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XVIII Lethes: A Reportagem
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XVIII Lethes: A Reportagem

Por Joana Peixoto

O Centro Cultural de Viana do Castelo foi palco de mais uma edição do Lethes – Festival de Tunas Cidade de Viana do Castelo. A XVIII edição do evento trouxe tunas de quatro cidades distintas à princesa do Lima: de Braga, a Azeituna – Tuna de Ciências da Universidade do Minho, do Porto, a TEUP – Tuna de Engenharia da Universidade do Porto, de Coimbra, a TMUC – Tuna de Medicina da Universidade de Coimbra, e de Lisboa, a TUIST – Tuna Universitária do Instituto Superior Técnico. O evento contou ainda com atuações da tuna extra-concurso TUnice – Tuna Feminina do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, e da tuna anfitriã Hinoportuna – Tuna Académica do Instituto Politécnico de Viana do Castelo.

O evento arrancou com a noite de serenatas, a 23 de março, que, devido ao mau tempo, acabou por decorrer no Auditório Professor Lima de Carvalho, junto ao Largo S. Domingos, local inicialmente projetado para as atuações.

No dia seguinte, e mesmo sob a persistência das adversidades climatéricas, foi grande a adesão ao XVIII Lethes. Com um público bastante diverso, o evento provou como os festivais de tunas transpõem os mundos tuneril e académico, cativando estudantes, famílias e mesmo estrangeiros, que no final se mostraram surpreendidos e elogiaram o espetáculo.

A apresentação do festival esteve a cargo da Hino Lethes Band, grupo composto por alguns elementos da tuna anfitriã e já conhecido da edição anterior. Com adaptação de diversas músicas conhecidas pelo público em geral, mas adaptadas ao âmbito académico, tuneril e do próprio Lethes, conseguiram momentos de grande diversão bem acolhidos pelo público. A TUnice, tuna extra-concurso, deu o arranque do festival, perto das 21h30.

A TEUP deu início às atuações a concurso com uma adaptação de “Amar Pelos Dois”, de Salvador Sobral, a colocar em destaque um solista bem recebido pelo público. Antes de passar à segunda música, a tuna do Porto aproveitou o momento para descrever e elogiar a cidade de Viana do Castelo, enquanto exibia um coração vermelho (imagem da cidade), onde em vez de “Viana” se lia “TEUP”. Estabeleceram então algumas semelhanças com a cidade do Porto, introduzindo a música “Da Ribeira às Fontainhas”, onde se viram coreografias de estandarte e pandeiretas com roupa semelhante ao traje minhoto masculino. A Tuna de Engenharia da Universidade do Porto apresentou depois o seu instrumental “Danzón Nº2”, que contou com coreografias de estandarte e pandeiretas com ligeiras imperfeições. Seguiu-se uma adaptação de “No Teu Poema”, originalmente cantada por Carlos do Carmo, interpretação muito bem conseguida pela TEUP. Tempo ainda para uma desgarrada minhota como introdução à última música, a já conhecida e sempre animada “Índio do Brasil”, de David Assayag, com nova coreografia de estandarte. A TEUP concluiu assim uma forte atuação com muita animação e bem recebida pelo público vianense.

A próxima tuna a subir a palco foi a Azeituna, que deu início à sua prestação com a brasileira “Anunciação”, de Alceu Valença, seguida do instrumental “Lusogalaicocelta”, com a exímia performance instrumental, já característica da Tuna de Ciências da Universidade do Minho. De referir também a exibição de uma pequena bandeira com um “A” luminoso por um dos membros da tuna, que percorreu o espaço junto do público em patins. Seguiu-se a adaptação de “Balada das Sete Saias”, dos Trovante, com destaque para a gaita de foles que sobressai sempre pela singularidade. Mantendo a linha de adaptações, apresentaram ainda “Mostrengo”, poema de Fernando Pessoa, e terminaram com “Nasci p’ra Música”, de José Cid. Uma atuação concisa da tuna de Braga.

A segunda parte do festival proporcionou ao público um momento invulgar, com dois membros da Hinoportuna a dançarem à moda minhota ao som de três concertinas. O público rapidamente aderiu à tradição vianense e foram vários os grupos a juntarem-se à dança por toda a audiência do Centro Cultural de Viana do Castelo. Um momento bem singular e divertido que decerto marcou esta XVIII edição do Lethes.

A terceira tuna a concurso a subir a palco foi a TUIST, que iniciou a sua prestação com o original “Vontade de Ser”, acompanhado de diversas coreografias de pandeiretas, exaltando a coordenação entre os quatro membros, mas também a qualidade de cada um através de coreografias individuais muito bem conseguidas. Seguiu-se o conhecido original “Se um dia não houver luar” e o instrumental “Palavras Dadas Noutra Vida”. A tuna de Lisboa prosseguiu a sua atuação com um tema de Amália Rodrigues, “Alfama”, com uma fantástica e singular prestação do solista, que incluiu um momento de declamação do poema. Despediram-se com “Lisboa Não Sejas Francesa” e mais uma coreografia irrepreensível de pandeiretas. A TUIST concluiu assim uma atuação de grande nível, em Viana do Castelo.

A TMUC foi a última tuna a concurso do festival. Iniciaram a atuação com o tema “Voltar Atrás”, que transportou para Viana a tradição de Coimbra. Seguiu-se “Coimbra dos Amores”, com boas coreografias de estandarte e pandeiretas, e o instrumental “Às Vezes”, com mais uma ótima prestação do estandarte. A tuna de Medicina brindou o público com a sempre animada “Briosa”, acompanhada de coreografias de pandeiretas, e houve ainda tempo para uma ótima prestação da emblemática “Voar”. A TMUC terminou assim uma boa prestação, com apresentação absoluta de temas originais.

A última tuna a atuar no XVIII Lethes foi a anfitriã Hinoportuna, que deu início à atuação com “Milho Verde”, de Zeca Afonso, seguida de “Maio Maduro Maio”, adaptação do mesmo músico, com várias coreografias de estandarte muito aplaudidas pelo público. A tuna da casa apresentou então o instrumental “Duetos”, com destaque para as coreografias de sete pandeiretas, seguida da estreia da adaptação de “Quinta-Feira da Ascensão”. Seguiu-se então a entrega de prémios, distribuídos da seguinte forma:

Melhor serenata: TMUC – Tuna de Medicina da Universidade de Coimbra;

Melhor pandeireta: TUIST – Tuna Universitária do Instituto Superior Técnico;

Melhor estandarte: TMUC;

Melhor original: TMUC;

Melhor instrumental: Azeituna – Tuna de Ciências da Universidade do Minho;

Melhor solista: TEUP – Tuna de Engenharia da Universidade do Porto;

Melhor tuna: TEUP.

A Hinoportuna concluiu a atuação com “Havemos de ir a Viana”, de Amália Rodrigues, terminando o espetáculo com várias coreografias de pandeiretas e grande entusiasmo do público.

O XVIII Lethes continuou por mais um dia, com o já habitual convívio a prolongar-se até à noite de domingo. Entre muita música e animação, a TMUC foi anunciada vencedora do prémio Tuna mais Tuna.

O PortugalTunas parabeniza a Hinoportuna pelo sucesso e organização do evento, bem como pelo 25º aniversário, e agradece o acolhimento e colaboração.

Joana Peixoto

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