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CELTA 2017: A Reportagem
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CELTA 2017: A Reportagem

Por José Pedro Rodrigues E Gonçalo Matos


Com o início marcado para as 21:00, não foi pouco mais tarde que deu início o XXIV Certame Lusitano de Tunas Académicas, este ano com um toquezinho especial, uma vez que os seus organizadores, a Azeituna, fizeram este ano 25 anos de existência.

 O CELTA - Acrónimo de CErtame Lusitano de Tunas Académicas - iniciou-se com a tuna organizadora, a Azeituna, que nos presenteou com alguns dos seus originais. Primeiro com o instrumental "CELTA" , do qual se destaca um momentinho de gaita de foles, seguindo-se a música "Palpitações". Houve nesta altura uma pausa na qual um dos azeitunos apresentou o seu filho bebé como um "novo azeituno".

Seguiu-se a esta mais um instrumental - "Luso-Galaico Celta" - e depois a canção "Assim nasceu um país". Neste momento, a Azeituna relembrou que muitos foram os grupos com quem eles atuaram ao longo dos seus 25 anos, enquanto o Coro Académico da Universidade do Minho entrava em palco. Em conjunto, o Coro e a Azeituna cantaram (e tocaram) "O Mostrengo", um arranjo musical do poema homónimo de Fernando Pessoa, após o qual o Coro "parabenizou" a Azeituna pelos seus 25 anos e lhes ofereceu uma prenda que consistia em duas figuras de barro representando um membro do Coro e um azeituno.

Entretanto, subiu a palco Mário Fernandes "Super Mário" da TUIST, um grande amigo da tuna, que falou um pouco sobre essa amizade. De seguida, ainda com o Coro em palco, o lindíssimo som da versão da Azeituna do tema "Versos de Amor", de Carlos Paião, solada pelo "Cristo", da Azeituna, e pelo "Super Mário", da TUIST.
As melodiosas vozes dos solistas e do coro conjunto da Azeituna e do CAUM encheram a sala de harmonia e serenidade, numa versão que rivaliza com a original. Para terminar, a Azeituna atuou também em conjunto com a Tuna Universitária do Minho, os seus padrinhos, que lhes ofereceram também uma prenda. O tema que interpretaram foi o "Adeus ó Braga".

Deu-se então início ao concurso, durante o qual pudemos perceber que várias tunas selecionaram pelo menos uma música adaptada pela Azeituna para elas próprias tocaram. A primeira tuna a concurso a atuar foi a Tuna Universitária de Aveiro, que começou a sua atuação com uma interpretação da "Suevos", um dos originais da Azeituna, na qual se destacaram (assim como na original) as gaitas de foles. De seguida, apresentaram o seu "Mix de Zeca Afonso", no qual se demarcaram também as gaitas de foles. A música seguinte a ser interpretada foi um instrumental original da TUA, ["Mar(?)], após a qual foi apresentada o tema, também de Zeca Afonso, "As 7 Mulheres do Minho", numa reinterpretação de um tema também interpretado pela Azeituna. Para concluir, a TUA interpretou o tema "Amor à Beira Mar", na qual, por fim, foram apresentadas coreografias, quer de estandarte, quer de pandeireta.

A segunda tuna a concurso a atuar foi a Hinoportuna. A primeira música a ser apresentada foi um tema original, de solista, intitulado "Balada ao Vento", seguida de duas músicas do Zeca, "Milho Verde" e "Maio Maduro Maio". A seguinte foi um instrumental composto de vários temas de Júlio Pereira, apelidado de "Duetos", na qual se viram coreografias de pandeiretas. De seguida, "trazendo ao público bracarense um pouco de Viana, a Hinoportuna apresentou o tema "Vira de Viana", durante o qual surgiu uma dança folclórica e uma rusga a complementarem a música. Para finalizar, o tema "Havemos de ir a Viana". Uma atuação bastante sólida da Hinoportuna, especialmente no que diz respeito às pandeiretas, e que nos levou numa viagem pela música tradicional portuguesa.

Coube à Tuna de Engenharia da Universidade do Porto o início da segunda parte. A primeira música que apresentaram foi a campeã europeia "Amar pelos Dois", música de solista, à qual se seguiu o tema "Noite de São João"(?). No entanto, fazendo uma pequena nota, no interlúdio entre a primeira e a segunda, foi possível distinguir a melodia do Hino da Universidade do Minho a ser tocada pelos dois violinos da tuna! De seguida, como tema instrumental, tocaram as "Czardas", do compositor Vittorio Monti, que trouxe uma tonalidade arábica e do qual se destaca o uso de dois xilofones que acrescentaram um toque místico que tanto caracteriza o Médio Oriente. A TEUP fez também uma pequena paródia da "Nini dos meus 15 anos", tema tocado pela Azeituna, após a qual apresentou as músicas "No teu Poema" (tocada pela Azeituna) e "Indío do Brasil", que é sempre aprazível de ouvir, fazendo entre estas um pequeno interlúdio com a música "Vais Partir" (Clemente), com a qual convidaram o público a acompanhá-los.

Para finalizar, e após um interlúdio no qual membros da Azeituna fizeram uma "battle de piadas secas", gozando com o humor dos seus padrinhos nos últimos anos, foi a vez da TUM atuar. Antes de iniciarem, fizeram um agradecimento especial à Azeituna pelos anos de amizade e rivalidade saudável. A primeira música que apresentaram foi o tema "A Flor e o Espinho", de Nelson Cavaquinho, com solista e coreografia de estandarte, seguida do tema original "Sonho", também esta apresentando, para além de estandarte, coreografia de pandeiretas. Finalizando, a TUM interpretou aqueles que são os seus temas ex libris, a "Tunalmente Molhado", como sempre, solene e bonita, a "Partizan", como sempre, a partir tudo com a sua carga positiva e alegre, e a "Boémia", acompanhada como dita a tradição de coreografias de pandeiretas e de estandartes.

