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XXVIII FITU Bracara Avgvsta: A Reportagem
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XXVIII FITU Bracara Avgvsta: A Reportagem

Por José Pedro Rodrigues E Gonçalo Martins De Matos

Neste fim de semana que passou teve lugar mais uma edição do FITU Bracara Avgvsta, o festival de dois dias de concurso organizado pela Tuna Universitária do Minho. Os habituados já sabem que o FITU não se cinge a dois dias de concurso, tendo começado na quarta-feira com o arraial de warm up, organizado para publicitar o FITU junto da Academia minhota, seguindo-se as serenatas à cidade, na quinta-feira, os dois dias de concurso (sexta e sábado) e ainda o almoço de convívio no domingo à parte. É um festival que já se ouve por Braga que dura de quarta a domingo.

As Tunas presentes foram, por ordem de atuação:

·         Tuna Universitária do Minho (anfitriã)

·         TAFDUP – Tuna Académica da Faculdade de Direito da Universidade do Porto

·         Tuna de Maastricht

·         Tuna de Medicina do Porto

·         Tunídeos – Tuna Masculina da Universidade dos Açores

·         Azeituna – Universidade do Minho (extra-concurso)

·         Afonsina – Tuna de Engenharia da Universidade do Minho (extra-concurso)

·         Desertuna – Tuna Académica da Universidade da Beira Interior

·         Tuna Empresariales Barcelona

·         AnTUNiA – Tuna de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa

O certame contou ainda com os Jogralhos – Grupo de Jograis da Universidade do Minho, que atuaram uma vez em cada uma das noites, espalhando o seu humor polvilhado a crítica social, que, conforme a tradição, deram o início ao certame e apresentaram a Tuna anfitriã. A sala de espetáculos do Theatro Circo, dita uma das mais belas do país, vibrava com o burburinho de antecipação enquanto enchia, como encheu, lentamente. A Tuna Universitária do Minho abriu com a música "Gerês Tónico", finda a qual a TUM chamou a palco o Coro Académico da Universidade do Minho, com quem interpretou os temas "O Abraço Acontece" e "Funiculi, Funiculá", ambas músicas de solista, cuja conjugação das poderosas vozes dos solistas e das vozes mistas do Coro proporcionou um momento único. A atuação terminou com o tema "Terras de Portugal", interpretado pela TUM novamente "a solo". Num pequeno interlúdio antes da próxima Tuna a concurso foi apresentado um vídeo da Cruz Vermelha sobre a inclusão social. A primeira tuna a concurso foi a TAFDUP - Tuna Académica da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, que começou com o tema "O teu Murmúrio". De seguida foi interpretado o tema "Mar Maior", música de solista e muito bem interpretada pela Tuna do Porto. A música seguinte foi o seu tema Instrumental "Rainha Italiana da Tarântula Morta", na qual se destacou uma cambalhota do porta-estandarte, seguindo-se a música de solista "Caruso", cujo solista arrancou à sala de espetáculos um estrondoso aplauso. A atuação terminou com o tema "Te Mando Flores".

De seguida entrou em palco a Tuna de Maastricht, com um teatrinho em que entrou apenas um elemento, que fingiu ter chegado sozinho de Maastricht, até que entretanto a Tuna toda entra a partir da porta principal do Theatro Circo, tocando uma canção pelo meio do público até chegarem ao palco e se juntarem ao elemento que entretanto estava sozinho a tocar percussão. A Tuna de Maastricht canta maioritariamente músicas espanholas, como Don Quijote, na qual se sobressaíram as capas e pandeiretas, mas presentearam o público com uma versão sua da canção Águas do Dão, a única em português. Foi uma performance sólida da Tuna de Maastricht, dado o número de elementos em palco.

