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V MOMENTMUM: A Reportagem
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V MOMENTMUM: A Reportagem

Por Gonçalo Martins De Matos E José Pedro Rodrigues

No dia 16 de Junho teve lugar, no Fórum Braga, a estrear-se como palco de um festival de Tunas, o V MOMENTMUM, organizado pela Tuna de Medicina da Universidade do Minho. O tema desta edição foi o “Irish”, numa homenagem à cultura irlandesa e celta.

As Tunas a Concurso foram, por ordem de atuação:

·         Desconcertuna – Tuna da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra

·         TAOD – Tuna Académica de Oliveira do Douro

·         Arquitectuna – Tuna da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa

·         TMISCAC – Tuna Mista do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra

A Tuna Anfitriã fechou o certame, após o concurso, e a apresentação ficou ao encargo dos Gato Vadio, um grupo de humoristas composto de tunantes de Tunas do Porto. Apesar de a sua prestação não ter estado ao nível do que esteve por exemplo no ano passado,  fizeram um jogo engraçado ao fazer uma espécie de concurso de cultura geral com as Tunas que iam subindo a palco, entregando ao vencedor (quem tivesse o maior número de respostas certas ou, em caso de empate, as raparigas mais gatas...) um “pote vadio”, que não era mais do que uma pia para cães de plástico. Serviu o intento que foi extender o mote do certame, e nesse aspeto estiveram bem.

A primeira Tuna a subir ao palco foi a Desconcertuna, abrindo com o seu catchy original, o mais recente, de nome “Impedido”, ao que se seguiu a balada “Promessa”, na qual se denotou o emprego da guitarra portuguesa, que deu uma aura mais coimbrã à canção. A terceira música que apresentaram foi a peça instrumental, bastante mexida, um compêndio de músicas ou originárias e/ou reminiscentes da Irlanda, com o título “Irish Medley”. A música que se seguiu, “Dizei-me, ò Saudade”, um fado com toada coimbrã, foi a canção de solista da atuação da Desconcertuna. A última música, “Hino ao Estudante”, começou com um solo da pandeireta de salto, e foi um fecho animado para uma prestação bastante sólida da Desconcertuna.

A segunda Tuna a subir ao palco do Fórum Braga foi a Tuna Académica de Oliveira do Douro, com uma atuação que foi interligada com uma narrativa evocativa das paisagens e do imaginário coletivo da Irlanda, mas nem sempre de forma óbvia ou clara. Foi a TAOD a primeira a tocar aquilo que já se esperava que alguém fosse tocar: o lick da música “Shipping Up to Boston”, dos Dropkick Murphys, que acompanhou o preâmbulo para a história que a TAOD queria contar. Ligaram esse momento à brilhante prestação da canção de Martim Vicente “País dos Licenciados”, já de si uma grande canção, à qual a TAOD conseguiu fazer justiça. Seguiu-se-lhe a “Dança do Sabre”, de Khachaturian, a peça instrumental da atuação da Tuna do sul do Douro, e depois a “Minha Donzela”, original da Tuna e canção de solista. A última música da TAOD, após ter saudado todas as Tunas presentes no certame, foi a “Desfolhada” (Portuguesa, que também começou com um solo de pandeireta de salto). Foi uma atuação bastante boa e equilibrada da TAOD. De notar ainda que, subordinado ao tema, um dos seus elementos fez estandarte com a bandeira da República da Irlanda, e saíram de palco mais uma vez ao som do lick da “Shipping Up to Boston”. Fica como referência cultural que essa música, apesar de ser de uma banda do centro dos Estados Unidos da América, toca o chamado celtic punk, fala sobre uma cidade norte-americana com uma cultura fortemente influenciada pelos emigrantes irlandeses que lá se foram establecendo, pelo que até faz algum sentido.

