma explicação lógica, senão pelo facto de não se conhecer a história e tradição do negro magistério, de se não perceber a importância do Carnaval na história e tradição tunantes.

Mais do que sambas e bailarinas semi-nuas a tentar rivalizar com as inalcançáveis cariocas, mais do que escolas de samba e suas baterias, faltam as tunas, faltam as verdadeiras escolas do Carnaval - escolas que se despiam da sebenta para vestir o papel de foliões e timoneiros dos desfiles, arruadas e festejos de rua - que tão amplamente eram notícia nos periódicos de antanho.

Vestiram-se as nossas tunas de "finesse" a mais que se acham, já, demasiado "in" para descer à rua?
Terão esquecido, porventura, de onde surge a tradição do Passacalles, reproduzindo-o apenas artificialmente em certames?
Se a tuna é já só de palco, já quase só se pode ver em salas, não será mais coerente, e cómodo, então, regressarem ao antigo modelo e tocarem sentadas (e, já agora, com partitura e maestro à frente)?

Sentadas ficam nesta altura, o que é pena!

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