Após o intervalo a Tuna de Medicina do Porto tomou posse do palco, abrindo com Caixinha de Música, uma das músicas de solista, de resto ambas o ponto alto da atuação da TMP. A segunda música foi a peça instrumental, de nome Palladium, após a qual tocaram a sua conhecida Valsa Pelo meu País, um original com excelentes coreografias. Antes de fechar com a Noites de Ronda, que é sempre a apoteose coreográfica e musical dos estudantes de medicina, tocaram ainda a segunda música de solista, um muito jazzy Futuro. A Tuna seguinte vinha de muito mais longe – os Tunídeos, a Tuna Masculina da Universidade dos Açores. Deram início à sua atuação com uma música de solista, após a qual tocaram o instrumental, de nome Alcácer Quibir. De seguida, tocaram a canção Morrer de Amor, prestação de solista, e O Caminho das Índias, que contou com excelentes coreografias. Fecharam com a magnífica Heróis do Nada, um tema que pegou no hino nacional e fez duras críticas ao estado da nação em termos anímicos, e que arrecadou os mais fortes aplausos durante a sua atuação.

A última tuna a subir a palco na sexta foi a Azeituna. Como é costume tanto no CELTA como no FITU, a Tuna extra-concurso (visto que tanto a TUM como a Azeituna são sempre convidados ao certame do outro) apresentam um pequeno sketch em que trocam alguns galhardetes bem-humorados com a anfitriã; no caso, foram os caloiros da Azeituna que pegaram na canção Barbara Ann dos Beach Boys e fizeram rimas sobre o quão totós são os caloiros da Tuna Universitária do Minho – foi uma maneira bem disposta de a Azeituna começar a sua performance, cuja primeira música foi Tudo o que Eu Te Dou, uma adaptação a partir de Pedro Abrunhosa. Seguiram com a sua prestação instrumental, de nome Lusogalaicocelta, que depois deu lugar à adaptação dos Trovante da Menina das Sete Saias, após a qual Mostrengo e, para terminar, a sua versão da canção Nasci para a Música, original do José Cid. De notar, durante a atuação, a entrada em palco, às escuras, de uma bandeira com um “A” gigante, iluminado, manuseada por um membro da Azeituna em patins.

Finda a Azeituna, esvaziou-se o Theatro Circo. No dia seguinte haveria mais concurso, mais convívio, mais animação... mas menos passacalles. As condições climatéricas, que deram tréguas à Tuna organizadora na quinta-feira, durante a qual puderam fazer a Serenata à Cidade, não perdoaram o Sábado e não houve portanto passacalles propriamente dito. Mas dentro do Theatro Circo não há chuva nem tempestade que impeça a animação de existir e o Theatro Circo ficou de novo repleto, pela segunda noite consecutiva, para ver as Tunas atuar.

A primeira foi a Afonsina – Tuna de Engenharia da Universidade do Minho. Afilhados, eles também, da Tuna Universitária do Minho, deram início às hostes da noite com a canção Perdoo, seguida de Onde Acaba o Oeste. A terceira música foi a fantástica Lenda da Fonte, precedida pela Siga à Marinha. No fim, como é de praxe, terminaram com o Hino da Afonsina, a música super animada que permite sempre à Afonsina acabar numa apoteose. A Tuna seguinte, primeira a concurso na noite de Sábado, foi a Desertuna. Os rapazes da Beira Interior abriram com a Covilhã, a música que fala sobre a cidade onde está a Universidade da Beira Interior e onde, portanto, eles estudam, e na qual se denotou o estandarte e a brincadeira com a dança de rosas na boca. Seguiram para a Vem Ver, e após esta o instrumental Spain, o qual estrearam, por curiosidade, no Theatro Circo, no CELTA de 2016. A quarta e última música foi o Infante.

Após a Desertuna, subiu a Tuna Empresariales Barcelona a palco, também capitalizando o facto de ser estrangeira através de uma rábula em que o caloiro entrou em palco sozinho e só depois os companheiros se lhe juntaram. Iniciaram a atuação com o tema Tenerife, seguindo-se-lhe Perdon, o tema de solista, no qual houve capear. Após essa, tocaram ainda uma música instrumental, durante a qual houve pandeireta, e terminaram com a canção Desculpe Usted. De realçar também, durante a atuação, o momento em que o caloiro pediu ao Theatro Circo ajuda para que ele seja aceite na Tuna, que recebeu calorosos e carinhosos aplausos do público, acho que de certa forma galvanizou a atuação da Tuna, e ainda a “entrega” de um prémio aos anfitreãos... mais uma vez, o caloiro!, que pegou no apresentador (da Tuna da casa) e o levou quase em braços para fora do palco... mas cedo regressaram para terminar o momento institucional de agradecimento.

