Portugaltunas - Tunas de Portugal

Muito caminho se percorreu
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Muito caminho se percorreu

Viveu-se Uma Época Em Que Correr Atrás Do Prejuízo Se Tornou Numa Verdadeira Ultra-maratona, No Meio De Obstáculos Quase Sempre Prefigurados Pela Recusa E Teimosia Em Pensar Criticamente Aquilo Que Se Dizia, Emprenhando Pelos Ouvidos E Valorando Teorias Que Quanto Mais Excêntricas E Romanceadas Fossem, Mais Dogmática Era A Fé Nelas Depositada.

Editorial, por Jean Pierre Silva


Muito caminho se percorreu, desde a publicação, no PortugalTunas (2005) de um texto do Nuno Camacho que foi viralmente copiado para tudo quanto era site, blogue e web tunante.

Nessa altura, e porque o fórum do PortugalTunas era o que recebi a maior atenção, quase tudo o resto no site passava (quase) despercebido, pelo que, quando alguns se aperceberam do conteúdo do texto do Nuno Camacho, já ele tinha sido incorporado em N sites e, até, publicações jornalísticas online.

A somar a isso, outros tantos mitos difundidos em sites de tunas da vizinha Espanha, também eles repletos de ficção, igualmente copiados ad hoc.

 

Contavam-se às dezenas os textos explicativos sobre a origem das Tunas, ora remetendo tal para o séc. XVI (ou mesmo antes), ora afirmando que os tunos eram sucessores dos sopistas, ora falando em Califas de Tunes ou, ainda, que a fundação das tunas em Portugal se devia a uma visita de estudantes portugueses a Espanha, de lá trazendo a inspiração para formar, em 1888, a Estudantina de Coimbra (também dubiamente confundida com a TAUC).

 

Foram anos de acesos debates na web (fórum do PortugalTunas, fóruns vários, blogues, em palestras nos ENT….) a procurar remendar os contos, aumentados de N pontos; a reprodução de clichés sem fundamento que não o copy-paste como fonte de si mesma, o facilitismo de afirmar coisas sem qualquer base documental séria.

 

Viveu-se uma época em que correr atrás do prejuízo se tornou numa verdadeira ultra-maratona, no meio de obstáculos quase sempre prefigurados pela recusa e teimosia em pensar criticamente aquilo que se dizia, emprenhando pelos ouvidos e valorando teorias que quanto mais excêntricas e romanceadas fossem, mais dogmática era a fé nelas depositada.

 

Com o ENT (Encontro Nacional de Tunos) e os trabalhos de investigação encetados a partir de 2005/2006 por parte de alguns tunos da nossa praça, foi empreendida uma resposta cada vez mais eficaz ao estado de desinformação registado, reequilibrando as coisas e contrapondo ao famoso “porque sim” um conjunto de argumentos desta vez baseados em sólida investigação e provas documentais.

 

Depois da publicação do QVID TVNAE? A Tuna Estudantil em Portugal, foi dada a última machadada na proliferação de mitos e estórias que, durante tempo demais, contaminaram conceitos, promoveram discursos sem cabimento e teorias sem nexo (muitas vezes, lamentável e vergonhosamente, reproduzidas em trabalhos científicos de alunos universitários ou mesmo docentes do Ensino Superior).

 

Após quase 10 anos de luta, na demanda de uma consciencialização para a necessidade de uma informação correcta e factual, e dezenas de mails para outros tantos sites (que apresentavam puras fantasias sobre a origem e história das tunas); depois de tantos “mimos” a que alguns foram sujeitos, apenas por procurarem a verdade e o porquê das coisas, podemos, hoje, constatar que só um punhado de websites ainda apresenta esse tipo de conteúdos erróneos e que a larga maioria das mesmas são webs esquecidas e sem manutenção e/ou entretanto substituídas por novos sites/páginas (onde já não temos constância de tais “invenções”).

 

Temos mais é que nos regozijar por se ter finalmente contido essa epidemia que, em muito, prejudicou o conhecimento correcto da res tvnae e promoveu pandémicas fantasias e publicações.

 

Hoje, numa pesquisa que se faça sobre “origem e história da(s) tuna(s)”, já se contam pelos dedos de uma mão as páginas que ainda apresentam conteúdos ficcionados:

 

Antigo site da Tuna Universitária da Madeira : http://max.uma.pt/~a2016399/historiatunas.htm

 

Site (esquecido?) da Tuna Feminina da Universidade Fernando Pessoa do Porto: http://tfufp.ufp.pt/historial.htm

 

Blogue de uma “futrica”, em que o texto já foi apagado ( o link para o “ver mais” não dá, agora, em nada):

http://nuvensnegra.blogspot.pt/2009/03/historia-da-tuna-em-portugal.html

 

Site (antigo?) da Estatuna de Abrantes: http://www.estatuna.ipt.pt/default.asp?s=1&t=1&n=30

 

 

Bem sabemos que, com o alvor das redes sociais e dos blogues, muitos sites foram desaparecendo (até porque implicavam despesa – coisa que não sucede com as novas plataformas comunicativas digitais), e com eles muitos dos textos em causa.

Mas também não é menos verdade que se reconhece que o facto de nesses novos formatos não existirem textos ficcionados resultará do esforço feito no sentido de desmentir e pôrem causa as teorias de antanho.

Actualmente, a larga maioria dos websites e páginas nada refere sobre a origem e história das Tunas, quiçá por receio de repetir erros passados.

O desafio que agora se coloca, depois de quase erradicadas as romanceadas explicações da génese tunante, passará por, paulatinamente, reintroduzir essa informação, agora devidamente actualizada e validada.

 

E para quantos pretendem inserir tal nos seus domínios, nada como ter em conta o sábio conselho de “não sabendo ou tendo certeza, perguntar a quem sabe”.

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