Assim foi o primeiro dia do XXIV CELTA - 25 Anos.

O segundo dia começou logo com uma Tuna a Concurso, a TAIPCA, que iniciou com dois temas da Azeituna, "Eu Sou Um Coelhinho" e o bonito "O Viajante". De seguida, usaram um pouco do tema "Estou Além" (também tocado pela Azeituna) para introduzirem o seu "Eu Não Sou Poeta". Posto isto, interpretaram a sua canção de solista, "Barca dos Amantes", seguindo-se uma canção original da TAIPCA, "Nobre Lenda", que fala sobre a fundação da cidade de Barcelos, a meio da qual transitaram para "Assim Nasceu um País", mais uma vez em homenagem à Azeituna. A sua peça instrumental foi a música seguinte, "Andanças", também ela um original da Azeituna.Terminaram com outro tema que lhes é sobejamente conhecido, ainda que seja do repertório de Sérgio Godinho, "O Galo é Dono dos Ovos". Foi uma prestação sem dúvida acima da média para a TAIPCA.

A TAIPCA deu então lugar à Scalabituna, mas não sem antes alguns elementos da Azeituna que apresentavam o sarau fazerem uma rábula contra alguns clichés das Tunas, intitulado fado anti-tunas, que muito pareceu divertir o público. Nessa nota, os rapazes de Santarém começaram com uma adaptação da "Noites de Ronda", em homenagem à Azeituna, mas com letra modificada, seguindo-se-lhe a canção "Noites de Verão", dos Trovante. Posto isto, usaram o tema "Só Gosto de Ti" para transitar para o seu original de solista "Lágrimas do Tejo". Seguiu-se-lhe uma adaptação de uma canção de António Zambujo, a "Flagrante", também esta bem solada pelo mesmo solista. Então surgiu um mini-medley de canções da Eurovisão, "Nasci P'rá Música" e "Amor de Água Fresca". Terminaram com mais um original, "Chuva de Verão", saíndo efetivamente de palco com uma canção que troçava, animadamente e em bom espírito, dos anfitriões. Da boa atuação da Scalabituna ficou na memória os seus bandeiras, que executaram sem falhas e com grande espírito de palco.

A última tuna a subir a palco a concurso foi a TUIST, que deu início à atuação lendo um texto dedicado à Azeituna no qual se percebeu vários títulos de músicas deles, acompanhado instrumentalmente da sua "Versos de Amor". A atuação em si, parte musical, começou com uma adaptação de uma canção popularizada por Amália Rodrigues, "Lisboa Não Sejas Francesa", na qual se denotaram as pandeiretas. A seguir, um original dedicado às meninas e ao público em geral, "Se Um Dia Não Houver Luar", e depois um medley instrumental feito de fados lisboetas, de nome "Palavras Dadas Noutra Vida". As duas últimas canções foram "Alfama", dedicada ao público, e "Vida de Estudante", que talvez por ser a última foi a mais pujante e animada. Foi uma atuação com qualidade da TUIST, eclética na escolha repertorial.

Após o intervalo, surgiu a Azeituna, que acabou por ficar em palco durante mais de uma hora, entre músicas, momentos de entrega de prémios e outros. Começaram com o instrumental "Percursos", seguido da canção "Noites de Ronda" que contou com a prestação extra de dois bailarinos (sendo que a rapariga esteve escondida debaixo duma capa durante toda a primeira música!). Antes da canção seguinte houve tempo para consagrar mais um elemento como Azeituno - momento que se deu em palco -  tocando então o tema "Antuninho", um medley de canções de desenhos animados que remonta ao 1º CD da Azeituna, datado de 1994.

Após, o instrumental "Andanças", depois do qual foram entregues alguns dos prémios. Posto isto, tocaram a canção "O Viajante" e subiu a palco a Gatuna e mais uma vez o Super Mário, da TUIST, para interpretarem o tema "E Depois do Adeus", dedicado à mãe do solista de Lisboa e à Caracol, elemento da Gatuna que faleceu no início do ano. Houve tempo para uma homenagem por parte do "Super Mário", embelezando o tema que ele solou em conjunto com o Cristo, da Azeituna. De seguida, foram entregues mais prémios, antes da Azeituna prosseguir com a sua emblemática "Suevos", finda a qual se entregou os prémios que restavam em palco. A Azeituna deu finalmente por terminada a sua atuação com o tema "Nasci P'rá Música".

Os Prémios ficaram então distribuídos da seguinte forma:

Melhor Pandeireta - Hinoportuna
Melhor Estandarte - Scalabituna
Melhor Instrumental - TAIPCA
Melhor Solista - TEUP
3a Melhor Tuna - TUIST
2a Melhor Tuna - TEUP
Melhor Tema (do Festival - 25 anos) - TEUP
Melhor Tuna - TAIPCA

Tuna Mais Tuna (entregue no Lustre) - Tuna Universitária de Aveiro

 

Foi um festival longo mas pleno de alegria e de boa disposição. Para o ano há mais - o 25º aniversário do CELTA!

O PortugalTunas agradece o apoio e disponibilidade por parte da Organização.

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