Portugaltunas - Tunas de Portugal

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O "Nacional-Tunismo"

Nacionalismos Bacocos? Evidentemente. E “por Supuesto”, Também, Por Vezes.

Ouvi não há muito tempo que dificilmente tunas portuguesas voltariam a cair nas graças de jurados dos certames do país vizinho, num suposto gesto de retaliação não declarada por semelhante tratamento dado aqui às nossas congéneres espanholas, uma já quase regra instituída: “não nos dão Olivença? Vão para casa de mãos vazias.”

No entanto, sempre achei que, o preconceito fosse maior no nosso lado - ainda que do outro lado também haja conhecidos casos de “tunal-nacionalismo” - e o reconhecimento dado à Estudantina do ISEL vem-me dar razão. Alguém se lembra da última tuna espanhola a ganhar um festival de renome em terras lusas? Pois...nem eu.

Muitas razões poderia haver que justificassem a recente onda de falta de reconhecimento do valor das tunas de um país nos certames do outro. Diferentes sensibilidades artísticas dos jurados? Talvez. Diferentes critérios de selecção? Provavelmente. Mas isto justificaria alguns casos pontuais, mas não a regra generalizada que se foi instituindo.

Nacionalismos bacocos? Evidentemente. E “por supuesto”, também, por vezes. Mas atenção que não vejo aqui manifesta má vontade, mas antes uma glorificação – por vezes inadvertida, mas nem sempre – dos diferentes paradigmas tunantes que vingam nos dois países e que há muito divergiram.

Mas será apenas preconceito da nossa parte? Ou estarão mesmo as tunas portuguesas uns furos acima das espanholas, hoje em dia, como se tem vindo a dizer desde há algum tempo? E, já agora, por outro lado, se somos assim tão melhores, não será mesmo apenas por má-vontade que não temos sido devidamente reconhecidos além-fronteiras? Não o podemos afirmar tão categoricamente, por uma simples razão: não somos, na generalidade, tão bons como gostamos de pensar que somos.

Reconheço que umas trinta tunas portuguesas poderão estar bem acima da MÉDIA das tunas espanholas. Outras tantas (talvez menos, que não há assim tantas boas tunas em Portugal) possam estar ao mesmo nível da tuna-média-espanhola, ou como lhe quiserem chamar. Posso mesmo conceder que as nossas “top 10” (que vão mudando, e ainda bem) possam estar, em termos estritamente musicais, acima das melhores dos nossos irmãos (“nuestros hermanos” tem-me soado ultimamente bastante sarcástico, então se contarmos com o cinismo que por aí há...). Mas dizer que, MEDIANAmente, somos melhores, é ilusão. Isto é, a maior parte das tunas espanholas (efectivamente activas) é melhor que a maior parte das tunas portuguesas. Pode soar a heresia nos tempos que correm, mas é a mais pura das verdades.

Assim sendo, como se justifica que quando vêm cá vão, indiscriminada e sistematicamente para casa de “mãos-a-abanar”?

Poderão perguntar: “Temos agora que premiar tunas espanholas por cortesia?” “Isto não tem que ser puramente meritocrático?” Não à primeira, sim à segunda. O problema é que nem sempre a meritocracia tem lugar nos nossos festivais.

Saibamos então olhar assim para bons exemplos como o do último Costa Calida, instruir os nossos jurados no sentido de serem tão objectivos quanto possível e que atribuam o mérito independentemente do país de origem, e podem ter a certeza que mais tunas espanholas irão ser premiadas e vencer em Portugal, e vice-versa, se lá fizerem o mesmo.

Digo eu...

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