Portugaltunas - Tunas de Portugal

O Festival, a última lata de Coca Cola no Deserto.
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O Festival, a última lata de Coca Cola no Deserto.

E O Festival, Aqui - Já Que O Encontro De Tunas Parece Estar Oficialmente Extinto - Entronca Em Toda Esta Lógica Como Azimute, Dando Passo Ao Santo Graal, O Palco, A Exposição Mediática Nas Redes Sociais, O Spotligth Com O Nome Da Tuna Em Neón Nem Que Seja Por 24 Horas.




Começa a ser recorrente, sinal dos tempos e consequência directa da festivalite como altar-mor de exibição. A lógica "quem não aparece, morre" começa a ser cada vez mais preemente - goste-se ou não, concorde-se ou não. 

E o festival, aqui - já que o encontro de tunas parece estar oficialmente extinto - entronca em toda esta lógica como azimute, dando passo ao Santo Graal, o palco, a exposição mediática nas redes sociais, o spotligth com o nome da tuna em neón nem que seja por 24 horas. Já não bastam as premiações; agora, a simples presença em certame já é, per si, uma espécie de I.V.A. - Imagem de Valor Acrescentado, num tempo onde o mero convite para um evento rareia, escasseia, não se sucedem como há dez anos atrás - salvo raras e concretas excepções, que embaladas num bom momento, de tal retiram crédito.

Caso não se tenha reparado, o número de certames anual baixou, sendo mais os que liminarmente desapareceram do que aqueles que surgiram, baixando assim o total. Mais, muitos que de duas noites - e, consequentemente, o dobro das tunas presentes - passaram a uma noite. 

Por outro lado, pesam factores como o económico e o humano, obrigando a escolhas mais concretas perante X número de convites. Já não há tanta disponibilidade para deslocações consecutivas a vários pontos do país.

Por outro lado, há - e que não é de hoje - uma clara segmentação de certames, que por sua vez, segmentam igualmente os convites que fazem, sendo muitas vezes a edição deste ano praticamente o cartaz dos anos anteriores, repetindo-se elencos. Depois há aqueles que não cumprem com os minimos requisitos de casting por comportamento desonroso amplamente conhecido, provocando um apartar que diria até óbvio, das escolhas dos organizadores, restando-lhes pouco ou nada - e logo, o que houver, ouro vale. 

Todos estes factores cruzados entre si provocam a presente situação, de clara desaceleração e contenção, com duas consequências imediatas:

A primeira, tornar o mero convite num bem cada vez mais precioso, que é - deve ser - gerido de forma cada vez mais cuidadosa; o segundo efeito é da parte do Organizador, cada vez mais criterioso quando formula os convites - e não só na parte meramente artística. O espaço para "artistas" diminuiu drasticamente, ficando estes confinados ao ingénuo organizador ocasional; actualmente e por força do cenário supra, cada vez mais tudo se sabe, o que permite desde logo gerir a informação disponivel com vista a escolhas acertadas, num tempo onde as mesmas pesam cada vez mais aos olhos do organizador. 

Em resumo, o festival é bem que escasseia. E já actua, quem o promove, em conformidade. Já lá vai o tempo em que se corriam certos riscos. Hoje, só os corre quem quer - ou algo tem a devolver. Cada vez mais é o Festival a última lata de Coca Cola no Deserto. Já não basta só tocar bem.

RT

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