Portugaltunas - Tunas de Portugal

Do registo para o Futuro
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Do registo para o Futuro

Será Reflexo Dos Tempos De Hoje E No Que Toca À Produção De Novos Temas, Do Refinar E Actualizar De Reportórios, Por Sua Vez Resultado Indirecto Das Composições Dos Grupos, Onde Se Vai Vendo Ainda Gente Que Já Gravou Trabalhos Em Anos Idos, Mantendo Assim A Base Musical De Sempre, Mais Tema Menos Tema, Tornando O Surgimento De Novos Reportorios Missão Quase Impossivel.

A produção discográfica de tunas estudantis em Portugal vai seguindo, lenta e pausadamente, ao sabor da crise mas não só. Apontar causas meramente economicistas resulta numa desculpabilização fácil que todos sabemos não ser plausivel. A própria produção musical das tunas estudantis nacionais é curta, escassa e pontual, o que em casos de tunas mais antigas faz concluir que não há material novo para novas edições, assentes nos reportórios de 10 ou mais anos. O que se constata é produção pontual de novas edições em tunas mais recentes ou sem historial de registos fonográficos, o que induz à conclusão óbvia: Só se pode gravar um CD se ele trouxer o reflexo evolutivo da produção do próprio grupo, caso oposto, de todo.

Os actuais suportes utilizados também não variaram muito desde a passagem, então nos 90, do analógico para o digital. Paradoxalmente a facilidade da produção de um CD, p.ex., nos dias de hoje é incomensuravelmente maior do que era há 20 anos atrás, que obrigava a recursos maiores e mais dispendiosos - actualmente consegue-se em casa produzir e até captar um trabalho fonográfico de tunas, bem menos complicado e dispendioso do que então. As próprias editoras possuem outros valores  - por força das novas plataformas online - para os custos de um CD, o que objectivamente torna mais barato e mais fácil produzir um trabalho nos dias de hoje. Ou seja, é de percepção mediana que não é apenas a questão económica que induz à maior ou menor colocação no mercado de CD´s de tunas estudantis.

Será reflexo dos tempos de hoje e no que toca à produção de novos temas, do refinar e actualizar de reportórios, por sua vez resultado indirecto das composições dos grupos, onde se vai vendo ainda gente que já gravou trabalhos em anos idos, mantendo assim a base musical de sempre, mais tema menos tema, tornando o surgimento de novos reportorios missão quase impossivel. Por outro lado, não basta tal explicação, porque a gente nova também se sustenta nessa premissa e não reage, transformando os reportórios a uma escala que possibilite o seu registo e marcando assim, a sua época. Pau de dois bicos. Mas não impossivel de gerir.

Certo é a diminuição em número da edição de novos trabalhos, havendo uns poucos resistentes e que continuam a dar continuidade ao projecto a nivel fonográfico, mostrando a evolução, assim, do próprio grupo ao longo dos tempos. Pode até afiançar-se que hiatos de tempo sem produção provocarão a perda da escuta em CD ou outro suporte de excelentes executantes que, assim, não ficam registados ad eternum.

Finalmente, não será isento a toda esta matéria a maior procura e vontade da mera reprodução em palco festivaleiro, que ocupa recursos e tempo em demasia face à escolha da edição de um registo fonográfico. O tempo não estica, actualmente as perspectivas de quem estuda são mais curtas e a gestão de tempo disponivel para estas coisas obriga a uma escolha entre duas ou três - quando antes não era assim, pois conseguia-se compatibilizar várias opções e projectos em simultâneo. 

Perdem-se, assim, registos para o futuro de temas que mereciam ficar perpetuados em suporte fonográfico, garante da perenidade até da história de uma Tuna estudantil no tempo e espaço. É pena. São opções que o futuro ditará como válidas - ou não - para a história de cada tuna e por sua vez, para a História das tunas estudantis nacionais.



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