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Crónica Tunesca IV (Dezembro 2008)

O Fenómeno Da Blogosfera, Já Amplamente Espalhado Há Uns Largos Anos, Não Podia Deixar, Como Era De Prever, De Chegar Ao Terreiro Tunante.


A crónica deste mês, a última deste ano civil, será um exercício de constatação e o questionar de alguns factos, no intuito de promover reflexão.

O fenómeno da blogosfera, já amplamente espalhado há uns largos anos, não podia deixar, como era de prever, de chegar ao terreiro tunante.
Actualmente, existe uma vasta “oferta” de “Blog Tunae” que vieram, bem sabemos, substituir, gradualmente, os sites que as tunas possuíam, com claro prejuízo da qualidade da informação veiculada nestes últimos, diga-se de passagem.
Não falo dos blogues criados como tal, mas dos que, como referido, vieram substituir o velhinho site.


O blogue é, sem sombra de dúvida, uma óptima ferramenta comunicativa, contudo limitada pelo seu próprio modelo e pelo fim aque se destina, com que foi criado. Um óptimo meio de expressão pessoal ou comunitária, em jeito de diário ou jornal, com possibilidade de incluir várias opções e “gadgets”, mas não deixando de ser um blogue e, por isso, com uma área de “intervenção” e meios ao dispor bem díspares de um site pensado para um determinado efeito.

A pergunta que se coloca, obviamente, é por que razão as tunas passaram a instalar-se na blogosfera em detrimento do site?

Ocorre-me apenas uma razão: motivos financeiros (e, em certos casos, motivos de ordem prática). Com efeito, deter um blogue é gratuito e permite-nos uma intervenção e gestão mais directa sobre os conteúdos, sem ser preciso dominar a linguagem da programação ou perceber muito de construção de sites. O site implica despesas de alojamento, de acordo com a quantidade de coisas que lá queremos pôr, isto se tivermso um génio na tuna que o construa de borla, caso contrário, há que pensar em pagar a quem faça.

No blogue, a interacção é um atractivo, já que permite a participação gestionada de visitantes, acabando, em muitas ocasiões, por fazer as vezes, também, de fórum público.

Mas será que resulta, quando comparado com o site?


Isso dependerá daquilo que cada tuna pretender mostrar, dar a conhecer. No meu entender, é um retrocesso claro em relação aos anteriores sites, os quais possibilitavam o acesso a uma quantidade de informação não apenas mais vasta, mas melhor organizada visualmente, sem se perder o fio “à meada” com dados perdidos nos confins do arquivo, como sucede com os blogues (mesmos se estes permitem uma pesquisa dentro dos mesmos).


O blogue, mesmo armazenando toda a informação lá colocada, não deixa de estar virado para a informação do momento, por isso volátil e perecível. Com efeito, ao contrário do site onde permanece visível o essencial, muita boa informação e dados desaparecem quando, ao longo do tempo, vão sendo substituídos por novidades e notícias mais frescas e actuais. E quando os blogues optam por colocar o seu historial numa das margens, juntamente com outros “serviços”, fica o aspecto do blogue visivelmente prejudicado, confuso….algo congestionado. E quando decidem por links para 30 tunas, 20 sites recomendados, mais mp3s, mais isto, mais aquilo…… o blogue torna-se um tapete rolante que nunca mais acaba.

Ao mesmo tempo que nascem blogues de tunas a ritmo elevado, é também ver os que, embora não sendo de tuna, versam a tuna na visão dos seus componentes.
Este aspecto é-me, particularmente, mais interessante, pois é possível conhecer o tuno enquanto pessoa e enquanto tuno, lendo as suas aventuras e desventuras numa escrita mais genuina, menos institucional, mais espontânea, onde a tuna se cruza com outras realidades e vivências.


Quando temos blogues de tunas, por isso com carácter institucional, onde o conteúdo é uma sucessão de opinativos pessoais, de reacções a factos e eventos, carradas de slideshows e afins….. é de perguntar se isso se conjuga com a imagem mais institucional e sóbria que a tuna deve ter na web.
Uma coisa é um espaço destinado aos próprios tunos, amigos e outras tunas, outra é revestir-se sala de visitas e recepção a qualquer pessoa.
Misturar o meio de divulgação e informação, com crónicas, relatos e/ou artigos de opinião, onde não se distingue o que é um jornal/fórum de uma tuna, do seu cartão de visitas virtual, como sucedia com o site………poderá ser um retrocesso, até porque se torna difícil distinguir o cariz "diário pessoal" do da "news" propriamente dita.


Esta visão sobre o fenómeno bloguista das tunas não pretende, de todo, condenar ou fazer campanha contra os “blogTunae”, até porque estes trouxeram, certamente, uma grande riqueza, pela diversidade, e animaram um pouco uma certa letargia que se vivia na web tunante. Por outro lado, entre ter um blogue e não ter nada..... sempre oé melhor ter alguma coisa.
Mas conviria rever alguns dos critérios subjacentes àquilo que se publica e veicula, de modo a agilizar processos e optimizar recursos, ajustando os conteúdos à plataforma, ao modelo e suporte escolhidos -sem perder de vista os objectivos que estão subjacentes.


Passando a moda do blogue, quem sabe esta minha reflexão não possa ser melhor entendida.
Claro que uma das coisas que poderá suceder é o modelo Blog crescer e passar a constituir-se como algo mais do que um…….blogue, mas, até lá, é o que é, e mesmo fazendo as vezes de site sabemos que o faz àquem, que é um desenrasca – quem sabe pelos tempos de crise que assim obrigam a outros atalhos, que obrigam a caçar com gato!


Já os blogues sobre tunas (de cariz noticioso, reflectivo, crítico, etc), algo diferente de um blogue de tuna, são ainda pequenos oásis num deserto tunante que traduz, certamente, muita iliteracia tunante, mas principalmente o desinteresse generalizado, com claro prejuízo para a riqueza que daí se poderia tirar, já que a falta de formação e informação (e bom-senso, às vezes, para a levar em linha de conta) no seio das tunas é, claramente, a causa de muitos problemas que se vão registando na nossa comunidade.

Um Santo BlogNatal e Próspero Ano Novo a todos!

(in http://notasemelodias.blogspot.com/)

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