Findo o intervalo, faltava apenas a AnTUNiA, vindos do sul do Tejo – mas não sem a presença do Tiago Nacarato, que tinha sido anunciada previamente, e que veio para abrilhantar de forma refrescante (entre tanta Tuna) o início da segunda (quarta?) parte do concurso do festival. Quando os estudantes de Lisboa finalmente entraram em palco, deram logo show abrindo com uma interpretação de tuna do primeiro movimento do Inverno, das Quatro Estações de Vivaldi – terá certamente arrebatado quem percebe da coisa. De seguida, tocaram a Mar de Saudade, um original, e um tema popularizado por Ana Moura nos anos recentes intitulado O Tejo Corre No Tejo,  mas bastante diferente da versão fado, visto que até pandeiretas figuraram. Após esta, uma versão de um fado em fado, Em Água e Sal, bastante bonita por sinal. A última canção a concurso foi a ritmada Rasgos de Sabor.

Faltava ainda entrar em palco os Jogralhos, antes da anfitriã encerrar o certame, e entraram com estilo, com um autocarro de papel em cujas janelas recortadas se viam as caras dos jograis, e à frente do qual vinha colada uma fotografia do antigo presidente da AAUM, ainda numa referência a incidentes durante a Receção ao Caloiro de 2017 – no fundo, é bom ver a Academia a conseguir rir de si própria. Após isto, contaram algumas piadas de alentejanos, e existiu uma espécie de cantar alentejano que brincou com alguns clichés que lhes são atribuídos e que acabou por conquistar o público.

Quando a TUM subiu a palco, os suspiros e arfadas de surpresa perante a visão imponente de mais de cem tunantes em palco, prontos a dar um espetáculo de quem joga em casa. Abriram com uma versão do samba triste de Nelson Cavaquinho, Flor e Espinho, e que funciona incrivelmente bem como fado braguesado. De seguida, como o público estaria certamente à espera, juntou-se-lhes o Tiago Nacarato (como se não estivesse gente que chegue em palco...) para cantar o Porto Sentido. Antes de seguirem para a canção seguinte, um fundador e o Primus Magister da TUM quis dizer umas palavras, para dizer que a tradição tem que se cumprir como é costume no Largo do Paço para o convívio das Tunas no Sábado, sublinhando a função que esse evento tem de união das várias facetas da universidade – o estudante, a cultura e a instituição como um só, e que foram bonitas palavras (e houve tempo também para dizer que a tradição não se faz de atuações digitais, numa possível referência a algum(ns) certame(s) portugueses). Numa transição temática perfeita, a TUM então tocou os temas originais Sonho e Donzela Inesperada. Como é costume no FITU, não se poderia passar sem a prestação do seu eterno solista, de nome Brinco, e que cantou exímiamente, para gáudio da plateia, a canção Una Furtiva Lagrima. Houve ainda tempo para a Partizan, o instrumental a festa absoluta, o Adeus é Sempre Adeus e o auto-intitulado ex-libris Boémia. Após a atribuição dos prémios, houve ainda tempo para a Pilinha de Braga, que terminou a atuação per se, mas não se arredou pé até depois de o Theatro Circo ouvir a Feira de Caruaru, que já tem sido tradicional cantar no finalzinho mesmo do FITU de palco.

Os prémios foram atribuídos da seguinte forma:

Melhor Pasacalles – Tuna de Maastricht, a título honorário, pelo convívio proporcionado na tarde de Sábado

Melhor Porta Estandarte - TMP

Melhor Pandeireta - Tunideos

Melhor Instrumental - Desertuna

Melhor Solista - TAFDUP

3a Melhor Tuna - Desertuna

2a Melhor Tuna - AnTunia

Grande Prémio XXVIII FITU Bracara Avgvsta – TMP

 

No dia seguinte, ainda houve o convívio no Largo dos Peões, onde foi a vez de a TUM, já descomprimida, pôde animar as hostes. Foi nesse convívio que se entregou ainda o prémio de Tuna Mais Tuna, que foi entregue aos Tunídeos.

Para o ano há mais FITU!

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