Antes de a Arquitectuna fechar a primeira parte do evento, os duo de apresentadores fizeram uma cover da “Sentir o Sol” dos Quatro e Meia. Os Gato Vadio fizeram o seu mini concurso, e depois a Tuna iniciou a sua atuação com uma versão da Capitão Romance” dos Ornatos Violeta. Seguiu-se-lhe o instrumental, retirado da banda sonora do “Piratas das Caraíbas”, “He’s a Pirate”, de resto composto por Hans Zimmer, e que fez ligação para a canção “Sou Marinheiro”. A música seguinte foi uma adaptação de “A Morte Saiu à Rua”, adaptação de Zeca Afonso, e prestação boa da parte do solista da Arquitectuna, encaixando muito bem no que a canção pedia, seguida de “Lisboa que Brilhas”, que começou com solista feminina, igualmente competente.

Deu-se o intervalo, após o qual foi a vez da TMISCAC, mas antes de iniciarem, foi pena os Gato Vadio, durante o mini concurso de cultura geral, terem cometido uma gafe de níveis internacionais quando disseram que a Irlanda do Norte e a Irlanda NÃO eram a mesma ilha... Mas apesar das gafes, a TMISCAC abriu com Zeca Afonso, nomeadamente “Vejam Bem”, após a qual tocaram uma adaptação da “Um Contra o Outro”, original dos Deolinda, e “20 Anos”, de José Cid, apresentada como música de Solista. Seguiram-se as compisições originais, “Amor e Coimbra”, que foi dedicada a uma tunante da TMISCAC que falecera três semanas antes, e “Coimbra Cidade Mágica” e que, como não poderia deixar de ser, começou com um solo de pandeireta de salto. A última música foi o ponto alto da atuação dos conímbricenses, uma adaptação de “Adeus, Que Me Vou Embora”, de António Variações. Foi uma atuação bem pontuada pelo apresentador, que soube entreter o público entre as canções, e com um repertório bem selecionado.

Após as tuas a concurso, coube à Tuna da casa fechar o certame, como é de Praxe. Antes da atuação, contudo, houve um momento bonito em que dois elementos da TMUM acompanharam os Gato Vadio numa adaptação da música “Trevo de Quatro Folhas”. Ainda de notar, sobre a atuação da Tuna de Medicina da UM, que as letras das canções por elas cantadas constavam do livro de sala, o que ajudou o público a seguir a sua atuação. Antes ainda da própria TMUM entrar em palco, coube aos seus enfermos, ou caloiros, abrirem a atuação, com a segunda rendition da “Shipping Up to Boston”, mas com letra adaptada em vez de instrumental.

A atuação da TMUM per se iniciou-se com a apresentação de um original de nome “Alvorada”, estreia do V Momentmum, solada pela Bufas, seguida do instrumental (também original), “Forastero”, uma peça que tem sido uma mais-valia na prestação da TMUM nos festivais, sendo óbvia a sua qualidade, algo que sobressaiu quando foi tocada. Antes da música seguinte, houve um momento em que os Doutunos leram um texto sobre o significado da Tuna para eles, que serviu de preâmbulo para a ascenção em palco de 4 novos Doutunos, com a devida imposição da insígnia. A música seguinte acompanha a TMUM há algum tempo, uma adaptação intitulada “Vida Boémia”, e após terem anunciado ainda a passagem de dois Curandeiros, tocaram ainda a sua adaptação da “Vinho do Porto”. A última canção antes da entrega de prémios foi a “Tesouro”, um original composto para o festival. Como última canção, para terminar com animação, tocaram a “Fazenda”.

Os prémios foram distribuídos da seguinte forma, por ordem da sua entrega:

Melhor Pandeireta - Desconcertuna

Melhor Solista - Arquitectuna

Melhor Instrumental - Desconcertuna

Melhor Estandarte - Arquitectuna

Melhor Original - TAOD

Tuna Mais Irish - TAOD

Melhor Rally Rick Universal - TMISCAC

Tuna Mais Tuna - TMISCAC

Tuna Mais Público - TAOD

Melhor Tuna - TAOD

 

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