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FITU Cidade do Porto: A Reportagem
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FITU Cidade do Porto: A Reportagem

O Centenário Orfeão Universitário Do Porto Mobiliza-se E Convoca A Academia E A Cidade A Comparecerem No Histórico Coliseu

Porto. 12 de Outubro
Vigésima sétima edição daquele que é o mais antigo festival de tunas português: o "FITU - Cidade do Porto". 

O centenário Orfeão Universitário do Porto mobiliza-se e convoca a Academia e a Cidade a comparecerem no histórico Coliseu. Estes, mais uma vez, dizem "presente" e pintam na sala uma tela de gerações e proveniências diversas.

A apresentação do Festival, como é tradição, fica a cargo dos jocosos Jograis do Orfeão Universitário do Porto que arrancam do público, quase invariavelmente, sorrisos e gargalhadas.

A primeira actuação da noite, como de costume, fica a cargo da TUNAF (Tuna Feminina do OUP). Extra-concurso, as meninas de malmequer no cabelo sobem a palco com o tema "Sabor a mi", seguido do conhecido tema brasileiro "O Xote das Meninas" docemente interpretado pela solista Raquel Gonçalves e que providenciou um bom aquecimento de mãos e corações da plateia. De seguida sobressaíram com o seu instrumental "Perestroika", evidenciando uma boa execução técnica. Apresentaram como penúltimo tema uma nova Rapsódia (que percorre temas de Deolinda, Hands on Aproach e António Variações) e, depois de se chamar a palco os Padrinhos do XXVII FITU para se colocar a nova fita no estandarte do Orfeão, fecharam com o conhecido tema "Serenatas".

Os primeiros a subir a palco já para concurso, foram a Tuna Académica da Universidade Lusíada do Porto. Com o primeiro tema "Xácara das Bruxas Dançando" protagonizaram uma entrada pujante onde se destaca o uso bem audível de bateria. De seguida passearam por temas como "Cartas de Amor" e o instrumental "Danzón nº2". Antes de terminar com o tema original "Invicta", dedicaram o conhecido tema "Vinte Anos" (de José Cid) à Tuna Universitária do Porto, em homenagem aos 20 anos de apadrinhamento pela mesma, em 1993.

Seguiu-se a actuação da Tuna Académica de Biomédicas que arrancou com o tema "A Morte Saiu à Rua", mostrando uma pujança e técnica que têm sido vectores visíveis da grande evolução da tuna nos últimos anos, e que encontraram no imenso público do ICBAS presente uma interacção e apoio incansável. O tema seguinte, o original "Cidade do Porto" foi dedicado ao FITU e foi seguido do instrumental "Mesavina". Para terminar, os temas "Mulheres" e "Corazón Espinado" agitaram os corações da plateia feminina, arrancando muitas dedicatórias e aplausos.

A quarta actuação da noite ficou a cargo da Estudantina Universitária de Coimbra que arrancou com o tema "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", seguindo-se-lhe um "Tango para Teresa" soberbamente interpretado pelo solista Serafim e dedicado à história do Orfeão Universitário do Porto, onde a respectiva orquestra de tangos teve inegável destaque. Cedo se evidenciou a grande riqueza de recursos existentes na Estudantina que, de seguida, surpreendeu com um registo barroco no instrumental "Meddley de Bach", também ele com uma execução de qualidade assinalável. Com mais um meddley dos temas "Boémia"/"Janelas do Porto"/"Numa noite de lua" empolgaram o público e pavimentaram o caminho para a surpresa que foi fecharem a actuação com um Fado "Maria", onde o solista 'Chupa' (João Mendes da Silva) se destacou com uma qualidade de voz e interpretação a todos os títulos assinalável.

Intervalo: Pauliteiros e pauliteiras de Miranda do Orfeão Universitário do Porto dão espectáculo no corredor enquanto os "Venus Lovers" animam o palco com humor e boa disposição.
Intervalo. 

