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III Magna Augusta: Reportagem
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III Magna Augusta: Reportagem

Por José Pedro Rodrigues

Este fim-de-semana passado decorreu o III Magna Augusta, realizado em Braga, e organizado pela Augustuna, a Tuna Académica da Universidade do Minho. Mas há algo particular acerca deste evento: o II Magna Augusta decorreu em Março de 2007, e a Augustuna esteve em hiato durante 5 desses anos de de permeio entre ambos os Magnas. 


Para obtermos alguma perspetiva sobre o tempo que passou, quando a Augustuna organizou o II Magna Augusta, George W. Bush ainda era o presidente dos Estados Unidos da América, José Sócrates era o primeiro-ministro Português, o primeiro iPhone ainda não tinha sido lançado e a Nokia ainda era líder de mercado, o Windows Vista tinha mês e meio e a Bitcoin não existia, Saramago ainda era vivo e o último livro da saga Harry Potter ainda estava por publicar, e Ederzito, com 19 anos, ainda jogava nas camadas jovens de um clube satélite da Académica. 


E depois de tudo isso ter mudado, a Augustuna organiza o III Magna Augusta.
Nos dias antecedentes vai-se sentindo um clima de alegria e stress no ar, os materiais de que se fazem os festivais de Tunas, alimentados pelo peso que é reerguer um festival de Tunas. Depois de ter parado em 2008, alguns corajosos decidiram recuperar a Augustuna e a sua velha glória para retomar um espaço na cultura académica minhota que ia fazendo falta no seu panorama. Foi em 2013 que recomeçou a caminhada de restauração da Augustuna, caminhada essa feita de desafios, de dúvidas e questionamento, de passado e futuro, e que de certa forma se pode dizer culminou este fim-de-semana no reerguer do seu festival. É o III Magna, mas é o primeiro festival desta nova geração da Augustuna.


"É com enorme satisfação que celebramos este Magna Augusta certos que haverá uma próxima edição!", são as palavras do Magister, Ricardo Coelho (ou "George Michael", ou "Sesimbra"...) para descrever o estado de espírito dos de azul-braga. Após o festival, afirma que "[é] com o coração cheio que agradecemos a todos os participantes deste nosso "bebé" que começará a dar alguns passos em direção ao que nos propomos: uma referência da cultura e acolhimento Bracarense!"
Está declarada a intenção de continuidade desta "referência cultural". Tendo sido organizado a pensar na durabilidade, esta versão teste do festival foi reduzida para minimizar a possibilidade de problemas. A noite de rondas, uma característica das anteriores edições do festival, ficou com o mesmo nome mas passou para a tarde de sábado (uma espécie de pasacalles), e apesar do jantar-convívio que houve na sexta à noite, a receção às Tunas foi feita no início da tarde de Sábado com um verde de honra. Após isso teve lugar então as rondas, que foram contagiando as pessoas da cidade de Braga, bem como os cafés da zona, onde as Tunas iam carregando energias.


O ambiente vivido era de importância. Ao falar com as pessoas da Augustuna ia-se sentindo um nervosismo preocupado com o decorrer do festival e o bem-estar das Tunas a concurso. Mas havia dois fatores que ajudavam a levantar definitivamente o espírito do festival da prevalência da preocupação: a presença da Tuna Irmã, a Tum'acanénica, que ia naturalmente animando toda a gente que se cruzava com eles, e incentivando a Augustuna, e a presença dos tunos velhos da Augustuna, que, afastados que estão das lides atuais da Augustuna, usufruiram do III Magna Augustuna como um momento de reencontro uns com os outros, e com a Tuna, e de reviver das memórias que os anteriores Magnas terão certamente deixado. 


Apesar do júbilo que se sentia, o festival começou com uma meia-hora de atraso, mas isso serviu também para aguçar a curiosidade do público, que queria rever a Augustuna em palco próprio. Vários membros dos outros grupos culturais da Universidade do Minho marcaram presença, em parte porque saberiam da importância que o festival representa para um dos seus grupos mais antigos. É o reavivar de uma velha chama. 


A Augustuna abriu o espetáculo com duas músicas, sendo recebida com retumbante aplauso por parte da plateia, que pela altura já havia composto a sala. Logo de seguida deram lugar 
à primeira Tuna a concurso, a Estudantina Académica de Lamego, precedida pela TASCA - Tuna Académica de Setúbal Cidade Amada. As Tunas (e os Jogralhos, que se apresentaram com uma das suas melhores prestações) foram dando os parabéns à Augustuna pela coragem de retomarem o festival. 


Após o intervalo, a Tum'acanénica, irmanada com a Augustuna em 2000, atuou para o público bracarense, intervindo várias vezes para contar alguma da história da Augustuna que a Tum'acanénica partilhou, chamando inclusivé ao palco a Magister da Augustuna aquando do irmanamento (sendo que na altura a Augustuna era mista) para relembrar um pouco esses tempos idos. 


O festival ainda contou com a Tuna do Distrito Universitário do Porto, que acabaria por levar a maioria dos prémios, bem como o de Melhor Tuna, e a atuação da própria Augustuna, que demoraria bastante tempo graças também ao carismático apresentador, que interveio algumas vezes para alegria do público presente. Numa das canções em particular, "Fingimento", a Tum'acanénica juntou-se-lhes para a cantarem juntos, essa que foi ofertada à Tuna de Leiria pela Augustuna de então. Foi um momento bonito para acabar a festa da simultaneamente rejuvenescida e envelhecida Augustuna.


A noite do concurso acabaria pela uma e meia da manhã, mas ainda faltava a festa no BA, bem como o convívio marcado para o dia seguinte. No BA as Tunas foram fazendo a festa, acima de todas a Augustuna e a Tum'acanénica, que pareciam radiar alegria para toda a gente, e muitos deles ficaram até o BA fechar portas...


... ainda que houvesse mais festival, no dia seguinte. Nessa altura sentia-se já uma Tuna mais relaxada, mais feliz, capaz então de desfrutar unida do momento que o festival lhes proporcionava. A travessia pelo deserto que a Nova Augustuna fez terminava com o reerger do seu singular festival, e durante o almoço convívio só se falava daquilo que as Tunas haviam desejado durante a noite anterior: o IV Magna Augusta e a continuidade. 

Para uma Tuna que na sua breve história já conta com uma alteração geneológica (a passagem a masculina) e um interregno em que parecia ter desaparecido, nada será mais salutar que a continuidade, que o futuro, e caberá agora às novas gerações carregarem aos ombros esse legado. 


Até ao IV Magna Augusta... e que não seja em 2029, daqui a onze anos!


José Pedro Rodrigues

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