De volta ao Festival, coube aos mexicanos da Cuarentuna de la Ciudad de Mexico abrir as hostilidades com os temas"Potpurri Sudamericano" e "Aliado del Tiempo", evidenciando desde logo um registo muito profissional, uma grande capacidade de interacção com o público e, acima de tudo, a suprema qualidade dos solistas. De seguida interpretaram o seu instrumental, o conhecido pasodoble "Pepita Greus", fechando a sua actuação com os temas de puro sabor latino-americano "El Pastor", onde se destaca o fantástico falsete mariachi do solista 'Marvin' e, finalmente, "El Viajero".

Seguiu-se a vez da Tuna de Engenharia da Universidade do Porto, também ela com muita 'afición' no público presente no Coliseu, que abriu com a calma balada "Canção de Embalar"  para de seguida, em puro contraste, interpretar"Que bonita vá" com um fulgor vocal acima da média bem sustentado pelos muitos elementos que leva a palco e que incrementam a pujança já habitual da TEUP. Paralelamente destaca-se também o excelente trabalho coreográfico de pandeiretas e estandartes e sua execução técnica. Para tema instrumental apresentaram "Danzón nº2" com uma interpretação digna de registo, passando de seguida para o seu conhecido "Porto na memória" e fechando u a sua actuação com o tema "Hoy", que muito empolgou o público.

De seguida subiu a palco a Tuna da Universidade Católica Portuguesa - Porto que abriu com os temas "Torero" e"Oração" (de António Calvário), denunciando no público uma larga falange de apoio afecto à TUCP. Coreografia de pandeiretas bem executada e sincronizada, no tempo e sem qualquer falha técnica. Para tema instrumental apresentaram a Abertura do "Barbeiro de Sevilha" que também arrancou do público manifesto apreço e entusiasmo. Finalizaram a sua actuação com o tema muito conhecido "Maria Lisboa", seguido do colombiano "Volvi a Nacer".

A última actuação da noite coube aos anfitriões da Tuna Universitária do Porto. Estes arrancaram com o clássico original "Saudade de Estudante" (Aureliano da Fonseca/Paulo Pombo), seguindo para o tema argentino "Alfonsina y el Mar"

No tema "Adeus" salientaram-se a emocionante abertura a capella do solista 'Figueira' (Pedro Martins) com excertos de "Partir é morrer um pouco" seguida da clássica e inconfundível voz de Zé Costa. Ainda num registo bastante emotivo, a Universitária toca "Timor" e é brindada com uma ovação de pé. De seguida passa para os clássicos"Guantanamera" e "Madalena" que animam o público presente, que acompanha as conhecidas letras. 

Breve pausa para a entrega dos prémios do XVII FITU - "Cidade do Porto", muita festa dos vencedores, muitos aplausos e gritos de ordem da multidão que se amontoou de pé pelos espaços vagos das laterais e a Universitária fecha com o obrigatório "Amores de Estudante" sendo acompanhada em uníssono e de forma entusiástica por todos os estudantes presentes.
 
Finalizada a actuação, atira a TUP um "FRA" e os estudantes correspondem como manda a tradição. Capas e sonhos no ar, abraços e sorrisos no solo, acaba mais um FITU. Mobiliza-se a turbe para a sede do Orfeão, selam-se abraços em falta e regam-se... as sementes da próxima edição.


Para a posteridade, os resultados.

Melhor Serenata: Estudantina Universitária de Coimbra
Melhor Instrumental: EUC
Melhor Solista: Cuarentuna Ciudad México.
Melhor Pandeireta: Tuna Engenharia da U.P.
Melhor Estandarte: Tuna Engenharia da U.P.
3a Melhor Tuna: Tuna Académica de Biomedicas.
2a Melhor Tuna: Tuna de Engenharia da U.P.
Grande Prémio FITU Cidade do Porto: Estudantina Universitária de Coimbra.


Luis Pedro Mateus | Colaborador PTunas

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